John Wayne, através de seus numerosos papéis que começaram na época do cinema mudo, se tornou um verdadeiro símbolo do masculino e rude da sociedade americana. Seu jeito de andar, seu porte, o tom de sua voz... Tudo se encaixava no protótipo de "homem de verdade" que muitos queriam seguir na época dos anos 50. Por isso quando chegou o diretor Robert Aldrich e lhe propôs fazer uma comédia, Wayne teve que recusar a oferta.
O projeto terminaria se chamando O Rabino e o Pistoleiro, um faroeste com toques de humor que poderia ter nos deixado ver o famoso ator numa nova comédia, mas que terminou nas mãos de Gene Wilder e de um jovenzinho Harrison Ford que ainda andava procurando seu lugar em Hollywood.
Em O Rabino e o Pistoleiro, um rabino recém-formado a duras penas chega à Filadélfia em seu caminho para sua nova congregação. Avram é um homem inexperiente e inocente que encontra três golpistas. Os irmãos Diggs e seu sócio, Sr. Jones, pedem dinheiro para pagar uma carroça e ir para o Oeste, mas o roubam e abandonam sem nada. Avram acaba fazendo amizade com Tommy Lillard, um ladrão de bancos que, no entanto, tem bom coração e fica comovido com a franqueza do rabino.
O papel do rabino foi para Gene Wilder e o do ladrão de bancos estava pensado para John Wayne; porém, a equipe não conseguiu convencê-lo nem depois de sete anos de negociações. Embora algum jornalista, como John J. Puccio do Movie Metropolis, tenha escrito que Wayne estava "entusiasmado com a ideia", o próprio Wilder admitiu que era praticamente impossível que ele aceitasse o papel. "Você está brincando? Como conseguiríamos John Wayne?", registra sua autobiografia, Kiss Me Like a Stranger: My Search for Love and Art.
Warner Bros.
"Toda vez que me olhava pensava em como estava infeliz""
Embora Wilder soubesse que era muito difícil conseguir Wayne, o diretor Robert Aldrich ainda tinha alguma esperança. Por isso, depois de se dar conta de que não ia conseguir, ficou bastante decepcionado e isso provocou tensões no set com Harrison Ford, o coitado do ator que chegou para substituir o insubstituível.
"Acho que toda vez que Aldrich olhava para Harrison, via John Wayne", declarou Mace Neufeld, o produtor do filme, "Harrison sabia, mas sempre era divertido estar com ele, muito engraçado". E Ford se dava conta, claro: "toda vez que o diretor, Robert Aldrich, me olhava, pensava em como estava infeliz por não ter John Wayne", segundo contou ao Tribune Business News.
Talvez por isso o resultado do longa-metragem não foi o esperado. O Rabino e o Pistoleiro não é nem uma comédia de destaque nem uma peça importante do western. No final fica no meio do caminho e sua história por trás das câmeras acabou sendo mais interessante do que o que acontece na tela.