O Pagamento Final é, na minha opinião, um dos filmes mais injustiçados do cinema criminal dos anos 90. Diferente da maioria dos filmes de máfia ou gângster, aqui não existe glamour, não existe vitória. O foco está no depois do crime, no peso das escolhas e no preço de tentar mudar quando já é tarde demais.
Carlito sai da prisão aliviado por escapar de uma sentença de 30 anos e decide abandonar o mundo do crime. Ele só quer viver de forma honesta, vender carros e ir embora. Parece simples, mas o filme mostra como isso é quase impossível quando o passado continua te cercando por todos os lados. Traições, decisões mal resolvidas e pessoas erradas transformam cada tentativa de redenção em mais tensão.
A atuação de Al Pacino é absurda de boa, contida e cheia de dor. Mas Sean Penn entrega algo ainda mais perturbador, criando um personagem que parece ajudar, mas lentamente destrói tudo ao redor. A relação entre os dois é o coração do filme.
O mais impressionante é que nada é exatamente o que parece. Carlito entende o perigo, antecipa acontecimentos, percebe armadilhas, mas ainda assim toma decisões que o deixam vulnerável. Isso não o torna fraco, torna humano. O filme é uma tragédia anunciada, e é justamente por isso que ele dói tanto.
Não é tão citado quanto Os Bons Companheiros, Cassino ou Scarface, mas pra mim está no mesmo nível. Um filme extraordinário, com atuações memoráveis, tensão constante e um desfecho que fica na cabeça por muito tempo. Um clássico que merecia muito mais reconhecimento.
Al Pacino e Sean Penn brilham neste drama sobre um gangster que, após sair da cadeia, sonha em viver uma nova vida honesta nas Bahamas ao lado da mulher que ama. Mas o mundo do crime não o abandona e ele luta pelo seu sonho contra os seus próprios instintos. Muita ação e muita profundidade na exposição de um sistema corrupto e violento.
Pagamento Final pode ser considerado um marco na recente história do cinema policial. Assim que Carlito Brigante, magistralmente interpretado por Al Pacino, no ápice de seus tempos áureos, desliza em uma maca para sua a morte, temos a nítida impressão de que, junto com ele, caminham tantos outros anti-heróis fora-da-lei em rumo de um final inevitável. Em suma, todos os mafiosos e gângsteres vividos em priscas eras por ícones do cinema americano como Humphrey Bogart, James Cagney e Paul Muni: personagens tipicamente românticos protagonistas de dramas profundamente individuais, histórias de amor trágicas e esperanças frustradas de dias melhores. Quando falamos de filmes de máfia ou gângster, O Pagamento Final, quase nunca está entre os primeiros títulos citados. Talvez sua proposta o credencie dessa forma, mas o fato é que o longa-metragem dirigido por Brian De Palma está entre os melhores do gênero, por mergulhar nos dramas de seu protagonista de forma bem singular. Aliás, todo o elenco está muito bem, trazendo aos holofotes nomes ainda não tão conhecidos do público, como Viggo Mortensen e John Leguizamo, porém, vale ressaltar que, dentre os coadjuvantes, quem se destaca de fato é Sean Penn, quase irreconhecível como o advogado corrupto de Carlito. Para aplaudir em pé.
Um caminho, um jeito, a tradução literal profetiza a vida de Carlito Brigante, personagem de Al Pacino nesse filme de Brian de Palma. Um homem que percorre um caminho em que os desvios refletem no restante de seu trajeto. Talvez uma sinopse repetitiva e rasa, talvez um reflexo da realidade crua, mas com a temática da máfia sempre fica esteticamente mais interessante. Excelentes atuações de Sean Pean, Al Pacino e com uma participação de Viggo Mortensen. Narrado em primeira pessoa, é um filme que não romantiza a vida criminosa, mas que mostra que o poder é tão destrutível aos que almejam tanto aos que querem se livrar dele.
Brian De Palma + Al Pacino, eu diria que é uma fórmula impossível de dar errado. Carlito (Al Pacino) é um ex-presidiário que tenta abandonar a vida em meio ao crime, porém justamente seu próprio advogado e melhor amigo pode ser uma pedra no novo caminho que pretende seguir. Paralelo a isso, Carlito tenta convencer o amor de sua vida de que saiu da prisão determinado a ser um homem honesto. O filme prende do início ao fim, e nos presenteia com um encerramento surpreendente.
10 anos depois de sua obra-prima, Scarface(1983), Brian De Palma aposta em mais história de gangster, que também conta com o lendário Al Pacino. No entanto, O Pagamento Final(Carlito's Way) explora um aspecto diferente do gênero, não buscando a ascensão e queda do protagonista, roteiro já cristalizado no gênero, mas sim a redenção do personagem, que, após sofrer das breves consequências, tenta ficar fora da sedutora carreira do crime.
A trama gira em torno de Carlito Brigante(Al Pacino), um famoso traficante porto riquenho que ganha liberdade de uma sentença de trinta anos, após cumprir apenas cinco, graças ao seu advogado de índole duvidosa Kleinfeld (Sean Penn), que Carlito pensa ter uma dívida de vida devido a façanha jurídica. Após sair da cadeia, Carlito busca a saída da vida de crimes em uma oportunidade de ser sócio de uma empresa de aluguel de carros nas Bahamas. Porém, precisa de 75.000 dólares para ingressar como sócio, logo, ele busca maneiras de arrumar o dinheiro e se manter limpo, mas acaba sendo traído pelos seus velhos amigos e pelo seu inexorável destino.
A direção de Brian De Palma (Scarface) se mostra ousada ao revelar, com movimentações sublimes, o fim de seu personagem logo no início do longa dando assim um aspecto póstumo através de flashbacks com a narração em off de Carlito, que por sua vez foi muito bem utilizada, remetendo aos grandes filmes Noir. Entretanto, o que o diferencia de todos os outros filmes do gênero de ação é o ímpar desenvolvimento de roteiro e sua esplendorosa direção, dando às cenas de ação uma ótima coreografia, proporcionando cenas marcantes de perseguição e tiroteios, como a cena final no metrô. O roteiro, em suas particularidades, se mostra muito sólido, fugindo dos clichês maniqueístas do gênero e humanizando seu personagem em várias sequências memoráveis, como a que Carlito observa o seu grande amor Gail (Penelope Ann Miller) do topo de um prédio em uma noite chuvosa.
E após a perseguição final, através da ilusão, Carlito encontra a sua verdadeira redenção, através de uma cena magnífica, apresentando o onírico convite ao paraíso. O pagamento final é, definitivamente, uma das obras-primas dos anos 90 e de De Palma. Nota: 9.1
Talvez o último filme realmente excelente do grande Brian de Palma, Carlito's Way é o atestado definitivo do talento descomunal de Al Pacino mesmo já após o auge de sua carreira. Um filme de edição rápida, trama criminal envolvente e imprevisível. Destaque também para a performance intencionalmente charlatona de Sean Penn e a curiosa participação de Viggo Mortensen, na época ainda o cocô do cavalo do bandido em Hollywood.
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