“Moana”, a adaptação em live-action dirigida por Thomas Kail, busca reproduzir a mágica da animação de 2016, mas acaba por algumas limitações. Embora a intenção de capturar a essência da obra anterior seja evidente, a dependência excessiva de telas verdes e computação gráfica resulta em um visual que, por vezes, se aproxima mais de uma animação digital do que de uma representação realista. Essa escolha estética prejudica a imersão, uma vez que a água e os cenários, em sua virtualidade, não transmitem a mesma autenticidade que se espera de um filme live-action.
As alterações nas músicas da trilha sonora adicionam um toque interessante ao filme. Enquanto algumas transformações contribuem para um aprimoramento emocional, como “We Know the Way” e “Know Who You Are”, outras se perdendo nas transições, resultando em momentos que podem deixar um pouco desorientado.
Os personagens, especialmente o semideus Maui e o caranguejo Tamatoa, dependem do exagero cômico para criar impacto. Essa essa força narrativa muitas vezes se vê diluída, tornando suas características carismáticas menos expressivas e mais convencionais. Nesse sentido, a atuação de Catherine Laga'aia como Moana, embora competente, poderia ter se beneficiado de uma abordagem mais visceral, pois falta emoção em certas sequências.
Por outro lado, Rena Owen como Vovó Tala brilha em seu papel, trazendo um frescor e uma profundidade que ressoam com o público. O filme também se esforça para destacar figuras parentais, como o Chefe Tui, interpretado por John Tui, e a mãe de Moana, Sina, interpretada por Frankie Adams. Essa profundidade familiar ajuda a construir o pano de fundo emocional da protagonista.
Vale ressaltar que a dubladora Bia Vasconcellos entrega uma performance que muitas vezes resgata cenas que carecem de um toque emocional mais forte, ajudando a equilibrar a narrativa. Assistir ao filme em IMAX 3D realmente proporciona uma experiência imersiva, e a grandiosidade da tela amplia a sensação de aventura, mesmo que a execução geral deixe a desejar.
Esses aspectos colocam “Moana” em uma posição ambígua, onde o amor pela animação original e a expectativa por uma nova interpretação podem tanto cativar quanto decepcionar o público. Portanto, para quem aprecia a história e a cultura polinésia retratada, e não se importa com as nuances que não foram perfeitamente traduzidas para este novo formato, o filme ainda pode ser agradável.