No processo labiríntico da criação cinematográfica, cada corte, cada adição sonora, cada ausência, conta uma história. No entanto, frequentemente, essas decisões são aquelas que podem resultar em um conflito entre nações, e um caso exemplar disso ocorreu quando, em 1995, o Governo do México interferiu em uma produção hollywoodiana ao ouvir ao fundo em uma cena os acordes de uma música que todo mexicano reconheceria instantaneamente.
Interscope Communications / Teitler Film
Poucos sabem que um dos filmes mais icônicos dos anos 90, Jumanji, protagonizado por Robin Williams, tem uma história curiosa por trás das câmeras que envolve o governo do México e uma cena que foi modificada devido a uma decisão diplomática. O motivo: a presença do Hino Nacional Mexicano em um contexto considerado inapropriado.
A cena em questão mostra o personagem de Sam Parrish entrando em uma loja de armas, onde, como música de fundo, toca o hino nacional do México, uma decisão criativa que as autoridades da época não gostaram nem um pouco.
A razão por trás dessa omissão não residiu em considerações artísticas ou narrativas dentro do universo do filme. Na verdade, deveu-se a uma firme postura do governo mexicano em relação ao uso de seu símbolo pátrio mais solene, já que, como afirma o Governo do México, é proibida a reprodução do Hino Nacional "quando se realizarem composições ou arranjos que não correspondam à versão oficial, assim como quando se realizar com fins lucrativos (publicidade comercial ou de índole semelhante)".
Mas não foi a única razão
Segundo fontes de produção, o governo do México enviou uma solicitação formal à Columbia Pictures para que se eliminasse o fragmento do hino, argumentando que sua aparição em uma cena relacionada ao tráfico de armas violava os princípios de respeito e dignidade nacional.
Embora a cena modificada não tenha alterado o desenvolvimento da trama, o caso se tornou um pequeno exemplo de como as legislações nacionais podem influenciar a edição de uma superprodução de Hollywood, além disso, ressalta como, no cinema, cada elemento (até uma simples música de fundo) pode ter um peso político inesperado.