Seja identificando anacronismos na tela, erros de continuidade ou equipamentos de filmagem que não deveriam estar em cena, existe toda uma comunidade de espectadores dedicada a flagrar deslizes de diretores em seus filmes. Alguns são muito sutis e exigem um olhar atento, enquanto outros são tão óbvios que nos fazem questionar como sequer chegaram à versão final.
Mas também há casos como o de Gravidade, em que o cineasta antecipa o espectador e o pega de surpresa. Se você assistir ao filme agora, verá que, na sequência de abertura, os astronautas estão conversando enquanto fazem reparos na estação espacial. Em determinado momento, o personagem de George Clooney "orbita" pela cena e se aproxima da câmera.
Câmeras no espaço
Warner Bros. Pictures
Se não estivermos completamente absortos pela cinematografia magistral naquele momento, podemos notar algo estranho que aparece por um brevíssimo momento por volta dos 3 minutos e 46 segundos. Vemos o microfone e um operador de câmera no reflexo do capacete de Clooney – o que, claro, não deveria estar ali.
Até olharmos mais atentamente e percebermos que a equipe de filmagem está vestida como... astronautas – e flutuando! O que sugere que eles estão realmente gravando a cena no espaço.
É claro que se trata de uma sacada metalinguística inteligente de Alfonso Cuarón, um pequeno presente para todos os espectadores dedicados que examinam meticulosamente cada fotograma em busca de erros. A realidade é que nem a equipe de filmagem nem os supostos astronautas estão realmente lá, e a viseira do capacete de Clooney também não, já que os rostos dos atores foram filmados sem o adereço o tempo todo para melhor apreciarmos suas feições.
Toda a cena é um reflexo criado inteiramente com computação gráfica, e a melhor parte é que é difícil perceber à primeira vista, pois você pode confundi-lo com outros astronautas fora do enquadramento, também trabalhando na estação.