Mais um daqueles clássicos da Sessão da Tarde. Lembro-me de tantas vezes sentar no sofá para assistir, e agora, mais de 30 anos após seu lançamento, me deparo com este filme pipoca novamente.
Bill Murray (Phil) e Andie MacDowell (Rita) formam aquele casal de extremos opostos: ele, arrogante, egocêntrico, sem dar muito valor a qualquer coisa em sua vida além de si mesmo; ela, doce, gentil, empática, valorizando o simples da vida e as pessoas ao seu redor.
Embarcamos na jornada de Phil, revivendo com ele o mesmo dia repetidamente até que ele perceba o que o levou a uma vida solitária e narcisista.
As atuações são impecáveis e talentosas. Bill Murray, com suas mudanças drásticas de humor, nos faz acreditar em cada uma das facetas de Phil: do mal-humorado ao incrédulo, passando pelo desesperado, dramático e, finalmente, romântico. Andie MacDowell não fica atrás, trazendo uma mulher genuinamente boa, como a musa descrita nos poemas mais apaixonantes.
A direção entrega takes envolventes, aproveitando a paisagem soturna de neve e ambientes luminosos quando convém. Além disso, escapa da monotonia comum em enredos de loop temporal, com cortes inteligentes e cruciais que evitam repetir o dia desde o primeiro minuto.
Feitiço do Tempo é aquele passatempo gostoso, como um café com biscoitos na casa da vó, um dia de chuva deitado na cama, um casal abraçado sem ver o tempo passar. Tudo isso de forma apaixonante, com uma mensagem poderosa sobre empatia e sobre como as coisas simples da vida podem ser incríveis, basta deixarmos nossa vaidade de lado.