Em seus filmes como diretor, o astro Clint Eastwood (Três Homens em Conflito) frequentemente se concentra em personagens que se tornam heróis por meio de ações específicas. Os filmes exploram principalmente a responsabilidade que acompanha esse status. Um ótimo exemplo é o drama Sully - O Herói do Rio Hudson, inspirado em eventos reais, no qual Tom Hanks (Forrest Gump) interpreta um piloto que age de forma radical em uma situação de emergência absoluta. Posteriormente, fica a dúvida se ele é um herói ou se infringiu a lei. O longa está disponível no Prime Video e na HBO Max.
É sobre isso que trata a cinebiografia dramática
O enredo de Sully é baseado na autobiografia do piloto da vida real Chesley Sullenberger (Hanks). No dia 15 de janeiro de 2009, logo após decolar do aeroporto de LaGuardia, em Nova York, uma revoada de pássaros atinge as turbinas do avião. Com a aeronave seriamente danificada, Sully não vê outra alternativa senão fazer um pouco forçado em pleno rio Hudson.
Com este ato, Sullenberg salvou os 155 passageiros que estavam abordo. Tal situação logo transforma Sully em um grande herói nacional, mas ainda assim, o piloto precisou responder perante a Administração Federal de Aviação (FAA), que considerou suas ações extremamente negligentes. Embora tenha sido aclamado pelo público por suas ações, isso não o isentou de enfrentar um rigoroso julgamento interno e de obter punições.
Reprodução / HBO Max / Prime Video
Um drama de desastre que permanece na memória por muito tempo
Embora Eastwood enfatize fortemente o caráter honrado do piloto, o diretor não se rende simplesmente à admiração cega do protagonista. Em vez disso, ele questiona a imensa pressão a que Sully está submetido, mesmo que, naquela situação extrema, ele tenha feito apenas o que impulsivamente acreditava ser a única coisa certa a fazer.
Com Tom Hanks ao seu lado, o filme tem o ator certo para retratar Sully com a necessária ternura. Mesmo que as notas suaves de piano na trilha sonora ocasionalmente empurrem Sully para um melodrama manipulador, Eastwood dirige a obra como um todo sem falso sentimentalismo, porque seu apelo à humanidade é, simultaneamente, uma expressão da força de cada indivíduo.