Para que um longa-metragem seja produzido, estúdios montam grandes equipes que se concentram em cada camada e etapa do processo de filmagem. Com um alto volume de movimentação, é comum que muitas histórias de bastidores surjam após a promoção do projeto, e nem sempre todas são fruto de bons acontecimentos.
Nesta semana, a atriz de Horizon: An American Saga - Chapter 2 iniciou um processo contra Kevin Costner, protagonista, co-roteirista e diretor do filme, e os produtores do longa. A acusação de Devyn LaBella, dublê principal de Ella Hunt, vem de uma suposta coersão em uma cena violenta de estupro que não estava no roteiro.
Top Gun Maverick está no meio de um processo judicial por direitos autorais: Advogado do caso é o pesadelo da Paramount PicturesPor ser improvisada, a sequência teria deixado os protocolos do SAG (Screen Actors Guild), o sindicato dos atores, de lado. Ou seja, teria sido feita sem coordenadores de intimidade, aviso prévio, consentimento formalizado, ambiente seguro, entre outros termos de proteção aos envolvidos.
A acusação
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O relato da atriz pontua um incidente de dois anos atrás, quando "uma cena violenta sem roteiro" teria sido inserida na produção sem aviso prévio. Nela, a personagem de Hunt, Juliette Chesney, sofreria um abuso sexual.
Segundo o processo, Hunt "ficou visivelmente chateada e saiu do set, recusando-se a gravar a cena", uma vez que uma clausula do contrato alegava que os produtores eram obrigados a comunicá-la de qualquer cena de simulação de sexo, nudez ou de teor íntimo em pelo menos 48 horas, além do acompanhamento de um coordenador de intimidade. O contrato de LaBella seguia os mesmos termos.
"Me senti nojenta": Harvey Weinstein é acusado de criar cena desnecessária em filme adolescente só para atriz aparecer dançandoNo dia anterior, a dublê havia feito uma cena semelhante, com todos os aparatos necessários. No entanto, em 2 de maio de 2023, pediram para que ela fizesse outra sequência semelhante, mas fora do que havia sido combinado. Nela, o ator subiria em cima da atriz e deveria "puxar sua saia violentamente para cima".
De acordo com o processo, "ela sentiu choque, constrangimento e humilhação ao tentar processar a situação" logo após o término das filmagens. Ao compartilhar o ocorrido com coordenadores de dublês, incluindo Wade Allen (Ford vs. Ferrari), eles se voltaram contra ela. "Ao expressar sua indignação e preocupação, os participantes do sexo masculino a culparam por não se manifestar", afirma o documento.
Em meio a "crises repentinas de choro dentro e fora do set", ela tirou alguns dias de folga para se recuperar do ocorrido. Ela afirma que ao retornar , a "equipe de produção foi extremamente cuidadosa" e muitos pediram desculpas pelo incidente.
A defesa de Costner
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Em declaração feita pelo advogado de Costner, Marty Singer, à Variety, o cineasta"sempre quer garantir que todos se sintam confortáveis trabalhando em seus filmes e leva a segurança no set muito a sério". Ele completa:
"No entanto, esta alegação de Devyn LaBella não tem absolutamente nenhum mérito e é completamente contradita por suas próprias ações — e pelos fatos. A Sra. LaBella é uma acusadora recorrente de pessoas na indústria do entretenimento e trabalhou com o mesmo advogado em processos anteriores. Mas essas táticas de extorsão não funcionarão neste caso."
Segundo a atriz, ela também teria sofrido retaliações dos responsáveis pela franquia planejada em pelo menos quatro atos ao ser retirada de projetos subsequentes.