Sergio Leone fez apenas oito filmes, mas a maioria deles deixou uma impressão duradoura no público. Sua principal contribuição para o cinema foi ter revisitado o gênero faroeste, dando-lhe um toque mais “realista” (embora hiperestilizado) do que o oferecido pelo cinema americano.
Personagens ambíguos e gananciosos, reis da piada e pouco inclinados a dar o braço a torcer, os heróis do diretor italiano surpreenderam o público na década de 1960. Embora tudo tenha começado com Por um Punhado de Dólares (1964), que relevou Clint Eastwood para o grande público, o primeiro faroeste de Leone que chegou a um consenso de todos foi Três Homens em Conflito (1966).
Uma obra-prima com um final extraordinário
Pegue três anti-heróis, coloque-os na trilha de um tesouro e veja até onde eles podem ir! Essa é basicamente a premissa de Três Homens em Conflito (também conhecido como O Bom, o Mau e o Feio). O filme é brilhante, merece a reputação de ser um dos melhores faroestes já feitos e, além disso, seu final deixou muitas pessoas maravilhadas.
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Depois da vertiginosa corrida de Tuco (Eli Wallach) pelas tumbas para descobrir a localização do tesouro ao som de The Ecstasy of Gold, de Ennio Morricone, Blondin (Eastwood) revela a reviravolta do filme – que não contaremos aqui, caso você nunca tenha assistido ao longa-metragem.
Então, Tuco descobre que não vai dividir o dinheiro com Blondin e que ele sairá sozinho com a bolada. Pior ainda, seu companheiro o pendura em uma árvore e o deixa equilibrado em uma cruz. Tuco acha que vai morrer, pois seu “amigo” está se afastando e não passa de um ponto no horizonte.
Por fim, sendo “O Bom” do título, Blondin reaparece de longe, puxa a corda, libertando o mexicano e permitindo que ele libere sua raiva e grite: “Blondiiiiiiiiin!”.
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Mais especificamente: “Blondiiiiiiin! Sabe de uma coisa? Você é o bastardo mais nojento... que essa terra já viu”. As últimas palavras são abafadas pela chegada do grito do coiote, que serve como um artifício para a música de Morricone durante todo o filme. Nessas últimas notas, o tema principal é retomado com a imagem de Blondin indo embora sozinho com o dinheiro.
O suspense de tirar o fôlego para saber se o personagem de Eastwood vai voltar ou não para salvar seu amigo mexe com os nervos do espectador, e a ação final de Blondin liberta tanto Tuco, que estava prestes a escorregar de sua cruz e morrer, quanto o espectador, que não aguentava mais não saber se o mocinho finalmente se transformaria.
É um grande momento de cinema e o típico humor negro de Leone, que continuaria na mesma dinâmica para o relação entre os personagens John Mallory (James Coburn) e Juan Miranda (Rod Steiger) em Quando Explode a Vingança.
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