Antes de se tornar o astro que conhecemos hoje, Ryan Reynolds passou por períodos em que sua carreira cinematográfica parecia frágil, às vezes ameaçada por fracassos comerciais retumbantes. O primeiro grande revés foi Lanterna Verde, de 2011. O blockbuster, no qual interpretou o papel principal, custou à Warner Bros. US$ 200 milhões e gerou um prejuízo de US$ 75 milhões. Recebido friamente tanto pelo público quanto pela crítica, o filme ilustra perfeitamente o dilema de Reynolds em Hollywood.
Alguns anos mais tarde, ele disse à Variety: “Havia muita gente gastando muito dinheiro. Quando havia um problema, eles deveriam ter dito: ‘Ok, vamos parar de gastar dinheiro com efeitos especiais e focar nos personagens’ ou ‘Como podemos substituir esse espetáculo grandioso, que não está funcionando, por algo baseado nos personagens?’ Mas eles nunca pensaram assim.”
Um segundo fracasso quase fatal
Se Lanterna Verde foi uma experiência dolorosa, Ryan a seguiu dois anos depois com R.I.P.D. - Agentes do Além, outro fracasso retumbante que poderia ter acabado com sua carreira. Baseado na história em quadrinhos de Peter M. Lenkov e Lucas Marangon, o filme conta a história de dois policiais falecidos encarregados de proteger nosso mundo de criaturas sobrenaturais. Reynolds interpreta Nick Walker, um jovem policial recém-falecido, que faz dupla com o veterano Roy Pulsifer (Jeff Bridges).
Universal Pictures
Após seu lançamento em julho de 2013, o filme arrecadou apenas US$ 12,6 milhões em seu fim de semana de estreia, muito aquém dos US$ 53 milhões esperados. Atormentado por críticas negativas e uma repercussão desastrosa, R.I.P.D. encerrou sua exibição nos EUA com US$ 33,6 milhões e menos de US$ 80 milhões em todo o mundo, contra um orçamento de produção de US$ 130 milhões.
Reynolds disse ao Los Angeles Times: "Fiz filmes que não deveria ter feito porque eles iam me pagar, e na época era muito atraente e empolgante. Quando você chega a Hollywood, e vem de onde eu venho, você pensa: 'Claro, vou fazer isso'".
Uma nova abordagem artística
Após esses dois contratempos, Reynolds mudou de rumo. Ele passou a priorizar projetos com foco artístico em vez de grandes produções de baixo orçamento. Em 2014, estrelou As Vozes, uma comédia de terror bem recebida pela crítica, mas que arrecadou pouco mais de US$ 2 milhões. No mesmo ano, entregou uma atuação dramática poderosa em À Procura, mas o filme acabou sendo um fracasso de bilheteria.
Em 2015, ele estrelou Parceiros de Jogo. Os críticos americanos elogiaram sua atuação, mas o filme foi um fracasso, arrecadando menos de US$ 500.000. No mesmo ano, ele também apareceu em A Dama Dourada, interpretando um jovem advogado que tenta ajudar Helen Mirren a recuperar propriedades da família roubadas pelos nazistas.
Naquela época, Ryan Reynolds parecia despreocupado com seu status de estrela e estava construindo uma imagem de ator talentoso, antes que um papel transformasse completamente sua carreira: pouco mais de um ano depois, Deadpool chegou e o catapultou definitivamente para o estrelato. O resto, como se diz, é história.