30 anos após seu lançamento, muitos ainda não conseguem enxergar a genialidade desta comédia: Um clássico mais inovador do que parece
Ana Pilato
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Filme estrelado por Alicia Silverstone foi baseado em um clássico de Jane Austen e redefiniu o cinema adolescente.

Em meados dos anos 90, os filmes adolescentes eram dominados por dramas intensos, romances trágicos e personagens rebeldes. Embora muitos fossem estereotipados e tendessem a repetir padrões, ainda havia espaço para novidades e risadas. Aliás, foi nesse contexto que surgiu As Patricinhas de Beverly Hills, uma comédia romântica tão icônica que nunca sairá de moda.

Escrita e dirigida por Amy Heckerling, é uma adaptação livre de Emma que situa o universo de Jane Austen no mundo superficial e sofisticado de uma escola em Beverly Hills. Chegou como um filme banal que, com o passar dos anos, acabou se tornando uma das obras mais influentes de sua geração.

Tudo começa com Cher (Alicia Silverstone) e Dionne (Stacey Dash), duas das garotas mais populares da escola. A maior preocupação delas é usar as roupas mais atraentes e manter seu status o mais alto possível, mas complicações começam a surgir.

Paramount Pictures

Talvez a chave do sucesso esteja no tom, afinal, em vez de zombar dos personagens, As Patricinhas de Beverly Hills expõe sua superficialidade de uma forma que não parece difícil de se acostumar. O filme opta pelo humor irônico sem cair no cinismo, e sua representação da adolescência não se baseia em conflitos geracionais ou drama social, mas em algo ainda mais universal: o desejo de encontrar seu lugar no mundo, com humor, contratempos e, aliás, estilo impecável.

E 30 anos após seu lançamento, continua sendo um ícone vivo da cultura pop, tanto por seu frescor quanto por ter capturado uma era com mais inteligência do que muitos estavam dispostos a admitir na época.

O bom gosto está na simplicidade

Embora superficialmente pareça um desfile de moda, repleto de bordões e adolescentes hiperprivilegiados, por trás da fachada de As Patricinhas de Beverly Hills esconde-se uma sátira social altamente eficaz. E você não precisa procurar muito para encontrá-la.

Paramount Pictures

Amy Heckerling não só soube recolocar a narrativa de Austen em Beverly Hills, como também construiu um retrato muito consciente do narcisismo dos anos 90, com uma sensibilidade feminina ainda visivelmente ausente do cinema da época. A perspectiva da diretora era sofisticada, acessível, crítica e jamais condescendente.

Em outras palavras, As Patricinhas de Beverly Hills é muito mais do que uma comédia engraçada. É uma história sobre pessoas que querem se aprimorar, e que não o fazem apenas por pressão externa. E essa é uma das razões pelas quais seu arco funciona tão bem. Cher não muda para fazer um cara gostar dela ou se encaixar, ela faz isso porque percebe que sua visão de mundo era muito limitada, e esse tipo de evolução é mais genuíno e poderoso do que o que vemos em muitas comédias românticas mais artificiais.

Assim como Meninas Malvadas e Legalmente Loira, o filme acabou se tornando muito influente por sua estética, linguagem visual e forma de retratar as inseguranças dos adolescentes. Foi um dos primeiros a permitir que uma protagonista feminina fosse boba sem ser menosprezada, e tinha muita inteligência emocional para o que estávamos acostumados a ver na época.

As Patricinhas de Beverly Hills
As Patricinhas de Beverly Hills
Data de lançamento 15 de dezembro de 1995 | 1h 38min
Criador(es): Amy Heckerling
Com Paul Rudd, Donald Faison, Alicia Silverstone
Usuários
4,2

As Patricinhas de Beverly Hills está na assinatura premium do Prime Video e no Telecine (via Globoplay).

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