Uma estreia fantástica filmada em um único take: Uma aula magistral de atuação, ritmo e tensão emocional
Ana Pilato
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Depois deste filme, trabalhar no setor de hotelaria vai parecer aterrorizante. Será a arte imita a vida neste projeto ambicioso que merece mais reconhecimento?

Alguns filmes conseguem mergulhar você diretamente em um turbilhão emocional tão intenso que você emerge suando, com o coração acelerado e um renovado senso de empatia. É o caso de O Chef, primeiro longa-metragem de Philip Barantini, uma verdadeira façanha técnica – filmado em um único e impressionante plano-sequência. É um daqueles filmes que entendem que o caos não é apenas barulho. Stephen Graham entrega uma atuação monumental como um chef de cozinha à beira de um colapso, preso em uma espiral de estresse, culpa, pressão e vulnerabilidade.

E, ao seu redor, uma equipe de personagens muito humanos, frustrações reais e sonhos que borbulham como molho em uma panela. O fascinante não é apenas a forma como o filme foi feito, mas sim a sensação de também estar naquela cozinha escaldante onde tudo pode desmoronar em um segundo.

A cozinha como campo de batalha

O que torna O Chef tão hipnótico é que o caos nunca é gratuito. Cada pequeno desastre – uma reserva mal feita, um fornecedor problemático, um prato que chega atrasado – funciona como pequenos tijolos que gradualmente constroem tensão. A câmera desliza entre personagens e espaços com a mesma urgência de um restaurante movimentado, criando uma experiência sensorial que parece quase documental.

Vertigo Films

Aqui, o protagonista oferece um dos retratos mais honestos de exaustão emocional e profissional. O personagem de Graham não grita sem motivo; ele o faz porque está destruído por dentro. Cada gesto revela o peso de anos de pressão autoimposta e feridas não cicatrizadas. É uma atuação de revirar o estômago.

Por outro lado, vale ressaltar que não há personagens secundários. Cada personagem – do chef exausto ao garçom inseguro – é tão bem-desenvolvido que você sente que poderia encontrá-los amanhã em qualquer cozinha real. E essa autenticidade sustenta o filme tanto quanto o plano-sequência.

Embora se passe inteiramente dentro de um único ambiente, a trama aborda temas muito mais profundos: saúde mental, vício, hierarquias tóxicas, lealdade, sacrifício e o fardo invisível de não saber como pedir ajuda. O filme simplesmente observa sem julgar e, nessa observação, encontra humanidade em meio ao caos.

O Chef
O Chef
Data de lançamento 1 de setembro de 2022 | 1h 35min
Criador(es): Philip Barantini
Com Stephen Graham, Vinette Robinson, Alice May Feetham
Usuários
3,3
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E o final não é uma emoção barata nem uma resolução fácil; em vez disso, chega como um sussurro, obrigando você a ficar imóvel enquanto processa tudo o que acabou de ver. É uma conclusão coerente com o filme: crua e profundamente honesta.

O Chef está na assinatura premium do Prime Video.

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