Houve uma época em que o mercado de mídia física era tão importante para a indústria audiovisual quanto o streaming é hoje. As locadoras eram como as plataformas sob demanda, com a diferença de que o cliente precisava sair de casa para alugar o produto desejado - e depois fazer o mesmo movimento para devolvê-lo.
Tentando acabar com parte desse deslocamento, a Flexplay Technologies teve uma ideia inovadora em meados de 2003: o disco Flexplay. A mídia era uma espécie de DVD que funcionava em qualquer aparelho tradicional, mas uma vez aberto, se autodestruía no período de 48 horas.
Os anúncios da época ganharam popularidade ao enfatizar o quão incômodo era ter que voltar às locadoras para devolver os filmes alugados. A premissa do Flexplay era contornar a necessidade do consumidor retornar os produtos - visto que, após a abertura da embalagem, ele tinha dois dias para assistir ao longa-metragem quantas vezes quisesse e depois jogar o disco fora.
Quentin Tarantino lamenta que a Netflix tenha matado as locadoras e explica o problema de assistir filmes no streamingCOMO FUNCIONAVA O FLEXPLAY?
A chave para o funcionamento do objeto estava em um composto químico presente, que reagia com o oxigênio assim que cada embalagem era aberta. O disco mudava de cor à medida que se deteriorava - e embora os mais experientes conseguissem fazê-lo funcionar eternamente, a realidade é que a maioria das pessoas nem se deu ao trabalho de descobrir como.
Flexplay Technologies
Como esperado, o Flexplay se tornou um grande fracasso comercial, e foi descontinuado em 2011. Houve dois fatores primordiais que levaram ao revés: a perspectiva ambiental - visto que fabricar discos especificamente para o descarte não era o ideal; e o preço - cada cliente pagava de cinco a sete dólares pelo objeto, valor superior ao aluguel tradicional.