É isto que falta nos filmes de ação atuais: Stallone detona esta prática cada vez mais comum no cinema
por Diego Souza Carlos

Astro de Hollywood acredita que gênero está morrendo por abandonar elemento essencial.

Cada gênero tem seus símbolos e recursos que o constituem. Enquanto a ficção científica necessita trabalhar o imaginário a partir de uma junção entre o que é fato e o potencial que representa, a ação requer um número menor de ferramentas para se sustentar. Nas décadas passadas, especialmente entre os anos 1980 e 1990, filmes que abraçavam a pancadaria e a agilidade de seus heróis tinham o suficiente para se encaixar nesse conceito - e é justamente isso que Sylvester Stallone acredita que está faltando no cinema contemporâneo.

O astro de Rambo se mantém na indústria cinematográfica de maneira invicta, embora enxergue que o que o levou ao estrelato não existe mais, nem mesmo com tentativas de trazer o espírito dos filmes antigos de volta à tona. Para ele, no entanto, não se trata apenas de uma nova era da sétima arte quanto à aura destes longas, mas o modo de produção que acabou com a essência das tramas de ação.

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"[Grandes filmes de ação são] como comprar um relógio vintage. Originalmente custava 35 dólares, e agora custa 35 mil. Por quê? Porque era feito à mão. Não era exagerado. Não era sobrenatural. Era algo que um ser humano único poderia alcançar", disse ele em entrevista ao The Hollywood Reporter em 2022.

Orion Pictures

O eterno Rocky Balboa acredita que o excesso de filmes de super-heróis ou roteiros que levam protagonistas à jornadas fisicamente fantasiosas acabaram com o gênero, assim como o excesso de computação gráfica:

"É por isso que acho que Rambo - Programado para Matar é um dos primeiros filmes de ação. Usei a atuação corporal para contar a história", continuou ele. "O personagem nunca fala, mas você sabe exatamente o que está acontecendo através dos outros personagens. Eles são quase como narradores em sua tragédia grega. O cara não para de se mexer, e é isso que eu chamo de ‘filme de ação’. Não há uma única tomada de CGI. O público diz: 'Isso é muito especial'".

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A ponderação sobre o excesso de efeitos especiais realmente é pertinente, principalmente quando filmes tornam-se genéricos com sequências inteiras feitas em um computador, abandonando todo o potencial de efeitos práticos que abrilhantaram o cinema no passado. Isso também é reflexo da popularidade do cinema de super-heróis, conhecido por este tipo de recurso.

Ainda assim, existem ótimas e inovadoras entradas no gênero que não estão vinculadas a franquias estabelecidas, apresentam uma oxigenação do que entendemos como ação e não são protagonizadas por arquétipos de machões - pelo menos não como antigamente. Dentre eles, podemos citar projetos óbvios como John Wick, mas também Baby Driver, Trem-Bala, Guerra Sem Regras, Resgate, Bagagem de Risco, Fúria Primitiva, Beekeeper - Rede de Vingança, entre outros.

Talvez aquele tipo de filme que Stallone estava acostumado a fazer realmente não tenha mais espaço no cinema, visto o desmoronamento da popularidade de filmes como Os Mercenários e Código Alarum, mas o gênero não está respirando por aparelhos.

Diego Souza Carlos
Diego Souza Carlos
-Redator | Crítico
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.
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