Estas 3 estrelas de Hollywood recusaram o Oscar: "Ofensivo, bárbaro e inerentemente corrupto"
Ana Pilato
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Você imaginaria que todos em Hollywood sonham com um Oscar – no entanto, três vencedores não tinham absolutamente nenhum interesse em aceitar a cobiçada estatueta dourada. Aqui estão suas histórias.

Capaz de lançar, resgatar e revitalizar carreiras, talvez nenhum prêmio tenha tanta importância na indústria cinematográfica quanto o Oscar. Sua influência se estende muito além de Hollywood, aumentando drasticamente o valor de mercado de atores e diretores e garantindo financiamento para futuros projetos cinematográficos. Mas, apesar dessa fama mundial, nos quase 100 anos de história do Oscar, houve vencedores que se recusaram a aceitar seus prêmios da Academia – por uma série de razões…

Uma disputa sindical se intensifica

Tudo começou em 1936, quando o roteirista Dudley Nichols deveria receber o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por O Delator – mas simplesmente não compareceu à cerimônia.

Em vez disso, conforme relatado pelo The New York Times, a Academia recebeu posteriormente uma carta na qual Nichols explicava: "Como um dos fundadores do Sindicato dos Roteiristas, criado em protesto contra a Academia e em decepção com o tratamento dado aos profissionais contratados em situações de emergência, lamento profundamente não poder aceitar o prêmio."

George C. Scott em Patton – Rebelde ou Herói? 20th Century Fox
George C. Scott em Patton – Rebelde ou Herói?

O protesto de Nichols, porém, não durou muito: em 1938, ele finalmente aceitou a estatueta.

"Ofensivo, bárbaro e inerentemente corrupto"

O ator George C. Scott já estava acostumado aos holofotes quando finalmente recebeu um Oscar em 1971. Ele já havia sido indicado antes por seus papéis coadjuvantes em Anatomia de um Crime e Desafio à Corrupção, e sua atuação como Buck Turgidson em Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, lhe rendeu uma boa reputação. No entanto, foi seu papel principal em Patton – Rebelde ou Herói? que lhe garantiu uma estatueta.

Mas depois que Goldie Hawn, rindo de alegria, chamou Scott ao palco, não foi o próprio ator que subiu correndo as escadas, mas Frank McCarthy, produtor de Patton. A Academia provavelmente não ficou surpresa: dias antes, Scott já havia anunciado por telegrama que não queria ser indicado e que recusaria o prêmio. Segundo o Los Angeles Times, ele descreveu posteriormente a cerimônia do Oscar à imprensa como um "desfile de carne de duas horas" e o prêmio como "ofensivo, bárbaro e inerentemente corrupto".

Um boicote com motivação política

Das três rejeições do Oscar descritas aqui, a mais famosa foi provavelmente a mais recente: em 1973, Marlon Brando, já um ícone da atuação na época, foi indicado a Melhor Ator por sua interpretação de Vito Corleone em O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola.

Após o anúncio de sua vitória, a ativista e atriz indígena Sacheen Littlefeather subiu ao palco e resumiu os motivos de Brando para recusar o prêmio: o "tratamento atual dos indígenas pela indústria cinematográfica, em reprises de filmes e programas de TV", bem como nos "recentes acontecimentos em Wounded Knee".

O Poderoso Chefão
O Poderoso Chefão
Data de lançamento 24 de março de 1972 | 2h 55min
Criador(es): Francis Ford Coppola
Com Marlon Brando, Al Pacino, James Caan
Usuários
4,8
Assista agora no Paramount+

Wounded Knee, local de um massacre de Sioux por um regimento americano em 1890, estava ocupado por membros armados do Movimento Indígena Americano (AIM) na época da cerimônia do Oscar de 1973. O objetivo deles era depor Dick Wilson, líder tribal considerado corrupto. No entanto, as tentativas de negociação fracassaram, e os apoiadores do AIM logo foram cercados por um grande contingente de agentes do FBI e tropas da Guarda Nacional, sendo forçados a se render em 8 de maio de 1973.

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