Seja Gladiador, 1492: A Conquista do Paraíso ou Cruzada, Ridley Scott tem uma paixão inconfundível por temas históricos. O mestre da direção adora grandes histórias, grandes batalhas e grandes personagens – mas é justamente por essa paixão que Scott enfrenta críticas constantes, especialmente quando se trata da precisão histórica de seus filmes.
O próprio diretor admite abertamente tomar liberdades artísticas. O que torna ainda mais irônico o quão severamente Scott julga o épico bíblico Noé, de Darren Aronofsky – no qual seu bom amigo Russell Crowe (que fez mais quatro filmes com Scott depois de Gladiador) interpreta o papel-título.
Ridley Scott critica Noé, com Russell Crowe
Noé conta a história bíblica da arca, mas de uma perspectiva psicológica muito moderna. O diretor, que não se considera religioso, abordou o material como um drama: Noé é um homem destruído, marcado pela culpa de um sobrevivente do Dilúvio. Ficou claro desde o início que a interpretação de Aronofsky não atenderia às expectativas de grupos religiosos. O filme não passou nas exibições-teste, e um aviso sobre liberdades artísticas foi adicionado.
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Uma dessas liberdades causou certa surpresa: os Guardiões, gigantescos monstros rochosos que ajudaram Noé a construir a Arca. Até mesmo críticos mais simpáticos acharam as criaturas estranhas, e Ridley Scott também ficou visivelmente irritado.
Em entrevista ao National Catholic Register, ele explicou que os gigantes de pedra teriam sido mais adequados ao mundo de fantasia de Tolkien do que a um filme bíblico. Ridley disse que achava Aronofsky um "ótimo diretor", mas "Homens de pedra? Ah, bem. Nunca vou superar isso. O filme começou como uma fantasia imediatamente".
Só depois de ter desabafado longamente sobre as criaturas é que ele aparentemente percebeu o que seu amigo de longa data, Crowe, poderia dizer. Com uma piscadela, acrescentou: "Russell Crowe é um bom amigo meu, sei que vou receber um e-mail horrível dele esta tarde."
Noé está no Disney+ e no Telecine (via Globoplay ou Prime Video).