“Hamlet” é um dos filmes mais surpreendentes do ano para mim, pois eu não esperava muita coisa. Inspirado em um livro fictício, o filme narra — como o subtítulo em português já sugere — a vida antes de Hamlet, o clássico personagem de Shakespeare.
O ponto de vista aqui não é o de Shakespeare, mas sim o de sua esposa, mãe de seus três filhos, construída com uma personalidade tridimensional e um sentimentalismo brutal, trazidos graças à maravilhosa interpretação de Jessie Buckley.
O filme conta com três atos bem definidos: o primeiro é mais longo e explicativo; o segundo funciona como um respiro que se enche para desaguar no terceiro, que, apesar de curto, é muito bonito e traz escolhas narrativas bastante acertadas.
“Hamlet” é um filme sobre luto e amor puro, que, além disso, apresenta uma ótima trilha sonora, excelente ambientação e figurino, além de uma fotografia melancólica que brinca com o espectador em vários momentos. No geral, se revela uma grande surpresa e uma ótima obra.
Apesar de ter um ritmo lento, as interpretações estão num nível espetacular, inclusive de algumas crianças, mas o destaque vai mesmo Jessie Buckley, com um interpretação muito forte e muito emocionante, uma das maiores interpretações femininas que já assisti, junto com a Charlize Teron em Monster.
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