Martin Scorsese faz outro filme na tradição de seus filmes anteriores como 'A Última Tentação de Cristo' que explora temas religiosos como a fé diante da opressão, espiritualidade e o conflito da natureza divina e da natureza humana neste filme intitulado 'Silêncio'. Baseado no romance de 1966 escrito por Shūsaku Endō com o mesmo título, bem como na adaptação cinematográfica japonesa de 1971 do referido romance intitulado 'Chinmoku'. 'Silêncio' poderia facilmente se chamar "Sono". Sem querer parecer precário, mas admiro ter me decepcionado bastante com o longa, não é nem pelo fato dele se emancipar tanto do restante da filmografia do Scorsese, ou pelo fato deu achar filmes com temática cristã rigorosa um tédio, mas sim por considerá Silêncio um filme um tanto quanto redundante. Definitivamente não é a primeira vez que o cineasta explora a vertente cristã em sua obra, todos os filmes do diretor no mínimo já exploraram essa questão, seja por personagens martirizados, redenção ou até mesmo sacrifício, o conseito de alegoria religiosa é bem comum na sua carreira, então um filme inteiro dedicado única e exclusivamente à isso me passou uma impressão meio supérflua. No fim o maior mérito de Silêncio está em sua direção que novamente se destaca – toda a ambientação de um Japão feudal é magnífica – e lógico, nas atuações, Liam Neeson faz aqui uma ponta sofisticada, Adam Driver rouba à cena, mesmo não sendo o protagonista, já Andrew Garfield está bonito... é, este é o maior adjetivo que posso apontar para Garfield, ele tem sim a sua presença e carisma, mas particularmente não conseguiu me convencer como sendo este padre "hiper devoto de sua religião" – aliás, curioso que Andrew Garfield foi literalmente o protagonista de um filme do Martin Scorsese, e mesmo assim não foi o suficiente para ele se desvincular daquelas bombas dos dois rebbots do Espetacular Homem-Aranha – mas enfim, Silêncio é uma grande repetição de conseitos do Scorsese, está longe de ser objetivamente ruim, até o filme mais fraco do Scorsese sola qualquer blockbuster pipoca medíocre, mas deixa bem a desejar quando comparado à outras obras do cineasta.