Adaptações cinematográficas de franquias populares sempre são uma pedra no sapato de muitos fãs e, claro, dos produtores. Adaptar uma história de 500 páginas para um filme de uma hora e quarenta minutos não é uma tarefa fácil. Agradar os fãs e manter a essência da obra original é ainda mais difícil.
Mas, há 24 anos, Peter Jackson provou que as meticulosas descrições da terra-média criadas por J.R.R. Tolkien podiam, sim, se transformar em uma franquia de sucesso. Como sabemos hoje, O Senhor dos Anéis se tornou uma grande referência quando o assunto é cinema de fantasia.
Este é um dos maiores vilões do cinema: Há 23 anos, ele fez milhões de espectadores tremeremA escolha certa do elenco, o figurino impecável e a combinação entre efeitos práticos e CGI foram apenas alguns dos fatores que elevaram a trilogia a outro nível. No entanto, é certo dizer que a direção de Jackson e sua decisão de misturar cenas dos livros com sequências inéditas ajudaram a equilibrar a experiência entre fãs e novos espectadores. Ainda assim, uma escolha do diretor para o final de O Retorno do Rei poderia ter manchado a boa fama das produções.
Uma decisão de Frodo nos filmes o transformaria no grande vilão
New Line Cinema
Em 2003, uma das cenas mais aguardadas pelos fãs de O Senhor dos Anéis era o momento em que Sam (Sean Astin) e Frodo (Elijah Wood) finalmente chegariam ao Monte da Perdição para destruir o Um Anel e, consequentemente, pôr fim ao reinado de Sauron (Christopher Lee).
Na obra de Tolkien, ao chegar ao Monte da Perdição, Frodo hesita, e Gollum, tomado pela obsessão, morde seu dedo para recuperar o Anel. Em meio à euforia, ele celebra com uma dança vitoriosa e, sem perceber, acaba caindo na lava.
Sempre esquecemos que existe, mas este filme tornou O Senhor dos Anéis possível: Peter Jackson teve a ideia durante a pós-produçãoNo filme O Retorno do Rei, a cena é similar, mas com uma diferença crucial: após morder o dedo de Frodo, Gollum (Andy Serkis) e o hobbit lutam brevemente, resultando na queda acidental de ambos. Frodo consegue se agarrar à beira do abismo e é salvo por Sam, enquanto Gollum afunda na lava junto ao Anel, destruindo-o definitivamente.
No entanto, Peter Jackson originalmente concebeu um desfecho muito mais impactante – e controverso. Em sua visão inicial, Frodo teria um papel mais ativo na morte de Gollum. Em uma passagem no site Digital Spy sobre a biografia de Jackson, Peter Jackson: A Film-maker's Journey, o diretor revelou que, na versão original da cena, Frodo empurrava Gollum para a morte logo após ter o dedo arrancado.
Foi um assassinato direto, mas, na época, estávamos bem com isso porque sentimos que todos queriam que Frodo matasse Gollum
Apesar da ideia ousada, Jackson acabou descartando esse final. Ele percebeu que essa mudança tornaria Frodo um personagem muito diferente daquele criado por Tolkien, rompendo com a essência da história. O diretor optou por manter o espírito da obra original, garantindo que a adaptação respeitasse a trajetória do protagonista, mas claro, com uma boa sequência para se ver nas telonas.
Além disso, transformar Frodo em um assassino poderia contradizer suas escolhas ao longo da jornada, colocando sua moralidade em um território nebuloso e decepcionando os fãs. A ambiguidade do personagem foi mantida, mas sem comprometer sua integridade. Afinal, ele poderia seguir sua vida em paz após matar Gollum?
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