Em Sorria, Rose começa a sofrer das mesmas alucinações que levaram sua paciente ao suicídio. Atormentada por uma aparente entidade que toma a forma de pessoas com um sorriso sombrio, Rose precisa achar respostas para sua condição antes que a paranoia a consuma.
Sorria é um filme de orçamento mediano, ainda que financiado pela Paramount Pictures. Com um roteiro promissor, Sorria inova no antagonista, mas a trama principal é rasa, sem profundidade.
O filme é sombrio. Talvez algo particular, sinto que filmes de terror psicológicos são sempre aterrorizantes. A trama brinca com a ideia da subjetividade, com a possibilidade de que Rose está apenas em colapso nervoso. Só que essa é a parte chata do filme, ainda que assustadora. Quando Rose resolve por a mão na massa, já estamos na segunda metade de Sorria, e é aí que as coisas tomam forma.
A entidade em si é perturbadora. Os sorrisos em geral são macabros, mas Caitlin Stasey rouba a cena com seu sorriso perturbador.
A personagem Rose é um pouco detestável. Seu egoísmo, falha que nasce de seus traumas, a torna irritante, tornando-a suscetível ao descaso por parte da audiência. Talvez se Rose tivesse alguém com quem se importar além de a si mesma, Rose poderia ser mais amável, passível de pena. A maior parte do tempo, Rose toma decisões que causam angústia e descontentamento, levando a audiência a possivelmente torcer contra ela.
Os efeitos visuais compactuam com o orçamento mediano. Algumas cenas são realistas, enquanto eu outras usam computação gráfica medíocre, impossível de ignorar.
Os eventos finais são tensos e bem construídos. Porém, Sorria termina com um sentimento de desesperança que amarga a experiência, tornando seus longos 115 minutos de duração desperdiçados. Sorria abre espaço para uma sequência, mas veremos se o sucesso da bilheteria será suficiente. Apenas o tempo dirá; só nos resta sorrir.