Com quase 100 anos de história, o Oscar não coleciona apenas uma seleção de grandes filmes, mas também histórias de bastidores que, pelo bem ou pelo mal, merecem ser lembradas. Enquanto há um caso polêmico recente com o tapa dado por Will Smith a Chris Rock, também existem ocasiões com nudez no palco, prêmios roubados e erros no anúncio dos vencedores.
Em 1974, o palco montado pela Academia de Artes e Ciência Cinematográficas, no Pavilhão Dorothy Chandler, não recebeu apenas a 46ª edição do Oscar, mas foi marcado por um momento curioso: a breve aparição do fotógrafo Robert Opel completamente nu durante a cerimônia. "Bem, senhoras e senhores, isso era quase certo que aconteceria", disse o apresentador David Niven, que se preparava para chamar a atriz Elizabeth Taylor que anunciaria o vencedor de Melhor Filme.
Há 26 anos, dois atores não aplaudiram este vencedor do Oscar: Um deles acaba de revelar o porquêO discurso do apresentador, curiosamente, casa com a proposta do ativista na tentativa de provocar a sociedade, que considerava conformativa. "Foi um comentário social", diz o sobrinho de Opel, Robert Oppel (sim, o nome é quase o mesmo), que lançou um documentário sobre o tio há 15 anos.
"Lendo os jornais ou escutando as notícias, fica óbvio que o mundo está sofrendo um ataque de nervos. Na indústria do cinema, a gente não fabrica tanques, nem aviões ou mísseis. Nós fazemos algo para tentar ajudar as pessoas a se manterem sãs. Nós entregamos entretenimento. O prêmio de Melhor Filme nunca é provável. E agora, para divulgar o conteúdo do envelope mais importante deste ano, quero chamar uma importante contribuinte do entretenimento global...", disse Niven antes de ser interrompido pela surpresa.
Por influência de uma época de contracultura, a expansão dos ideais hippies e até mesmo do crescimento da nudez nas telonas, que passou a ser relativamente flexibilizada no cinema e no teatro, manifestações com nudez tornaram-se populares na época. Inspirado pelo momento e pelas próprias convicções, Bob correu nu pelo palco, fazendo sinal de paz e amor, enquanto a plateia reagiu eufórica.
Posteriormente, descobriu-se que o ativista de 35 anos escrevia para a revista LGBT chamada The Advocate. Embora anteriormente tivesse trabalhado para um político conservador, havia mudado sua trajetória drasticamente naquele momento.
Há 20 anos, ela filmou um piloto que nunca virou série: Agora esta atriz amada tem dois OscarsAnos depois do ocorrido, Opel abriu a primeira galeria de arte totalmente focada no público gay em São Francisco. Importante para a promoção de grandes artistas, o espaço se tornou um espaço importante tanto para a comunidade quanto para o crescimento da cena cultural norte-americana LGBTQIAPN+. A história, no entanto, se encerra de forma trágica.
Em novembro de 1978, o primeiro político abertamente gay a ser eleito na Califórnia, o vereador Harvey Milk, foi assassinado com cinco tiros. Dan White, o executor do crime, foi absolvido no ano seguinte da acusação de homicídio doloso com a condenação apenas por homicídio culposo. Em meio a manifestações contra essa decisão, Opel se mobilizou criando uma performance chamada "A execução satírica de Dan White".
A reunião mais aguardada do cinema está chegando: Denzel Washington na luta pelo Oscar em novo filmeDois dias depois da apresentação, o ativista foi morto em sua própria galeria. Dois homens invadiram o local atrás de dinheiro. Amarraram a namorada e o ex-namorado do ativista, mas o renderam em outro cômodo. Instantes depois da abordagem violenta, ambos ouviram o disparo que tirou a vida de Opel.
Anos depois, em 2010, o sobrinho do fotógrafo, Robert Oppel, produziu o documentário Tio Bob, sobre a vida do artista que marcou a Academia por uma performance inusitada, mas, sobretudo, teve um papel crucial na visibilidade da arte queer de São Francisco.
No Brasil, o registro está disponível no canal Look, disponível no Prime Video, e pode ser encontrado no catálogo apenas como Bob Oppel.