## Justiça Artificial (2026)
Duração: 1h58min
Protagonistas: Chris Pratt como Daniel Hayes | Rebecca Ferguson como a interface física da IA judicial
Gêneros: thriller tecnológico, drama judicial, ficção científica
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Confesso: a expectativa era baixa. Mas *Justiça Artificial* surpreende — e muito. É um filme que aposta na inteligência do espectador. Não depende de explosões, não vive de efeitos exagerados. Ele vive de ideia. E quando um filme tem ideia forte, ele cresce.
A premissa é provocadora: uma Inteligência Artificial, representada fisicamente pela figura de Rebecca Ferguson, julga e condena acusados em apenas 1 minuto e 30 segundos. Durante esse tempo, tanto júri quanto réu têm acesso irrestrito a dados — históricos, mensagens, câmeras, registros, absolutamente tudo. Um sistema que lembra ecos de *Minority Report*, a vigilância extrema de *Eagle Eye*, o controle digital de *Live Free or Die Hard* e até o tribunal implacável de *Dredd*. Mas aqui, diferente dessas obras, o sistema já está implementado — e funcionando.
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## 易 Enredo
Daniel Hayes (Chris Pratt) é acusado do assassinato da própria esposa. O casamento estava em crise. Havia traição. Motivos não faltam. As provas digitais apontam para ele. Até sua filha começa a duvidar. Tudo parece convergir para a culpa.
Ele tem 90 minutos para provar sua inocência. Caso contrário, será executado na própria cadeira onde está sentado. A tensão é matemática. É tempo contra algoritmo.
O grande mérito do roteiro é transformar o tribunal em campo de batalha psicológico. 90% do filme se passa na sala de julgamento — e mesmo assim, o ritmo não cai. Cada pergunta é estratégica. Cada detalhe revelado muda o peso da narrativa.
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## Estória e Condução
O filme não fala apenas sobre tecnologia. Ele fala sobre percepção, manipulação de dados e como a verdade pode ser moldada por quem controla a informação. A condução narrativa é precisa, quase cirúrgica. O espectador é levado a acreditar nas evidências — até começar a questioná-las.
O arco mais interessante é o da própria IA. Inicialmente fria, lógica, absoluta. Mas, conforme o julgamento avança, pequenos sinais de “humanização” surgem. Não é exagerado, é sutil — e por isso funciona.
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## Produção
A decisão de concentrar a maior parte da ação em um único ambiente poderia ser arriscada. Mas a direção utiliza câmeras dinâmicas, especialmente as dos coletes policiais e sistemas de vigilância, criando múltiplas perspectivas. A sensação é de estar sendo observado o tempo todo.
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## ️ Fotografia
Tons frios, iluminação controlada, enquadramentos fechados. A estética reforça a claustrofobia do julgamento. Não há fuga. Nem para o réu, nem para o espectador.
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## Efeitos Especiais
Minimalistas, porém eficientes. Interfaces digitais, projeções de dados e integração visual da IA são limpas e convincentes. Nada carnavalesco — tudo funcional.
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## Atuações
Chris Pratt entrega talvez uma de suas performances mais contidas e maduras. Longe do herói carismático tradicional, aqui ele trabalha desespero, inteligência e vulnerabilidade. Seu personagem cresce à medida que o tempo diminui.
Rebecca Ferguson impressiona ao interpretar uma presença quase divina — serena, analítica e progressivamente inquietante. Sua atuação sustenta o peso filosófico da obra.
O elenco de apoio contribui para a tensão coletiva, principalmente nas reações às revelações finais.
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## O Final
O desfecho surpreende sem ser forçado. Quando a verdadeira responsável é revelada, o filme fecha o ciclo com coerência e impacto. Não é apenas um “plot twist” — é consequência.
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## ⭐ Vale a pena assistir?
Muito. Principalmente para quem aprecia thrillers inteligentes e dramas judiciais com tensão psicológica. É um filme que prende pela palavra, pela lógica e pela dúvida.
Não é sobre explosões. É sobre julgamento.
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## Avaliação Técnica (0 a 10)
Enredo: 9,5
Roteiro: 9
Atuações: 9
Produção: 8,5
Fotografia: 8,5
Efeitos: 8
Ritmo: 9
Impacto Final: 9
Nota final: **9 / 10**
Um thriller tecnológico que prova que, quando a ideia é forte, o cinema não precisa sair da sala para ser grandioso.