É um dos filmes de guerra favoritos de Christopher Nolan e está no streaming: Uma visão singular e extraordinária da 2ª Guerra Mundial com um elenco grandioso
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

A guerra é abordada de maneira poética por um Terrence Malick em sua melhor versão.

"Por que a natureza compete consigo mesma?". A questão é murmurada por uma voz em off enquanto um crocodilo sai de seu esconderijo, possivelmente para caçar. Pouco depois, é intercalada pela irrupção do homem em um terreno diferente, caloroso, violento. Mas possivelmente não violento por sua própria natureza, e sim pela própria ação do homem que leva ali sua cruenta disputa.

Esta maneira de nos lançar ao fragor da batalha marca o tom poético e diferente que persegue um dos filmes de guerra mais surpreendentes de todos os tempos. Um que marcou profundamente Christopher Nolan, que o denominou seu filme de gênero favorito e evidentemente teve uma grande influência em seu cinema. É fácil vê-lo em Dunkirk, mas mesmo no formidável Oppenheimer podem-se detectar elementos próprios de Além da Linha Vermelha, 1996.

Além da Linha Vermelha
Além da Linha Vermelha
Data de lançamento 26 de fevereiro de 1999 | 2h 50min
Criador(es): Terrence Malick
Com Sean Penn, Jim Caviezel, Nick Nolte
Usuários
4,0
Assista agora no Disney +

A humanidade em conflito

O aspecto mais similar a Oppenheimer é, pelo menos superficialmente, a imensidão de seu elenco. Todos rostos distintos e até reconhecíveis, com personagens aparentemente cortados pelo mesmo padrão com a ideia de poder contar as ideias de seu autor. Parecem ter a mesma voz, mas Nolan os traça com pinceladas suficientes para torná-los interessantes, da mesma forma que Terrence Malick faz nesta obra maiúscula que pode ser vista em streaming através do Disney+.

Malick nos leva pela batalha na Ilha de Guadalcanal, situada no oceano Pacífico. É o ano de 1942, e o exército americano está perto de conquistar um ponto geográfico estratégico que pode significar sua vitória contra o exército japonês. As diferentes tropas da Marinha são mostradas em seus pontos mais intensos, os mais esgotantes e também nesses brevíssimos momentos de escape do horror da Segunda Guerra Mundial.

O filme baseia-se em um romance de James Jones, mas é justo assumir que a inspiração é bastante livre. Terrence Malick, especialista nessa classe de cinema evocativo que reflete em voz baixa e em imagens surpreendentes, passa por vários pontos e raramente se fixa em personagens concretos. É paradigmático do complexo processo de produção do diretor que muitos atores se depararam com o fato de que sua participação na montagem final foi muito reduzida, ou alguns desaparecendo completamente.

Além da Linha Vermelha, um olhar poético sobre o conflito

20th Century Studios

Pode ser difícil compreender um processo que leva a filmar durante longos períodos de tempo e não encontra o possível fio condutor até que, na montagem, vai descartando e recortando toda a metragem que foi capturando. Mas o resultado acaba dando, em ocasiões, resultados inapeláveis e profundamente emocionais como Além da Linha Vermelha, que se situa com facilidade no topo de sua filmografia e do cinema de guerra.

Uma obra de arte onde a proliferação de rostos não vai em seu detrimento, porque todos fazem progredir emocionalmente a obra e suas atuações resultam contundentes. Situa-se bem no topo esquivando-se de muitas de suas convenções, embora oferecendo também momentos de batalha realmente intensos e impactantes.

Embora sejam suas reflexões através de distintos personagens, que parecem formar uma mesma experiência, as que tornam mais profunda sua declaração contra a guerra, um problema que algumas obras do gênero costumam enfrentar quando têm claros seus princípios, mas não podem evitar lançar-se ao puro espetáculo. Além da Linha Vermelha consegue diferenciar-se e consolidar-se como uma obra genial que ninguém deveria perder.

facebook Tweet
Links relacionados