Homem-Aranha 3, do Sam Raimi, é aquele filme que carrega um peso enorme por ser o fechamento da trilogia clássica do herói com o Tobey Maguire — e mesmo com algumas falhas, ele entrega momentos épicos que marcaram uma geração.
O filme tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo: Peter lidando com a fama, a relação complicada com Mary Jane, o retorno de Harry Osborn como o novo Duende Verde, a chegada do simbionte (que vira o uniforme preto), a transformação do Eddie Brock no Venom, e ainda o Homem-Areia, que ganha uma história até bem sensível. É um combo que, por um lado, torna o filme intenso e cheio de reviravoltas, mas por outro, deixa tudo um pouco apertado demais.
O maior destaque vai para o Peter sombrio com o traje preto. Mesmo com a famosa (e estranha) dancinha do "Peter Emo", essa fase mostra um lado mais sombrio e arrogante do personagem que é interessante de ver. Ele perde o controle, se afasta das pessoas e mostra o quanto o poder pode mexer com a cabeça de alguém, mesmo de um herói.
O conflito com o Harry tem um dos arcos mais emocionantes do filme. A reconciliação deles perto do final, com Harry se sacrificando, é um dos pontos mais fortes da trilogia inteira. E a luta final contra o Venom e o Homem-Areia é bem coreografada, cheia de emoção e com aquele drama que só a trilogia do Raimi soube fazer: exagerado às vezes, mas com coração.
O problema é que o filme tenta contar histórias demais ao mesmo tempo. O Venom, por exemplo, é um vilão que merecia um desenvolvimento melhor, mas acaba parecendo apressado. Faltou tempo pra construir a rivalidade entre Peter e Eddie de forma mais profunda. E o Peter com o cabelo lambido e atitude de bad boy acaba virando meme (e com razão), o que tira um pouco do impacto da fase sombria dele.
Ainda assim, o filme tem uma pegada emocional muito forte. A cena final com Peter e MJ dançando em silêncio, depois de tudo o que passaram, é simples mas carregada de significado. E a forma como o Homem-Areia é tratado — como alguém trágico, e não só um vilão — é um detalhe bonito.
No geral, Homem-Aranha 3 pode não ser perfeito, mas tem muita alma, cenas marcantes, e um peso emocional que faz ele valer muito a pena. É um fechamento digno de uma trilogia que até hoje tem fãs fiéis. Por isso, a nota 4,5 de 5 faz total sentido: não é impecável, mas é grandioso, emocionante e inesquecível do seu jeito.