Grace vive um conflito profundo entre identidade e papel social. "Morra, amor", sugere um quadro de sofrimento psíquico intenso ligado à depressão (seja pós-parto ou não) e à dissociação. Ela não se reconhece no lugar que ocupa, sendo mulher isolada no campo, esposa e mãe.
spoiler: A cena que ela volta para casa depois da internação retrata bem a questão de se sentir uma estranha no ninho.
spoiler: A maternidade e o casamento surge como experiência que absorve totalmente quem ela era antes, e o sentimento de amor e carinho logo dá entrada ao a cansaço, culpa e irritação.
spoiler: Não gosto muito de finais abertos como esse, para mim, sempre será preguiça ou receio do diretor de fazer um fechamento convincente.
Morra, Amor promete muito mais do que consegue entregar. Lynne Ramsay cria um ambiente de desconforto constante, onde maternidade, isolamento e desejo se cruzam de forma sufocante, mas a narrativa rapidamente se perde em ciclos repetitivos, sem foco claro e sem avanço real.
A montagem irregular e a fusão entre alucinação e rotina prejudicam o ritmo, embora a fotografia em 35mm e o design de som construam uma atmosfera impecável. No fim, é Jennifer Lawrence quem mantém o filme vivo, entregando uma performance visceral que supera o próprio material.
Morra, Amor tem potência, mas tropeça na execução. O impacto existe, só não vem exatamente de onde o filme imagina.
"Morra, Amor" é um filme que toca em temas profundos, como a depressão pós-parto e o processo psicológico que uma nova mãe enfrenta. A direção de Lynne Ramsay, conhecida por sua habilidade em abordar questões emocionais complexas, proporciona uma atmosfera densa e envolvente, que, embora carregada de intensidade, perde fôlego em sua narrativa repetitiva.
A atuação de Jennifer Lawrence realmente se destaca como um dos pontos altos do filme. Sua entrega emocional é impressionante; ela consegue transmitir a vulnerabilidade e a angústia da protagonista de maneira tão visceral que se torna difícil não se envolver com sua jornada. Críticos destacaram essa performance como um dos fatores que pode render indicações a prêmios, revelando a profundidade da dor e da confusão que acompanha a maternidade em uma situação de crise.
O roteiro apresenta um desafio significativo. A repetição dos surtos e delírios que a personagem principal experimenta, embora impactantes, acaba criando um ciclo que pode se tornar cansativo. Essa insistência em mostrar a desintegração mental da protagonista, sem suficiente variação ou desenvolvimento adicional, resulta em um ritmo que, em vez de captar a atenção, acaba por distanciá-la da história.
Além disso, a construção dos personagens secundários, especialmente o marido interpretado por Robert Pattinson e os vizinhos, sofre com um subdesenvolvimento que prejudica a compreensão total do contexto da trama. A falta de profundidade em suas histórias deixa lacunas que comprometem a força da narrativa. A interação entre eles e a protagonista poderia ter sido explorada com mais intensidade, proporcionando uma visão mais rica dos desafios que ela enfrenta em relação ao suporte familiar e comunitário.
O final do filme deixa uma sensação de frustração, já que a conclusão fragmentada não oferece respostas satisfatórias ou uma resolução clara dos conflitos que permeiam a trama. Embora essa escolha possa ter a intenção de refletir a confusão mental da protagonista, acaba gerando desconforto e insatisfação em quem busca uma resolução mais tradicional.
No entanto, é impossível não reconhecer a beleza da fotografia do filme, que complementa de forma sublime a narração emocional. A cinematografia transmite uma atmosfera de desolação e alucinação, com enquadramentos e uma paleta de cores que refletem a luta interna da protagonista. Cada imagem parece cuidadosamente composta, gerando um impacto visual que enriquece a experiência do espectador e contrabalança as falhas na narrativa. O trabalho visual, portanto, brilha como um elemento fundamental que ajuda a contar a história de maneira poética e intensa.
assistir a "Morra Amor" é como ser atropelado por uma locomotiva de angústias e sofrimentos, a interpretação de Jennifer Lawrence é o pilar central, ela consegue transmitir a radicalidade da maternidade e do casamento, o amor com o desejo de aniquilação, uma tensão que parece que vai romper a tela a qualquer momento.
Cada ano que passa percebo que bons filmes está cada vez difícil de ter mesmo com tanta tecnologia e bons atores nestes. Enredo pobre, confuso, e sem nexo. Filme hoje em dia não basta ter bons atores famosos.
Está difícil terminar de assistir isso. Estava neutro até que a desequilibrada da personagem principal matou o cachorro, aí não dá. Espero que ela se lasque nessa merda de filme.
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