Sergio Leone considerou outras opções antes de escolher Clint Eastwood como O Homem Sem Nome para seu famoso filme Por um Punhado de Dólares, mas, felizmente para ambos e também para os amantes do western, suas outras opções não estavam interessadas ou não se encaixavam no orçamento, e Eastwood se tornou o candidato mais adequado.
Mike Windle
Eastwood, por sua vez, apesar de algumas reticências iniciais, decidiu tentar a sorte com o projeto por se tratar de um remake western de Yojimbo, um de seus filmes favoritos. Além disso, ele estava seduzido pela ideia de filmar na Espanha. Não é preciso dizer que aquela foi uma das melhores decisões que tomaria em sua vida, já que o filme o catapultou ao estrelato e, desde então, nunca lhe faltou trabalho, tornando-se primeiro um verdadeiro emblema do gênero e, com o tempo, uma das maiores estrelas de Hollywood por sua contribuição tanto na frente quanto atrás das câmeras.
Após aquele primeiro filme, Eastwood e Leone completariam juntos a Trilogia do Dólar com Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito, mas após este último não voltaram a trabalhar juntos. Alguns anos depois, em 1968, Sergio Leone ofereceu a ele um trabalho em Era Uma Vez no Oeste, mas Eastwood recusou. Uma decisão que, ao que parece, os distanciou até pouco antes da morte de Leone e que provavelmente foi um erro, já que o filme é considerado o melhor do cineasta e uma obra-prima do gênero.
Durante os anos em que não trabalharam juntos até a morte de Leone em 1989, ambos seguiram em frente com suas vidas de forma muito diferente. Clint Eastwood continuou trabalhando muito e realizou seu sonho de se tornar diretor, enquanto, por sua vez, Sergio Leone diminuiu o ritmo. Ele teve a oportunidade de dirigir O Poderoso Chefão, mas preferiu se concentrar em um filme que levou quatro anos para completar e que acabaria sendo o último de sua carreira: Era Uma Vez na América, estrelado por Robert De Niro.
"Bobby sofre, Clint boceja"
Era Uma Vez na América era muito diferente dos westerns que lhe trouxeram fama. Tratava-se de um filme criminal que contava a história, ao longo de quatro décadas, de David "Noodles" Aaronson, um poderoso gângster dos anos 30.
Durante as filmagens daquele filme, Leone, que não era muito dado a entrevistas, falou com a American Film e comparou o trabalho de ambos os atores, expressando sua ideia de que, da mesma forma que De Niro não poderia ter sido O Homem Sem Nome, Eastwood não poderia ter interpretado David "Noodles" Aaronson.
É difícil comparar Eastwood e De Niro. O primeiro é uma máscara de cera. Na verdade, se você pensar bem, eles nem sequer pertencem à mesma profissão.
"Robert De Niro se entrega a este ou aquele papel, adotando uma personalidade como qualquer outra pessoa colocaria um casaco, com naturalidade e elegância, enquanto Clint Eastwood coloca uma armadura e baixa a viseira com um ruído metálico oxidado. É precisamente essa viseira baixada que compõe seu personagem. E esse rangido metálico que faz ao baixá-la, seco como um martini no Harry's Bar de Veneza, também é seu personagem", analisava Leone.
"Observe-o com atenção. Eastwood se move como um sonâmbulo entre explosões e chuvas de balas, e é sempre o mesmo: um bloco de mármore. Bobby, acima de tudo, é um ator. Clint, acima de tudo, é uma estrela. Bobby sofre, Clint boceja".
Uma descrição poética de dois dos maiores atores da história do cinema. Concordar com Leone ou não já depende de cada um.