3 horas de duração, visualmente deslumbrante e incrivelmente belo: Esta é uma epopeia única feita por um dos maiores diretores da história
Maria Santos
Maria Clara decidiu estudar audiovisual para juntar o melhor de todos os mundos. Apaixonada pelo cinema independente e também pelos famosos filmes da sessão da tarde, não dispensa indicações e nem julga um filme pela sinopse.

Um filme como uma série de pinturas vivas, em Barry Lyndon, o mestre Stanley Kubrick cria espetáculos visuais quase ininterruptos.

Com seu épico drama de época, Barry Lyndon, Stanley Kubrick entregou uma obra-prima do cinema histórico. O clássico de três horas recebeu quatro Oscars e foi eleito um dos filmes mais bem dirigidos da história pelo Sindicato dos Diretores dos EUA — ou seja, não é pouca coisa.

Diretores como Ari Aster (Hereditário), Ruben Östlund (Triângulo da Tristeza) e Guillermo del Toro (Frankenstein) confessaram à revista Sight & Sound serem fãs apaixonados de Barry Lyndon, e o lendário Akira Kurosawa também figurava entre seus admiradores.

É disso que se trata Barry Lyndon

Warner Bros.

Na segunda metade do século XVIII, o provinciano irlandês Redmond Barry (Ryan O'Neal) é um romântico ingênuo que tem uma queda por sua prima (Gay Hamilton). Ao fazer inimigos em sua terra natal, parte mundo afora em busca de oportunidades de ascensão social.

Por meio de uma série de eventos, alista-se no exército inglês, do qual deserta, tornando-se espião a serviço dos prussianos e, mais tarde, um dândi obcecado por jogos de azar. É nesse contexto que conhece a rica Lady Lyndon (Marisa Berenson), que dá um novo sentido à sua vida — mas também traz consigo novos problemas.

Barry Lyndon mostra o picareta metido a nobre

Barry Lyndon é um drama sobre fraquezas humanas que todo mundo reconhece: ganância, egoísmo, mentira e inveja movem o protagonista. Mas Kubrick não o trata como um monstro isolado — ele é apenas um reflexo da sociedade em que vive. Criado num ambiente que ensina deslealdade e arrogância, e que mostra que caráter não leva a lugar nenhum, o jovem Redmond Barry só faz o que aprendeu: sobreviver como pode. Afinal, se a integridade não vale nada, por que seguir regras?

Ao contrário do que muitos pensam, Kubrick não é um diretor frio e distante. Por trás da ironia afiada, Barry Lyndon carrega uma melancolia de fundo — uma tristeza discreta que acompanha a trajetória do protagonista. O filme também funciona como uma carta de amor (e ao mesmo tempo um alerta) à estética do século XVIII, com sua beleza exagerada e seus valores podres.

Warner Bros.

Kubrick e o fotógrafo John Alcott filmaram grande parte do filme com luz natural ou à luz de velas, criando imagens que parecem pinturas de Gainsborough e Hogarth. Para isso, usaram até lentes desenvolvidas pela NASA, capazes de captar detalhes no escuro. Os figurinos seguem o mesmo capricho: a figurinista Milena Canonero encontrou roupas de época autênticas e recriou cada peça com rigor histórico.

Mas não se engane, por trás de tanta beleza, há um retrato amargo e incômodo da humanidade. Com um olhar quase casual, Kubrick escancara a superficialidade daqueles personagens e o vazio que escondem sob perucas e vestidos luxuosos.

Barry Lyndon
Barry Lyndon
Data de lançamento 14 de setembro de 2021 | 3h 07min
Criador(es): Stanley Kubrick
Com Ryan O'Neal, Marisa Berenson, Patrick Magee
Usuários
3,9
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Se quiser conferir ou rever essa obra-prima, o filme está disponível para aluguel e compra no Prime Video e no Apple TV.

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