Goodfellas é um abrir de portas para o mundo da máfia, um convite para que nos deixemos envolver por suas particularidades. O personagem de Liotta faz, dramaturgicamente, o que Scorsese busca no sentido formal do filme. Sua narração, acompanhada dos longos travellings, desenvolvem um estilo que recebe amplificações em momentos pontuais da narrativa, como na cena em que os personagens literamente se apresentam para a câmera com bordões característicos.
De modo ainda mais marcante, essa interpelação à câmera é retomada na sequência final, concretizando um fechamento formal para a trama. Scorsese ainda insere um plano de Pesci atirando em direção à câmera, sua referência ao Grande Roubo do Trem, como que desafiando o público que busca, frustradamente, alguma crítica moral mais clara dentro da narrativa.
Toda a mise-en-scène do filme consegue sustentar o ritmo de modo muito eficaz por conta dessa liberdade dada pela fluidez da narração. Os movimentos de câmera se aproximam ou distanciam dos personagens para enfatizar suas importâncias em determinadas cenas. Muito do que é narrado em off recebe sua devida concretização através desses movimentos, mas também há um uso muito interessante do silêncio narrativo, se aproveitando dos enquadramentos para articular a sugestão de algo que sucederá.
Os movimentos de câmera também funcionam ao dar atenção particular à bizarrices deste universo gângster. Algumas cenas-chave desse tom são a já citada apresentação dos mafiosos no bar, a do casamento entre Liotta e Bracco e a do encontro de esposas. Nota-se como, em duas das cenas citadas, a narração é feita pela personagem de Bracco, representando uma variação à costumeira voz em off de Liotta. Este recurso, aliada aos travellings e uma montagem que busca entrecortar pequenas ações, ou ampliar a repetição de padrões (as infinitas saudações no casamento, as conversas intermináveis das esposas), desenvolve muito bem a natureza sui generis daquele mundo fechado de famílias da máfia.
E é precisamente por desenvolver tão bem o universo narrativo que o filme sucede ao renegar completamente qualquer julgamento moral que possa vir da progressiva decadência de seus personagens. O fracasso, nesse mundo fechado e dotado de regras próprias, é tratado como resultado dos problemas causados pelos relacionamentos dentro do grupo, ou pela falta de controle das consequências de rompantes violentos.
Qualquer ideia de derrota não se dá por algum remorso das ações destes homens, e sim pela impossibilidade de amplificação de seus status dentro do meio mafioso. Nesse sentido, a escolha de montagem, iniciando o filme com a cena do assassinato de Batts, um ponto crucial para o início da decadência do trio Liotta/Pesci/De Niro, dá o tom de um filme que se preocupa muito mais em narrar, com apreço ao grotesco, a ascensão e queda de homens sedentos por status e violência.
Existe uma noção progressiva no filme de que os protagonistas são pequenos em comparação com a estrutura de máfia na qual residem. Mesmo assim, Scorsese não cai na armadilha de ampliar tudo aquilo de modo descompromissado. O filme vive da luta destes homens por algo que concretamente possui significação no dinheiro e nas posses, mas que nunca consegue sucesso na busca do poder impalpável. É então através de risadas forçadas que mais parecem gritos, da necessidade de canalizar a violência em qualquer pequeno episódio, com toda interação parecendo motivo de altercação, que esse homem médio da máfia busca demarcar sua importância.
Os Bons Companheiros é uma obra-prima absoluta de Scorsese, mostrando sem filtros o poder, a disciplina e a hierarquia do submundo mafioso, valores que, apesar de distorcidos no crime, refletem respeito, lealdade e força, pilares que hoje quase não se veem numa sociedade relativizada. Ray Liotta entrega um Henry Hill intenso, revelando como a ambição pode tanto erguer quanto destruir. Joe Pesci rouba a cena como Tommy, imprevisível e explosivo, lembrando que autoridade sem autocontrole leva ao caos. E Robert De Niro, com sua frieza calculista, simboliza o líder respeitado e temido. Um clássico atemporal, que mostra como ordem e poder moldam destinos. Nota máxima.
Caramba... Que filme lendário, Sr. Scorsese. O filme definitivo dos anos 90. É tão incrível como a parte do "trabalhador" da Máfia é retratada, "As far i can remember i always wanted to be gangster." uma história de crime onde cada um tem seu arco, suas falhas, suas ambições, seus medos, seu início, meio e fim. Tudo foi feito nos mínimos detalhes: Os chefes, os roubos, as roupas, as armas, a ambientação a fotografia, aquele final... Extremamente bem dirigido e habilmente escrito, com atuações memoráveis: "Funny How?" Para mais um filme de gangster com o Robert de Niro, poderia se esperar que o enredo seria enfadonho e previsível, o que não aconteceu. O filme consegue prender a atenção do espectador do início ao fim, nunca fica monótono ou repetitivo. Você liga para os personagens, sempre que em filmes de gangsters, os personagens masculinos sempre chamam mais atenção, mas em GoodFellas, a Karen se sobressai facilimente, ela sai dos clichês e se torna a personagem mais interessante do filme. A narração, possivelmente a melhor narração da história do cinema. Scorsese mostrou que é capaz é fez uma obra prima, que faz tudo que se propõe com maestria. Forte candidato ao posto "melhor filme de todos os tempos" e pau a pau com O Poderoso Chefão 1 e 2, os melhores filmes de máfia de todos os tempos.
Um dos melhores filmes sobre crime organizado, o mais impressionante é que se baseia em fatos reais. O filme mostra detalhes por trás da máfia, do tráfico de drogas, etc.
Um grande filame de Mafia, a atuação de De Niro como sempre é fantática com toda certeza esta incluido entre os grandes filmes de mafia ja produzido, um belo enredo com grandes cenas e a sempre excelente e talentosa direção de M. escorsese.
Um dos filmes mais bem feitos do cinema,a parceria scorsese,De niro,pesci sempre dando certo,um filme que quem viu nao esquece,injustiçado pelo oscar de melhor filme na minha opiniao,um dos melhores filmes sobre mafia junto aos classicos O PODEROSO CHEFAO.
nem preciso falar muito desse filme, meu favorito, um clássico da máfia com a dupla Roberto Deniro e Joe Pesci no auge em seu melhor personagem um sádico e cruel mafioso e Ray Liiota como protagonista.
Caso você continue navegando no AdoroCinema, você aceita o uso de cookies. Este site usa cookies para assegurar a performance de nossos serviços.
Leia nossa política de privacidade