Paul Newman foi e será uma das grandes estrelas de Hollywood. O ator do olhar azul intenso chegou ao topo por seu físico impactante, mas também por demonstrar, filme após filme, seu talento inato para a atuação. Newman era um cara que levava seu trabalho muito a sério, mas também se permitia brincar com a equipe de vez em quando.
Por exemplo, gostava de assustar os diretores e nas filmagens de Slap Shot se colocou ao volante de um carro e encenou sua própria morte em um acidente para desgosto de George Roy Hill. Não fez isso uma única vez, mas repetiu várias vezes com Otto Preminger e John Huston. Em outra ocasião, enquanto preparava Golpe de Mestre, serrou pela metade sua escrivaninha e, posteriormente após aumentar a aposta, um Chevy.
Newman tinha essas manias e parece que nem todo mundo gostava de seu caráter. Ava Gardner trabalhou junto a ele no faroeste The Life and Times of Judge Roy Bean (Roy Bean - O Homem da Lei no Brasil) e, segundo disse mais tarde, odiou cada segundo de sua experiência juntos. Em abril de 2010, o The Times compilou várias opiniões de pessoas que coincidiram com o ator em algum momento de sua vida e apareceu Gardner, que não poupou palavras:
Não suporto esse homem. É um dos meus atores menos favoritos. É um egomaníaco e tão falso.
Segundo registra o meio Far-out, os problemas de Gardner com o álcool acentuaram as diferenças entre ambos os atores, mas o ambiente de filmagem não era o mais amigável. O filme se baseou em um roteiro original de John Milius, que esperava dirigi-lo, mas o estúdio preferiu John Huston. Para Milius, Huston estava destruindo o filme. "Tínhamos uma relação estranha. Ele me torturava sem parar, mudando coisas e fazendo cenas que, na minha opinião, fazia deliberadamente mal", declarou o roteirista. O orçamento original do filme era de 3 milhões de dólares, mas aumentou para 4 por uma sequência final que não haviam planejado desde o início.
Paramount Pictures
O western, que mistura comédia e drama - embora menos do que deveria ter sido nas palavras de John Milius -, colheu críticas mistas. Havia quem o visse "divertido" e com "atuações enérgicas" e quem acreditasse que carecia "de fluidez".
A propósito, Joanne Woodward, que seria sua esposa e atuou junto a ele em sua estreia na Broadway em 1953, também não o elogiou muito: "Quando o vi atuar pela primeira vez, pensei que era terrível. E era. Só tinha um rosto bonito".