Deus Ainda é Brasileiro
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Edgar
Edgar

1 seguidor 20 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 16 de fevereiro de 2025
Se Deus é brasileiro, então, se analisarmos Deus nesse filme, estaríamos vendo o brasileiro?

Em primeiro lugar, gostei muito do filme. Adorei a fotografia e o enquadramento. O filme é provocador, mas não achei ofensivo. No filme, Deus é um cara com muito mau humor, mas não deixa os mocinhos se ferirem ou morrerem. No filme, Deus diz não fazer milagres, mas faz um monte deles. Deus (do filme) aparenta ser arrogante, mas, no fundo, é um cara legal, cheio de amor. Deus, no filme, gosta de ser amado e idolatrado, mas também ama a sua criação. Deus, no filme, tem desejos de homem, mas não peca.


No que se refere ao roteiro, também gostei. (Spoiler a seguir) É uma aventura pelo norte e nordeste em busca de um santo que é ateu. Aqui temos uma crítica ao cristianismo e uma ironia, pois o Brasil é um país muito cristão e, até então, não tinha feito um santo católico. Ao longo da jornada, vemos a vida comum das pessoas pobres do Nordeste, mas que mesmo assim têm seus encantos. Algumas cenas são marcantes, como a mãe que quer vender os filhos, os pobres em frente à igreja e a aridez no sertão nordestino, o personagem principal espalhando pregos na rua para ter clientes na borracharia, cenas próprias do Cinema Novo, que tem por objetivo mostrar o Brasil aos brasileiros.

O nome de um dos personagens principais é Mada (de Maria Madalena, prostituta da Bíblia). Aqui achei meio clichê e até uma cópia do filme italiano Malena, que corresponde à Madalena. Uma das cenas que mais me marcou foi quando a Mada recebeu um beijo de Deus na bochecha. Ela é uma moça linda, mas muito solitária, que sofre com a morte da mãe. Antes desse beijo, Deus está como uma Xuxa, com roupas rosas e dando autógrafos. Então, Deus dá um beijo na bochecha e, como em um conto de fadas, ela tem uma transformação. Até a fisionomia facial dela lembra algo teatral, como se estivesse no show da XUXA vivendo um sonho de princesa, o que nos leva a pensar que o beijo de Deus a curou, embora nem todos os problemas dela tenha se acabado.

O final do filme é muito bonito, com os dois personagens principais em um barco, iluminados pelo luar. (Eu falei que Deus se mostrava arrogante, mas, no fundo, era legal.) Tudo isso sem ser piegas. O filme vai se acabando com a música de Heitor Villa-Lobos chamada Melodia Sentimental, uma música romântica muito bonita. Parece que nada acontece no filme, mas tudo acontece! No final, eu me perguntei: Deus realmente querida o que ele disse que querida ou foi só uma desculpa para ajudar os personagens principais?

Se Deus é brasileiro, então, se analisarmos Deus nesse filme, estaríamos vendo o brasileiro? Não! Não é isso! Deus é brasileiro no sentido de ele caminhar conosco!

Por outro lado, achei o humor meio vago. As piadas nem sempre funcionam bem. A atuação do Vagner Moura é padrão Vagner Moura, portanto nada a criticá-lo, mas ele foi prejudicado com algumas falas meio fracas. De todo modo, gostei muito do filme. O IMDB dele (6,0) é mais baixo do que o filme realmente merece. O brasileiro precisa ressignificar a ideia de filme, e isso pode acontecer quando se ganha novas referências, lendo, informando-se melhor acerca do que seja cinema como arte e não só como entretenimento. Sugiro também a leitura sobre o Cinema Novo.

ABC
Edgar, de Vitória-ES.
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