"Robert de Niro e Clint Eastwood nem sequer pertencem à mesma profissão": Um icônico diretor comparou as estrelas após trabalhar com os dois
Giovanni Rodrigues
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

A experiência do cineasta o levou a uma conclusão: "Bobby, acima de tudo, é um ator. Clint, acima de tudo, é uma estrela".

Sergio Leone considerou outras opções antes de escolher Clint Eastwood como O Homem Sem Nome para seu famoso filme Por um Punhado de Dólares, mas, felizmente para ambos e também para os amantes do western, suas outras opções não estavam interessadas ou não se encaixavam no orçamento, e Eastwood se tornou o candidato mais adequado.

Mike Windle

Eastwood, por sua vez, apesar de algumas reticências iniciais, decidiu tentar a sorte com o projeto por se tratar de um remake western de Yojimbo, um de seus filmes favoritos. Além disso, ele estava seduzido pela ideia de filmar na Espanha. Não é preciso dizer que aquela foi uma das melhores decisões que tomaria em sua vida, já que o filme o catapultou ao estrelato e, desde então, nunca lhe faltou trabalho, tornando-se primeiro um verdadeiro emblema do gênero e, com o tempo, uma das maiores estrelas de Hollywood por sua contribuição tanto na frente quanto atrás das câmeras.

Por um Punhado de Dólares
Por um Punhado de Dólares
Data de lançamento 15 de setembro de 2021 | 1h 39min
Criador(es): Sergio Leone
Com Clint Eastwood, Gian Maria Volontè, Marianne Koch
Usuários
4,3
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Após aquele primeiro filme, Eastwood e Leone completariam juntos a Trilogia do Dólar com Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito, mas após este último não voltaram a trabalhar juntos. Alguns anos depois, em 1968, Sergio Leone ofereceu a ele um trabalho em Era Uma Vez no Oeste, mas Eastwood recusou. Uma decisão que, ao que parece, os distanciou até pouco antes da morte de Leone e que provavelmente foi um erro, já que o filme é considerado o melhor do cineasta e uma obra-prima do gênero.

Durante os anos em que não trabalharam juntos até a morte de Leone em 1989, ambos seguiram em frente com suas vidas de forma muito diferente. Clint Eastwood continuou trabalhando muito e realizou seu sonho de se tornar diretor, enquanto, por sua vez, Sergio Leone diminuiu o ritmo. Ele teve a oportunidade de dirigir O Poderoso Chefão, mas preferiu se concentrar em um filme que levou quatro anos para completar e que acabaria sendo o último de sua carreira: Era Uma Vez na América, estrelado por Robert De Niro.

"Bobby sofre, Clint boceja"

Era Uma Vez na América era muito diferente dos westerns que lhe trouxeram fama. Tratava-se de um filme criminal que contava a história, ao longo de quatro décadas, de David "Noodles" Aaronson, um poderoso gângster dos anos 30.

Durante as filmagens daquele filme, Leone, que não era muito dado a entrevistas, falou com a American Film e comparou o trabalho de ambos os atores, expressando sua ideia de que, da mesma forma que De Niro não poderia ter sido O Homem Sem Nome, Eastwood não poderia ter interpretado David "Noodles" Aaronson.

É difícil comparar Eastwood e De Niro. O primeiro é uma máscara de cera. Na verdade, se você pensar bem, eles nem sequer pertencem à mesma profissão.

"Robert De Niro se entrega a este ou aquele papel, adotando uma personalidade como qualquer outra pessoa colocaria um casaco, com naturalidade e elegância, enquanto Clint Eastwood coloca uma armadura e baixa a viseira com um ruído metálico oxidado. É precisamente essa viseira baixada que compõe seu personagem. E esse rangido metálico que faz ao baixá-la, seco como um martini no Harry's Bar de Veneza, também é seu personagem", analisava Leone.

"Observe-o com atenção. Eastwood se move como um sonâmbulo entre explosões e chuvas de balas, e é sempre o mesmo: um bloco de mármore. Bobby, acima de tudo, é um ator. Clint, acima de tudo, é uma estrela. Bobby sofre, Clint boceja".

Uma descrição poética de dois dos maiores atores da história do cinema. Concordar com Leone ou não já depende de cada um.

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