Power Rangers foi um dos maiores fenômenos infantis dos anos 1990, responsável por impulsionar a chegada da cultura japonesa ao Ocidente e apresentar o tokusatsu a milhões de crianças. Apesar das diversas versões já produzidas, a versão original permanece como a mais lembrada — e também a mais problemática nos bastidores. Segundo relatos amplamente divulgados, o elenco era composto em grande parte por adolescentes submetidos a longas jornadas e salários baixos, além de casos de homofobia e sexismo dentro da equipe de produção.
Em uma história publicada pela PopCrush em 2016, David Yost contou que chegou a fazer teste para viver Jason, o Ranger Vermelho, antes de assumir o papel de Billy Cranston, o Ranger Azul. O ator explicou que tinha dificuldade em se ver no personagem, um jovem tímido e considerado o elo “nerd” entre atletas. Essa abordagem não agradava ao criador da franquia, Haim Saban.
Quase 60 anos e 40 versões depois, um dos super-heróis mais lendários retorna com uma série live-action no estilo Power Rangers“Quando fui contratado e começamos o treinamento em artes marciais, eu estava ficando muito bom. Lembro que o Saban entrou na sala e ficou realmente irritado porque achou que eu estava parecendo bom demais”, disse o ator. “Ele não queria que meu personagem parecesse bom. Quando vi que ele ficou com raiva, me deu um medo enorme, pensei: ‘Ah, m*rda, não quero irritá-lo’.**”
Bastidores tensos, assédio e pressão marcaram a experiência do intérprete do Ranger Azul
Os problemas de Yost, porém, iam além da caracterização de Billy. O ator revelou, em 2010, que deixou a série durante a terceira temporada por causa de anos de assédio relacionado à sua sexualidade.
“Eu saí do estúdio no meio do almoço, já vinha pensando nisso há uma semana. E saí porque me chamaram de ‘v*ado’ vezes demais”, contou durante o Anime Festival Orlando. Após abandonar a produção, ele chegou a passar por terapia de conversão, algo que, segundo ele, “infelizmente causou um colapso nervoso porque eu estava lutando contra quem eu realmente era, e mentalmente, eu não aguentava mais”.
Relatos semelhantes surgiram ao longo do tempo. O episódio “Dark Side of the Power Rangers”, do docussérie O Lado Sombrio de Hollywood, expôs condições de trabalho extremas. Tony Oliver, roteirista-chefe, afirmou: “Esses contratos tornavam aceitável trabalhar até a exaustão — e foi exatamente o que fizeram.”
Hoje, Yost conseguiu ressignificar sua relação com a franquia e voltou para o especial de 30 anos Power Rangers: Agora e Sempre, um reencontro marcado pela emoção e pela celebração do legado que ajudou a construir.