Império do sol é um filme de drama/guerra que contou com a direção de Steven Spielberg e roteiro de Tom Stoppard e Menno Meyjes. O filme recebeu 6 indicações ao Oscar de 1988: melhor som, melhor fotografia, melhor direção de arte, melhor figurino, melhor trilha sonora original e melhor edição. O filme é ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, onde a China é controlada pelo Império japoneses. Logo, acompanhamos Jim (Christian Bale) uma criança inglesa rica de 11 anos que mora com sua família em Xangai. Diante de uma invasão dos japoneses, Jim se perde da família e é capturado pelos japoneses. Logo, Jim e várias outros prisioneiros nao-chineses passam a viver num campo de concentração. É fato que Spielberg sabe fazer filmes de guerra, no caso desse, o cineasta conseguiu novos elementos: tirar o foco eurocentrico e norte-americano e contar a realidade chinesa ( ainda que do ponto de vista de uma criança inglesa). O primeiro longo ato é a melhor parte do filme, pois temos o contexto da Guerra e a construção muito eficiente de Jim, uma criança rica, no conforto de sua mansão, junto com a sua família (embora sempre preocupada) e com sonho de ser um piloto. Tal sonho vai se tornando interessante, pois o garoto sabe de tudo sobre aeronaves. Além de ser um bom gancho já que a guerra contou com bombardeios constante aéreo. A escolha da guerra sob a ótica de Jim é boa, pois tira o peso dela e transfere para a inocência de uma criança, vemos isso com perguntas bobas e a infantilizacao proposital de algumas questões ( como da bomba atômica em que Jim pensou que fosse Deus tirando foto). Temos uma parte técnica que nao decepciona: fotografia e trilha sonora impecável. Porém, o grande problema do filme está em seu roteiro. O segundo ato e o terceiro sao decepcionantes. A partir do momento em que o garoto se perde dos pais, passamos a ver uma transformação diante do horror da guerra ( ate ai ok), mas a chegada no campo de concentração é a parte mais lenta e chata do filme. Entendendo que os defensores vao dizer que a lentidão é proposital para que possamos desejar o fim daquilo, e até poderia ser um otimo argumento, mas nada ( quase nada) acontece ali. Temos uma narrativa totalmente fragmentada que nao desenvolve nem novos personagens e nem novas tramas. Temos um foco exclusivo no Jim, que vai se tornado chato e cansativo: um garoto que nao para de falar, que vai pra lá e pra cá. Além disso, percebi uma certa passividade e suavidade do roteiro. Cara, cadê a violência no campo de concentração? Claro que teve cenas em que os soldados japoneses foram cruéis (questão da fome e da agressividade )mas pareceu pouco, mal trabalhado, nao teve aquele impacto. Muito por conta da falta de desenvolvimento dos personagens. Ainda teve Basie (John Malkovich), o personagem que ficou mais ligado a Jim, mas ainda foi pouco. Parecia que a narrativa de Basie nao encaixava Jim e Spielberg ainda forçou um sentimentalismo barato. Problemas com relação a dualidade de Jim com os japoneses me pareceu mal explorada, pois o garoto enxergava os japoneses como heróis pq dirigiam la os avioes ?O esfecho com a bomba atômica sendo o ponto final da Guerra foi interessante pela inocência de Jim e por um lamentar daqueles que morreram e chegaram tao perto. Mas outra questão foi a frieza retratada no reencontro de Jim e dos seus pais ( pra ser sincero algo até já esperado). Christian Bale, mesmo sendo um garoto, está na altura do seu personagem. Incorporou bem a transformação vivida. No mais, o filme é para muitos um clássico de Guerra , mas para mim tem suas falhas gigantescas e sinceramente, esperava bem mais.