Espanta Tubarões é aquele tipo de animação que até tenta ser divertida e estilosa, mas no fim das contas fica meio perdida no que quer ser. O visual é até criativo — a ideia de um mundo submarino que imita a sociedade humana, com peixes que andam por ruas de coral e tubarões mafiosos no estilo “O Poderoso Chefão”, é original. Só que a execução não acompanha tanto essa criatividade.
O protagonista, Oscar, é um peixe ambicioso que mente pra todo mundo pra tentar subir na vida. Ele é meio chato, pra ser sincero. E isso pesa, porque a gente passa boa parte do filme torcendo mais pra ele parar de falar do que pra ele dar certo. O Lenny, o tubarão vegetariano, é até mais carismático e traz um humor legal, mas nem ele salva completamente.
A história gira em torno de uma mentira que vai ficando cada vez mais fora de controle — o famoso “quero ser famoso a qualquer custo” — e mesmo com alguns momentos engraçadinhos, o enredo é meio previsível e não se aprofunda em nada. As lições de moral que o filme tenta passar sobre ser verdadeiro, aceitar quem você é e valorizar os amigos ficam meio jogadas, meio forçadas.
Os personagens são genéricos e muitos deles parecem estar ali só pra preencher tempo. O ritmo do filme também é meio irregular: tem partes que parecem arrastadas, outras que correm demais. E apesar da trilha sonora tentar dar uma vibe “cool”, com Will Smith dublando o Oscar na versão original, a energia do filme não acompanha.
Não dá pra dizer que Espanta Tubarões é horrível, mas também está longe de ser memorável. Funciona como passatempo, principalmente pra crianças mais novas, mas não é aquele tipo de animação que deixa saudade ou que a gente tem vontade de rever. Tem um visual chamativo, algumas piadas que funcionam, mas no geral é um filme bem mediano, com potencial desperdiçado.
No fim das contas, é um 2,5 de 5 bem justo: não chega a irritar, mas também não empolga. Dá pra ver uma vez e seguir a vida tranquilo.