Andrzej Zulawski, um dos cineastas cult mais icônicos, trouxe um turbilhão de emoções em um thriller que mistura crime, romance e seu estilo extremo característico. E é neste filme eletrizante, estrelado por Tchéky Karyo e Sophie Marceau, que nos concentraremos hoje: L'amour braque.
Amor fugitivo e idiota
Micky (Karyo) é um ladrão de bancos bem-sucedido que planeja usar sua fortuna recém-adquirida para reconquistar a amada Mary (Marceau), sua jovem namorada com quem tem um relacionamento complicado. No processo, o ladrão conhece Leon (Francis Huster), que é atraído pelo poderoso carisma de Micky e o segue para um mundo turbulento de violência.
AMLF
O diretor de Cosmos abandona seus pesadelos surreais e incursões impossíveis de ficção científica de baixo orçamento para criar algo muito mais comercialmente viável, com um toque pulp que remete ao cinema francês mainstream dos anos 80 – embora mais tarde o infunda com sua personalidade inconfundível. Seus filmes nunca são exatamente um passeio no parque, mesmo apresentando momentos deslumbrantes como aquela cena de abertura que te prende completamente.
Um crime com delírios febris
Mas, no fim das contas, Zulawski também cria sua própria versão de O Idiota, de Fiódor Dostoiévski, aproveitando-se de sua natureza cativante, mas também de seus fascinantes dilemas repletos de luz e sombra. O diretor mais uma vez explora com firmeza diversas linhas nos relacionamentos que traça e na relação dos personagens com a violência, tornando-as ainda mais extremas.
A lógica que geralmente rege seus filmes tende mais para o delírio febril do que para algo contemplativo ou divertido em termos cinematográficos. L'amour braque é frenético e intenso, tanto em sua história quanto na forma como a câmera inquieta acompanha os movimentos imprevisíveis dos atores da melhor maneira possível, mas é uma obra que definitivamente merece ser vista.