“Quando a faxina vira terapia de casal... mas ninguém avisou pro aspirador.”
Paul Feig pega o best-seller de Freida McFadden e transforma em um thriller erótico-doméstico que começa como um episódio esticado de “Desperate Housewives” e termina como se alguém tivesse apertado o botão “plot twist máximo” sem ler o manual. Sydney Sweeney é Millie, a empregada com passado sombrio (porque todo thriller precisa de uma protagonista que matou alguém “por motivo justo”), que chega na mansão imaculada de Nina (Amanda Seyfried, rainha do sarcasmo gelado) e Andrew (Brandon Sklenar, basicamente o marido genérico que todo mundo já sabe que é problema).
O primeiro ato é lento como aspirar tapete persa: olhares suspeitos, limpeza obsessiva, diálogos que parecem escritos por alguém que assistiu muita novela das 9. Sweeney faz o que sabe fazer bem — carisma físico, expressões de “eu sei mais do que estou dizendo” —, mas às vezes parece que ela está atuando em piloto automático, tipo “ok, expressão de mistério... agora de vulnerabilidade... agora de raiva contida”. Enquanto isso, Amanda Seyfried rouba cada cena em que aparece: ela é hilária, perigosa e a única que parece estar se divertindo de verdade no set.
A trama acelera na segunda metade, com segredos saindo do armário (literalmente), reviravoltas que você prevê metade e a outra metade te pega de surpresa (ou te faz revirar os olhos, dependendo do humor). Tem tensão sexual, tem abuso psicológico disfarçado de casamento perfeito, tem uma cena final que divide opiniões entre “genial” e “ok, mas e aí?”. O filme sabe que é pulp, over-the-top, e abraça isso — o que salva de ser chato. Mas também não vai além: é entretenimento de pipoca decente, daqueles que você assiste no cinema, ri de nervoso, come o balde inteiro e no carro de volta pensa “foi legal... mas não vou indicar pra ninguém que odeia clichês”.
Ponto alto: Seyfried devorando o papel como se fosse um brigadeiro de panela. Ponto baixo: o roteiro que às vezes esquece que suspense não precisa ser explicado em voz alta. Ponto neutro: Sydney Sweeney continua linda e carismática, mas ainda esperando aquele papel que a faça explodir de vez como atriz principal (talvez na sequência já anunciada?).
Recomendo pra quem gosta de thrillers leves, com pitadas de erotismo e final que dá vontade de discutir no bar. Não é obra-prima, não é lixo — é exatamente o que promete: uma faxina divertida na bagunça alheia.
Nota final: 3/5 — suficiente pra valer o ingresso, mas não o suficiente pra virar clássico de final de semana.