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Adriano Côrtes Santos
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1.229 críticas
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5,0
Enviada em 30 de abril de 2019
A neozelandesa Jane Campion dirigiu um dos melhores filmes da década de 90, expoente de sua carreira. Século XIX, uma viúva escocesa Ada McGrath (Holly Hunter) que não fala desde criança, por opção, se expressa pela musicalidade de um piano. Ada e sua filha de nove anos Flora McGrath (Anna Paquin), partem para A Nova Zelândia, objetivando um casamento arranjado. Um encontro frustrado e desastroso, seu futuro marido Alisdair Stewart (Sam Nell) é um bronco que se recusa a transportar seu piano. Em meio às matas selvagens, e aos nativos maoris, vive um homem branco George Baines (Harvey Keitel), envolvido e fascinado pela inusitada mulher muda, compra o piano e concorda em vendê-lo de volta em troca de aulas musicais, que terminam tendo consequências drásticas. Um filme apaixonante com boas pitadas de erotismo e romance. Teve oito indicações ao Oscar em 1994, levando três estatuetas. Melhor Atriz (Holly Hunter), Melhor Atriz Coadjuvante (Anna Paquin), Melhor Roteiro Original (Jane Campion).
Alguns filmes encantam pela história em si; pelos fatos vividos pelos personagens. Outros nos fascinam pela forma como os fatos são contados. "O piano" poderia ser mais uma história de amor e adultério como tantas outras. Porém, o excelente roteiro de Jane Campion vai além , nos enredando em um mundo de erotismo e mistério; submissão e revolta ; insensatez e lucidez. Como tantas outras mulheres , Ada , vivida por Holly Hunter , atravessa o oceano para fazer um casamento arranjado. Ada é muda desde os 6 anos de idade; perdeu a fala sem motivo aparente: um aspecto muito interessante do filme. Como tantas outras mulheres , ela aparentemente se submete a um mundo marcado pelo patriarcado. Só que Ada não é como todas as mulheres. Apesar de aparentemente frágil e indefesa , possui uma obstinação feroz , que beira a teimosia; é altiva , misteriosa e luta com todas as forças para recuperar a sua voz , que é o seu piano. Ada fala por meio do piano, que é abandonado na praia por seu marido, devido à dificuldade de transportá-lo. Ele lhe nega sua voz e ela lhe nega qualquer tipo de afeto físico ou emocional. Além das belas imagens ; da trilha sonora vigorosa e coerente com o filme ; além das grandes interpretações , “O piano” tem outro mérito que deve ser destacado: a aura de mistério; o que não podemos compreender totalmente , mesmo depois de assisti-lo muitas vezes. Existe algo de impenetrável em “O piano” por meio da personagem de Ada . Para o cineasta espanhol Luis Buñuel, o que falta há maioria dos filmes é o mistério, ingrediente essencial a qualquer obra de arte. Em “O piano” não falta mistério, sondagem psicológica ; personagens paradoxais e um profundo intimismo sensual transmitido não apenas pelo enredo em si ; também pelos movimentos de câmera , que valorizam os rostos, os gestos e parecem acompanhar os estados de espírito dos personagens, proporcionando ao filme uma grande fluidez das imagens , muito plásticas , subjetivas , quase um raio-X do mundo interior dos personagens , principalmente o da protagonista. Em uma cena , a câmera aproxima-se gradativamente até mergulhar no coque de Ada, como se o olhar do espectador pudesse penetrar em sua subjetividade , em seu feminino. É o ápice do voyeurismo. Não podemos nos esquecer de que as formas circulares dizem respeito às mulheres. As cores escuras dos trajes somadas ao excesso de lama do local onde a trama decorre proporciona um clima hostil ao filme , que nos remete a um mundo externo que pouco concede e a outro interior : misterioso e insondável. Merece destaque a cena em que Ada joga-se no mar com o seu piano, por ser talvez o momento mais misterioso do filme ; em que a protagonista mergulha literalmente nas possibilidades infinitas da liberdade. Uma obra densa , intimista , visualmente vigorosa e eroticamente visceral.
Assisti esse filme há muitos anos, para mim se tornou cult. Paisagem belíssima, interpretações de tirar o fôlego por sua intensidade. Este é um filme para pessoas sensíveis, que enxergam além da monotonia das cenas que foram descritas nas críticas anteriores. Este filme me coloca em contato com meu lado mais humano. A verdade nua e crua. Com certeza quem gosta de filmes de ação, jamais entenderá a mensagem dessa película.
Incrível como alguns filmes marcam a gente... lembro a primeira vez que assisti "O Piano" fiquei estarrecido e o filme permaneceu em minha memória por um longo tempo. Na época de seu lançamento eu era uma criança e a classificação etária do filme estava bem acima da minha idade. Mas lembro que desde o momento em que comecei a assisti-lo fiquei totalmente envolvido pela aquela historia tensa e sedutora de amor. A historia em tom narrativo se desenvolve numa Nova Zelandia recém colonizada, onde a diretora Jane Campion encontrou cenários perfeitos para o uso da fotografia fria. A progressão é lenta e sensível mostra o resgate de uma mulher sofrida através da música e do amor. Lindo filme com ótimas atuações, sobretudo das ganhadoras do Oscar Holly Hunter e Anna Paquim (vencedora aos onze anos de idade).
Ada certamente tem um bloqueio/trauma desde a tenra infância, pois parou de falar sem razão aparente aos 6 anos. Mas, talvez por isso mesmo, se tornou uma mulher à frente de seu tempo, com opiniões fortes contrastada com a aparente solução de um desconforto em sociedade por ter uma filha sem ser casada. Então se submete ao casamento de arranjo. Logo vê que não é bem assim, porém todo afeto reprimido ela encontra em Baines. Ele parece rude, as cenas parecem eróticas, mas são psicológicas. A aproximação se dá aos poucos, ela quer ter certeza do "eu" dele... Não é um filme sexual, é profundo e mostra as tragédias, defesas e estratégias do ser humano. E afeto. Bela produção, direção competente, roteiro bem construido. E, bem, Holly Hunter esplêndida. Anna Paquin bem.
Um filme um pouco cansativo mas com uma bela fotografia e bom roteiro e atuações memoraveis de Holly hunter e Anna Paquim que inclusive lhe renderam os oscars de Melhor atriz e melhor atriz cuadjuvante!!!!
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