"Os cinemas são lugares gordurosos e fedorentos": David Fincher garante que Netflix é o futuro da sétima arte.
Heloisa Vilela
Heloisa Vilela
-Redatora
Heloisa gosta de ficção científica, sitcoms e de pipoca com bastante manteiga. Fã do Kubrick e de reality shows de compra e venda de casas.

Declarações duras do diretor de joias como Clube da Luta e Zodíaco, que pede que deixemos para trás a nostalgia da telona.

Ninguém duvida do talento de David Fincher, já que ele é o diretor de grandes títulos como Se7en - Os Sete Crimes Capitais e A Rede Social, mas muita gente tenta entender por que ele trabalha exclusivamente com a Netflix há tanto tempo. Ele mesmo deixou claro que suas más experiências com outros estúdios tiveram muito a ver com isso, mas agora foi além ao dizer que “a Netflix é o futuro do cinema".

O Assassino
O Assassino
Data de lançamento 26 de outubro de 2023 | 1h 59min
Criador(es): David Fincher
Com Michael Fassbender, Tilda Swinton, Arliss Howard
Usuários
3,3
Adorocinema
4,0
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O cineasta está no meio de uma campanha promocional de O Assassino, o maravilhoso thriller estrelado por Michael Fassbender, e fez algumas declarações no Le Monde que vão chocar muitos amantes da sétima arte. Para começar, Fincher não hesitou em elogiar a Netflix por não cometer os mesmos erros de muitos estúdios:

Sejamos honestos. Trabalhei para a maioria dos grandes estúdios de cinema. Quando você diz a eles: “Tenho que fazer esses efeitos especiais em 4K”, a primeira resposta deles é: “Uau, por que tornar isso tão caro?” Eles resistem à menor despesa. A Netflix nunca se opôs a esse tipo de escolha. Eles adotaram um padrão da indústria que fazia sentido para os cineastas. A Netflix tem de longe o melhor controle de qualidade de Hollywood.
Warner Bros. Pictures

Economizar nas despesas acima de tudo

No entanto, o que é realmente surpreendente veio mais tarde, já que Fincher não teve dó ao apontar o que ele acredita que a grande maioria das salas de cinema se tornou:

Não salvaremos o cinema como cultura restringindo os sistemas de distribuição nacionais. Para isso, o cinema teria que se tornar um local vanguardista, e não esse local úmido, fedorento e gorduroso que continua sendo, salvo raras exceções, economizando em todas as despesas necessárias. Adorei algumas salas de cinema, como o Grauman's Chinese Theatre ou o Cinerama Dome em Los Angeles, mas as condições técnicas eram deploráveis. Devemos deixar para trás toda essa nostalgia para finalmente nos fazer a pergunta certa: quem oferece hoje a representação ideal?

Vale refletir se o diretor acredita que todos os assinantes da Netflix realmente possuem os sistemas de reprodução ideais, ou o que ele pensará de quem assiste filmes em um tablet ou celular. Talvez o ideal absoluto ainda esteja nas telonas, mas anda cada vez mais difícil encontrá-lo.

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