O Bebê de Rosemary
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Sílvia Cristina A.
Sílvia Cristina A.

109 seguidores 45 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 1 de fevereiro de 2013
Creio que "O bebê de Rosemary" seja muito mais que um filme de suspense e terror. A sutileza extrema de sua linguagem o coloca em um patamar artístico. "O bebê de Rosemary" é um poema cinematográfico tenebroso, onde o pior e mais cruel não é falado nem visto. O filme começa com uma suave canção de ninar ; mais se parece a trilha de uma obra romântica. Os diálogos iniciais também são muito tranquilos e cotidianos , embora já forneçam pistas importantes para o desenrolar do filme. Durante toda a trama , mesmo quando já temos certeza dos horrores que cercam a doce e ingênua protagonista , nada de concreto é ofertado ao público. Os mais céticos podem levar muito tempo para aceitar que a jovem Rosemary realmente está encurralada em uma conspiração satânica. Ironicamente , a intenção de Polanski era fazer o espectador acreditar que Rosemary sofria de alucinações e imaginava coisas , por ser o diretor ateu, portanto descrente das figuras de Deus e do diabo. Porém, felizmente , seu intento falhou e acabou produzindo uma das obras mais aterrorizantes e dramáticas sobre o lado oculto do mundo. Creio que Polanski tentou refazer "O bebê de Rosemary" 8 anos mais tarde , por meio do filme "O inquilino" , uma obra bastante interessante sobre o duplo e a loucura. Apesar de extremamente assustador, "O bebê de Rosemary" é também um filme muito dramático. Creio que os grandes filmes de terror sejam dramáticos em suas raízes; o terror deriva de uma situação muito triste , que conduz a consequências igualmente sofridas. Basta relembrarmos "O iluminado", "Carrie, a estranha" e "O exorcista" , que foi baseado em um romance verdadeiramente dramático sobre a perda da fé , sobre a culpa e sobre os inocentes expiando os pecados do mundo. O final de "O bebê de Rosemary" nos deixa profundamente tristes e melancólicos porque a personagem chega a uma situação insolúvel. O mais interessante da obra é verificar que sem uma cena violenta ou visualmente assustadora , com rostos desfigurados ou personagens que olham para a câmera com um sorriso macabro ou olhos vermelhos, Polanski fez um cult do terror, que é todo costurado por uma série de coincidências estranhas , pessoas gentis demais e uma gravidez fora dos padrões sem motivo aparente. Merece destaque a cena em que vemos marcas na parede , na casa dos vizinhos de Rosemary , indicando que eles trocaram os quadros que ali estavam por obras mais convencionais. As marcas passam quase despercebidas, o que confere um elemento semi oculto. Como dizia Hitchcock ,pior que uma bomba explodindo é a expectativa de que ela vai explodir. Aquelas marcas são um aviso sutil de que o casal esconde algo e esta sensação é terrível. O grande armário que esconde uma porta , que dá acesso a outro apartamento também é um elemento perturbador , embora aparentemente não tão importante em um primeiro momento. A cenografia é um item muito relevante neste filme porque o prédio antigo e charmoso, com uma aura de extrema respeitabilidade nos mostra que o pior , muitas vezes , está onde menos esperamos. Outra cena que merece destaque é a que Rosemary fica semi consciente e presencia algo , que ela imagina ter sonhado depois. Os limites entre sonho e realidade e o questionamento da verdade , mesmo que por um breve instante , fornecem a qualquer filme um ingrediente muito valioso: o mistério. Para os apreciadores do gênero, vale a pena conferir !
Adriano Silva
Adriano Silva

1.614 seguidores 480 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 5 de julho de 2022
O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby)

Lançado em 1968, "O Bebê de Rosemary" foi escrito e dirigido por Roman Polanski, com roteiro baseado no romance homônimo de Ira Levin, publicado em 1967. O filme segue um jovem casal, Rosemary (Mia Farrow) e Guy Woodhouse (John Cassavetes), que se muda para um prédio habitado por pessoas estranhas, onde coisas bizarras acontecem. Quando ela engravida, passa a ter estranhas alucinações e vê o seu marido se envolver com os vizinhos, uma macabra seita de bruxas que quer que ela dê a luz ao Filho das Trevas.

"O Bebê de Rosemary" é um clássico dos filmes de terror da década de 1960, sendo considerado como um dos precursores do gênero do terror psicológico. Um grande pioneiro do drama misterioso, um thriller psicológico que trata de temas relacionados à paranoia, libertação feminina, cristianismo (catolicismo) e ocultismo. O longa é peculiar, tenebroso, intrigante, utópico, niilista, nos imergi em uma trama centrada no imaginário, no delírio, no misterioso, com uma forma assombrosa, horripilante, assustadora, porém com elegância, onde possui um charme trashístico onde estranhamente soa como uma obra romântica, com um casal romântico e totalmente feliz.

"O Bebê de Rosemary" é aquela obra fora do trivialismo, que foge de estereótipos, que quebra barreiras e paradigmas em relação ao gênero terror tão banalizado no cinema atualmente. Uma obra inteligente, misteriosa, meticulosa, muito acima de um simples filme de suspense e terror, pois estamos diante de um clássico que traz uma sutileza extrema em sua linguagem de terror psicológico, que nos proporciona uma espécie de poema cinematográfico tenebroso, soando como um terror cult, se colocando completamente em um patamar artístico.

De fato o roteiro de "O Bebê de Rosemary" é assustadoramente bem feito, bem adaptado, bem transplantado para a tela, onde tudo funciona com precisão e coesão. Temos um início normal, em sua primeira hora o ritmo do filme é mais lento, pois necessariamente é preciso toda uma preparação para aos poucos o clima sombrio e soturno irem se instalando na trama - esta é a cereja do bolo.
Realmente o que mais me impressionou no roteiro é toda construção da trama que gira em torno do casal e dos vizinhos, e muito por ser uma trama com uma abordagem psicológica, que necessariamente nos instiga a pensar e levantar hipóteses em vários quesitos. Pois aqui temos uma releitura oculta e intrigante de todos os acontecimentos, onde a obra consegue ser assustadora e tenebrosa mas sem apelar para os clichês do "jumpscare", pois de fato o gênero terror não é só morte e sangue, ou aparições constantes de figuras demoníacas para forçar o medo e o susto gratuito. Aqui o longa segue por outro caminho, onde o pesadelo mais cruel não é falado e nem visto, ficando apenas no imaginário do espectador, onde cada um de nós construiremos as nossas próprias interpretações perturbadoras, pois de fato "O Bebê de Rosemary" é aquela típica obra que entrega praticamente tudo mas sem nos mostrar praticamente nada - é completamente genial!

O mestre Roman Polanski é um diretor visionário e meticuloso, que usou com muita inteligência e sabedoria a sua jovem estrela (Mia Farrow) e enfrentou todas as suas dificuldades com o seu elenco, mesmo que sua equipe tenha sofrido uma certa maldição por sua participação nessa aventura macabra e satânica. Pois tem várias curiosidades e relatos que rodaram à época de filmagens da obra...como atrasos não divulgados nas produções, maldições no set, os sketches sombrios de Polanski. Para fazer as cenas de rituais e cânticos satânicos (o final do filme) serem o mais realista possí­vel, Polanski contou com o auxí­lio de Anton LaVey, fundador da Igreja de Satã e autor de "The Satanic Bible", que serviu como consultor nestas cenas. Grande parte das filmagens foram feitas no prédio Dakota, no Upper West Side de Nova York, que hoje é mais associado ao local do assassinato de John Lennon. Realmente Roman Polanski estava inspiradíssimo quando trabalhou e se entregou de corpo e alma para esta obra.

O longa de Polanski ainda conta com uma direção de fotografia totalmente impecável. Uma trilha sonora pertinente, tensa, com composições bem sombrias que reiterava a extrema qualidade das cenas, principalmente as cenas dos rituais. Uma direção artística muito competente. Uma cenografia prazerosa. Uma montagem e uma edição muito bem feita. O filme de Roman Polanski é uma obra-prima em roteiro, enredo, qualidades técnicas, em tudo, tudo que foi trazido para o filme foi feito com extrema competência.

Por falar em competência, o elenco de Polanski é mais uma obra-prima.
A jovem e bela Mia Farrow (na época com apenas 23 anos) praticamente estreava nos cinemas ao interpretar a Rosemary Woodhouse. Mia fez um trabalho absurdo, com uma qualidade altíssima em sua atuação, pois sua personagem era a típica jovem recém-casada e mãe de primeira viagem, que vivia em prol do marido e sempre nos passava aquela imagem submissa. Sem falar que a personagem da Rosemary ainda serviu como uma crítica as mulheres manipuláveis, submissas, opressivas, vulneráveis, pois a personagem ainda sofreu abusos sexuais e traumas psicológicos do mais alto padrão. Fico imaginando como deve ter sido difícil para a Mia trabalhar nesse projeto ainda com pouca experiência, pois foi justamente durante as filmagens que ela se divorciou de seu marido, o cantor Frank Sinatra. Imagino que ela deve ter sofrido traumas perturbadores, pois existem relatos verídicos que afirmam isso.

John Cassavetes era o marido de Rosemary, Guy Woodhouse. Um ator muito ambicioso porém malsucedido, que nunca conseguia um papel de destaque em sua carreira que o elevasse em outro patamar dentro da indústria, decidindo até a fazer um pacto com o Diabo para fazer sua carreira de fato decolar. John foi perfeito em sua atuação, conseguiu ser aquele marido nojento, asqueroso, manipulador, conseguiu me fazer pegar ranço do seu personagem ao final - trabalho majestoso!
A grande atriz Ruth Gordon fez a feiticeira Minnie Castevet, responsável por cuidar de Rosemary quando ela está grávida do filho do Diabo. Ruth foi perfeita em sua interpretação da vizinha bisbilhoteira e intrometida, que queria fazer parte da vida da Rosemary de qualquer jeito. Um trabalho completamente impecável de Ruth Gordon que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e o Globo de Ouro na mesma categoria. Uma enorme conquista para uma atuação em um filme do gênero terror, coisa que jamais aconteceria hoje em dia, pois hoje a academia tem preconceito com interpretações tiradas desse gênero...posso destacar as atuações monumentais de Toni Collette por "Hereditário" e da Lupita Nyong'o por "Nós" que não me deixam mentir.
Ainda tivemos a participação de Sidney Blackmer como Roman Castevet, o marido da Minnie, que também faz parte de todo culto satanista. Outro grande trabalho com uma grande atuação.
E não menos importante a belíssima atriz Sharon Tate, que faz uma pequena participação durante a festa no apartamento da Rosemary. Um fato muito curioso entre a Sharon Tate, o Roman Polanski e o filme: Polanski foi casado com a Sharon entre 1968 a 1969. O filme foi lançado mundialmente em 12 de Junho de 1968 e a Sharon foi brutalmente assassinada por Charles Manson em 9 de Agosto de 1969 aos 26 anos e grávida de 8 meses, o que viria a ser o primeiro filho do casal. Então imagina como deve ter sido para o Roman Polanski esta fase da sua vida, ao trabalhar nessa obra icônica e após um ano perder a sua esposa jovem e grávida, e da forma que foi - Jesus Cristo!

"O Bebê de Rosemary" foi indicado em quatro categorias no Globo de Ouro, duas categorias no Oscar e uma no BAFTA. Ruth Gordon ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e a Mia Farrow obteve uma indicação de Melhor Atriz no Globo de Ouro e no BAFTA.

O longa ainda teve uma sequência televisiva em 1976 (oito anos após o lançamento do filme) intitulada de "Veja o que Aconteceu ao Bebê de Rosemary", também com Ruth Gordon e Ray Milland. Em janeiro de 2014, a NBC fez uma minissérie de quatro horas com Zoe Saldana como Rosemary. A minissérie foi filmada em Paris com a direção feita por Agnieszka Holland.

"O Bebê de Rosemary" é considerado como uma espécie de madrinha de todos os filmes de terror com temática satânica que se seguiram, desde o horripilante "O Exorcista" (1973) ao tenebroso "A Profecia" (1976), sendo seguido décadas após décadas até os dias atuais. Uma obra completamente atemporal e totalmente influente.

O longa de Polanski ganhou aclamação quase que universal dos críticos de cinema, sendo uma obra muito cultuada e respeitada até hoje. É amplamente considerado como um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Em 2014, a obra foi selecionada para preservação no 'Registro Nacional de Cinema' dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso, sendo considerado "culturalmente e "historicamente" significativo para a sétima arte.

O filme ainda tem o poder de nos surpreender com um final completamente apoteótico e totalmente avassalador: quando Rosemary é pega de surpresa com o absurdo da situação, ao adentrar em sua sala com entoações de louvores satânicos e ao se deparar com um ser grotesco em que só ela pode vê, e o pior, todos ao seu redor se comportarem como se tudo transcorresse dentro da normalidade, quase como uma caricatura bizarra de realidade - Impressionante! Eu fiquei completamente embasbacado e boquiaberto com esta cena final.

Temos aqui o suprassumo da sétima arte. A quinta-essência do gênero terror. A verdadeira obra-prima do suspense. A magnitude da obra de arte do thriller psicológico. A verdadeira pérola cinematográfica de Roman Polanski.

Uma coincidência assustadora: Também nasci no mesmo dia que O Bebê de Rosemary - 28 de Junho. [03/07/2022]
Elvira A.
Elvira A.

937 seguidores 266 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 21 de setembro de 2013
Um dos filmes mais aterrorizantes a que assisti. Roman Polanski mantém um clima permanente de mistério ao mostrar as dúvidas de Rosemary: estaria ela sonhando ou o pesadelo era mesmo real? Mia Farrow, John Cassavetes e Ruth Gordon, excelentes. A cena final é surpreendente.
Cleibsom Carlos
Cleibsom Carlos

18 seguidores 224 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 25 de setembro de 2023
O BEBÊ DE ROSEMARY comprova que quanto menos mirabolante e mais comum a história, mais assustadora ela se torna se estiver em mãos de profissionais competentes. Um marido em crise profissional que não quer ser pai e que de repente engravida a esposa; uma carreira de ator fracassada que de uma hora para outra parece entrar em progresso;, um casal de velhinhos intrometido e exageradamente atencioso como vizinho que se preocupa mais com a gravidez da esposa do que o próprio marido e futuro pai; uma gestação com dores incomuns e um pré-natal heterodoxo com o melhor, mais famoso e mais caro obstetra do pedaço...Será que estamos diante de fatos ou de delírios de uma mulher entediada e estressada com a falta de futuro de seu casamento? Quem diria que por trás de tanta banalidade se esconde o maior filme de terror de todos os tempos!!!??????
Matheus S.
Matheus S.

30 seguidores 62 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 4 de dezembro de 2012
Assim como outro clássico de terror, O Exorcista, O Bebê de Rosemary é um filme de terror que não economiza em polêmicas. Ele trata de temas completamente demoníacos, que sempre irão polemizar, mas é isso que faz desse filme um dos melhores e mais assustadores filmes de terror já produzidos.
Seu roteiro é simples, mas igualmente aterrorizante. Há cenas em que o medo exala de uma forma sem igual spoiler: (como a cena em que Rosemary concebe o filho do demônio, cena essa que tem um estilo de sonho, nos deixando em dúvida se aquilo realmente aconteceu ou foi apenas fruto de seus pensamentos)
. Em algumas partes o filme pode parecer parado demais, mas essa foi mais uma das táticas do Roman para aterrorizar o espectador, deixando os por vezes entediados, mas fazendo-os tremer de medo em cenas impressionantes. A parte final do filme spoiler: , em que Rosemary veste seu clássico roupão azul e sai a procura de seu filho, dito como morto,
é de deixar qualquer valentão com medo. Mas não é em imagens que o filme amedronta, mas sim com diálogos pesados e com alguns medos do nosso subconsciente, como a confiança que devemos ter com as pessoas mais próximas.
Mas esse filme não é apenas uma ótima maneira de entretenimento, ele é uma verdadeira obra de arte. A direção de Roman Polanski é orquestral, fazendo com que o medo seja passado para nós em cenas simples (mas macabras); o roteiro é muito bem estruturado; as atuações estão impecáveis (Mia Farrow é completamente convincente como a mãe do filho de satã); a fotografia também é excepcional, captando perfeitamente cenas em ambientes fechados. Resumindo tudo: O Bebê de Rosemary é um ótimo filme, que merece ser assistido por todos, até mesmo por aqueles que têm certo medo de filmes de terror, mesmo que essas pessoas tenham que fechar os olhos e os ouvidos nas cenas mais eletrizantes e aterrorizantes do filme.
Leon K.
Leon K.

112 seguidores 117 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 26 de novembro de 2012
Roman Polanski é o cara um terror/suspense como poucos conseguem realizar com proessa.Enfim fiquei preso ao filme do inicio ao fim as,vezes com raiva da lenta Rosemary outras com pena dela e o final que final fantastico,para um bom amante desse genêro é obrigação assistir nota 10! ta no meu top 10.
Thiago Ferreti
Thiago Ferreti

10 seguidores 276 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 12 de setembro de 2024
Uma obra prima do terror. Um filme perturbador e sutil de Roman Polanski. Um dos pioneiros do terror psicológico o filme estimula a imaginação. Atuações brilhantes de Mia Farrow como Rosemary e Jonh Cassavetes como seu marido. A trilha sonora é impecável e combina com o filme.
Moabe Charlor
Moabe Charlor

8 seguidores 10 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de novembro de 2015
Fiquei impressionado com a qualidade deste filme. Ainda estou curioso com o ritmo que este filme leva. Particularmente, eu somente vim a descobrir, com 100% de certeza, que a Rosemary e seu bebê spoiler: foram algo de uma seita
. Este filme é perfeito, é só o que eu posso dizer.
Jefferson P.
Jefferson P.

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5,0
Enviada em 5 de fevereiro de 2016
Este post visa analisar O Bebê De Rosemary em sua maior essência, o relacionamento abusivo. Confira (com Spoilers):
Mike Martin
Mike Martin

1 seguidor 1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de setembro de 2024
O Bebê de Rosemary é amplamente considerado um dos maiores filmes de terror já feitos. Lançado em 1968, em um período de fortes valores conservadores e religiosos, o filme rompeu barreiras ao explorar temas como satanismo, paranoia e a subversão da maternidade. Roman Polanski, adaptando o romance de Ira Levin, trouxe à tela uma história que confronta diretamente as convenções da época, discutindo o medo do desconhecido e a perda de controle sobre o próprio corpo, especialmente para as mulheres.

A produção também é cercada por uma atmosfera sombria. O edifício Dakota, em Nova York, onde parte do filme foi filmada, já tinha sua própria reputação misteriosa e mais tarde seria o local do assassinato de John Lennon. Além disso, o brutal assassinato de Sharon Tate, esposa de Polanski (grávida de oito meses) em 1969 pela seita de Charles Manson, gerou um impacto que intensificou a sensação de que uma espécie de maldição envolvia o filme. A conexão entre ficção e realidade tornou O Bebê de Rosemary ainda mais perturbador e emblemático.

Na construção narrativa, o filme se destaca por seu terror psicológico, em vez de sustos fáceis ou cenas explícitas. Polanski mantém o espectador em constante tensão, explorando a deterioração mental de Rosemary à medida que ela se torna cada vez mais isolada e paranoica, convencida de que há uma conspiração em torno de sua gravidez. A interpretação de Mia Farrow é essencial para a eficácia do filme. Sua vulnerabilidade e transformação são centrais para a trama, e o público é levado a questionar constantemente a realidade dos eventos.

A ambiguidade é um dos principais pontos fortes do filme. Polanski nunca entrega uma resposta definitiva, deixando em aberto se tudo o que acontece é fruto da imaginação de Rosemary ou se, de fato, ela está envolvida em uma conspiração satânica. Essa incerteza amplifica a tensão e faz com que o público se sinta tão impotente quanto a protagonista. O uso sutil de som e imagens, spoiler: incluindo a icônica cena final do berço
, onde o terror é mais sugerido do que mostrado, é um exemplo perfeito de como o filme manipula a percepção do espectador.

Até hoje, o filme provoca debates e continua sendo relevante por tocar em temas que ainda ressoam. É um clássico que vai além dos sustos, oferecendo uma experiência psicológica intensa e perturbadora, que desafia o público a questionar a realidade e os limites do horror. O impacto cultural e cinematográfico do filme segue vivo, fazendo dele um marco do cinema e uma obra indispensável para quem aprecia o gênero.
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