Valor Sentimental
Média
4,0
123 notas

32 Críticas do usuário

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JRusso
JRusso

69 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 1 de fevereiro de 2026
É inegável que o elenco de Valor Sentimental é brilhante, com atuações contundentes e equilibradas. Os diálogos são bem construídos, mas sinto que a ausência paterna pareceu um fiapo e insuficiente para justificar os profundos abalos na vida de Nora. A metalinguagem ao final de Valor Sentimental pode comover, mas me pareceu bem previsível, uma vez que Joachim Trier já tinha usado tal recurso na cena em que Nora participava de um ensaio ou audição. A cena me lembrou Dor e Gloria, de Pedro Almodovar, sendo este melhor conduzido e causa de fato uma surpresa. Edição de Valor Sentimental me pareceu estranha, com vários cortes escuros servindo de muleta para mudança de contexto no filme.
Leodvam Almeida
Leodvam Almeida

2 críticas Seguir usuário

1,0
Enviada em 26 de janeiro de 2026
Filme enjoativo, massante, recortado como uma colcha de retalhos, que literalmente despedaça o filme em partes que não conversam entre si. Parece uma novela, outrora parece um documentário. Chatissimo, não traz nada de novo e repete vários filmes europeus superestimados sem merecimento....
Rayane Bandeira
Rayane Bandeira

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 26 de janeiro de 2026
Sentimental Value constrói sua narrativa a partir do vazio. Um vazio que não surge como ausência pontual, mas como experiência contínua, infiltrada no cotidiano e transformada em matéria estética. A obra retrata personagens atravessados por silêncios, lacunas afetivas e relações interrompidas, nas quais a arte aparece menos como redenção e mais como tentativa desesperada de sobrevivência emocional.
A ausência paterna ocupa o eixo central do filme e molda a trajetória de Nora, personagem construída a partir da falta. O pai, figura situada numa zona ambígua entre presença física e distanciamento emocional, converte sua própria dor em criação artística. No entanto, essa transposição não produz cura: ao contrário, perpetua o ciclo do vazio. A arte, nesse contexto, revela-se autodestrutiva, sufocante, incapaz de oferecer respiro — ela pesa, corrói e reorganiza a memória da solidão.
O filme sugere que as feridas não se encerram no indivíduo que as vive. Elas atravessam gerações, transmitidas como herança afetiva. Ao transformar sua dor em obra, o pai acaba por legar à filha não apenas uma narrativa, mas um modo de sentir: o “gene do vazio”. Assim, Sentimental Value propõe uma reflexão amarga sobre os limites da arte enquanto elaboração do trauma e questiona se criar é, de fato, um gesto de libertação ou apenas outra forma de permanecer preso àquilo que falta.
Jorge Stark
Jorge Stark

19 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 20 de janeiro de 2026
Do começo ao fim, um roteiro que provoca emoções contidas e reflexões profundas, recheado de metáforas e com toques precisos de metalinguagem, e dirigido com maestria e sensibilidade. As interpretações impecáveis completam esse quadro de excelência, que recebe o reconhecimento da plateia. spoiler: A história começa com a apresentação do casarão centenário que abriga gerações da família Borg
e seus conflitos mais atuais, no velório da mãe das irmãs -- atriz de teatro e pesquisadora cinematográfica --, e no retorno do famoso pai diretor de cinema distanciado das duas filhas após o divórcio. Relações delicadas, citações à invasão da Noruega pelos nazistas, conflitos íntimos e existenciais -- e, com tudo isso, o filme apresenta surpresas e obviedades com o mesmo ritmo e faz o tempo voar. Saindo do cinema, ouço um comentário perdido na multidão: “Eu não chorei, mas poderia ter chorado”. Concordo plenamente: filmão, 9.
DANIEL BARRAL
DANIEL BARRAL

27 seguidores 235 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 24 de fevereiro de 2026
Um dos melhores filmes noruegueses que eu já assisti. Não esperava muita coisa, mas me surpreendeu bastante. Gostei muito da história, atuações, fotografia, edição, ritmo e um final muito bem feito e construído. Excelente atuações de Reinsve, Skarsgard, Lilleaas como os três protagonistas, entregaram ótimos trabalhos. Por mais que seja um filme muito bom, não é perfeito, porquê eu achei algumas cenas confusas, falta de destaque e profundidade em alguns personagens e também alguns diálogos fracos e superficiais. Mas mesmo assim, o filme entrega uma boa experiência e se tornou um dos meus favoritos da década até agora.
WagnerSantos
WagnerSantos

6 seguidores 111 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 15 de março de 2026
Através de uma metalinguagem, por vezes bastante cansativa, o filme faz uma metáfora da dor, da memória e as tentativas de curar essa dor, tendo a arte como pano de fundo. O início promissor, com a cena do teatro, vai aos poucos se desfazendo com excesso de passagens, personagens apáticos e ritmo bastante arrastado. Foi difícil se identificar com o personagem do pai que se mostrou um homem negligente e abusivo emocionalmente, ao ponto que as filhas parecem marionetes reagindo de forma artificial as ações dele. Um filme denso demais que parece ser feito apenas para festivais.
Tathianna Cinema
Tathianna Cinema

2 seguidores 26 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 31 de dezembro de 2025
Valor Sentimental

Noruega, 2025

Gustav é um excêntrico e famoso diretor de cinema que decide retornar à casa onde viveu parte de sua vida, na Noruega, após uma longa ausência, distante de suas filhas, Nora e Agnes. Com um novo projeto, depois de anos longe da direção, ele decide mergulhar fundo em suas memórias nessa nova incursão cinematográfica e oferecer o papel principal à filha mais velha, Nora, uma renomada atriz em sua terra natal, mas pouco conhecida fora de Oslo.
O grande entrave é que há entre os dois cicatrizes profundas de uma história mal resolvida, pois o pai abandonou mulher e filhas ainda pequenas e, desde então, entre idas e vindas e tentativas malsucedidas, Gustav tenta restabelecer um elo que sempre foi conturbado, mesmo quando todos viviam juntos. Para completar, ele reaparece em um momento delicado para as irmãs: o funeral da matriarca.
A princípio, Nora recusa o papel, e Gustav o entrega a uma atriz americana novata, mas com carreira em ascensão, Rachel Kemp. Enquanto o roteiro é lido — seja por Gustav e Rachel nos primeiros ensaios, seja pelas irmãs, que divagam sobre se Nora deve rever sua decisão e aceitar ou não —, a vida segue, e memórias doces e tristes vêm à tona, por meio das imagens do passado amargo de Gustav e sua mãe, da mãe das meninas e das meninas ainda crianças, cujo ambiente é sempre o mesmo: a imponente casa centenária onde todos viveram, em épocas distintas.
A despeito do cenário desfavorável, impõe-se o amor onipresente entre o trio principal, ainda que envolto em mágoas, ressentimentos e, evidentemente, algumas boas lembranças. Delicado e melancólico, o sublime Valor Sentimental merece, com folga, uma das vagas para Melhor Filme Internacional de 2026.
Cláudio B.
Cláudio B.

1 seguidor 21 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 28 de dezembro de 2025
Filme com boas atuações mas confuso e arrastado. Não entendi a participação da atriz americana no enredo. Esperava mais.
NerdCall
NerdCall

60 seguidores 485 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 27 de dezembro de 2025
Depois de sua passagem extremamente elogiada pelo Festival de Cannes, Valor Sentimental rapidamente passou a ser citado por muitos como um dos grandes filmes de 2025. O novo trabalho de Joachim Trier representa um avanço evidente em sua filmografia, tanto na maneira como conduz a história quanto na ambição emocional do projeto. Aqui, o diretor norueguês amplia seu olhar para além dos conflitos familiares tradicionais e propõe algo mais sensível: uma reflexão sobre como a arte pode funcionar como ponte entre pessoas incapazes de se comunicar de forma direta.

Essa evolução também se reflete no elenco. Trier reúne nomes de peso como Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning e sua parceira recorrente, Renate Reinsve, criando um conjunto que sustenta com força o tom emocional do filme. Valor Sentimental é, acima de tudo, um drama profundamente humano, que encontra beleza na delicadeza dos gestos, nos silêncios e na dificuldade de expressar sentimentos guardados por anos. É um dos filmes mais emocionantes do ano e, sem exagero, um dos melhores de 2025.

A narrativa acompanha uma família fragmentada pelo tempo, por traumas não resolvidos e pelo afastamento de um pai que sempre colocou a carreira em primeiro lugar. Gustav Borg é um diretor de cinema renomado, agora em declínio, que tenta se reerguer profissionalmente enquanto busca, ainda que de forma torta, se reaproximar das filhas após a morte da ex-esposa. O reencontro, porém, não vem acompanhado de grandes confrontos ou explosões emocionais. Trier escolhe um caminho mais contido, onde o silêncio fala mais alto que qualquer discussão.

É justamente nessa escolha que mora a força do filme. Valor Sentimental não se rende ao melodrama fácil nem tenta forçar emoções no espectador. Ao contrário, Trier constrói sua história com cuidado, permitindo que os sentimentos surjam aos poucos, a partir de olhares, pausas e pequenos gestos. A arte surge como o principal meio de comunicação dessa família, não como solução mágica para os conflitos, mas como tentativa de aproximação.

Essa dinâmica se torna mais evidente na relação entre Gustav e Nora. Ele se apoia na linguagem do cinema para expressar aquilo que não consegue dizer como pai. Ela, por sua vez, encontra no teatro uma forma de lidar com suas próprias fragilidades, mesmo enfrentando crises de pânico antes de subir ao palco. O convite para que Nora protagonize o novo filme do pai carrega mais peso emocional do que profissional. Quando ela recusa, a escolha de uma jovem estrela de Hollywood não apenas intensifica os conflitos familiares, como escancara feridas que nunca foram tratadas.

Aqui, o roteiro demonstra grande sensibilidade ao construir personagens complexos, cada um lidando com seus próprios ressentimentos. Não há vilões claros nem vítimas absolutas. O abandono paternal, o fracasso profissional, as escolhas do passado e a incapacidade de dialogar formam um emaranhado emocional que a família prefere manter em silêncio. Trier poderia facilmente transformar isso em um drama de redenção previsível, mas opta por algo mais honesto: mostrar que nem todas as feridas se fecham completamente, e que a aproximação, às vezes, é o máximo que se pode alcançar.

A casa onde a história se desenrola funciona quase como um personagem. É um espaço carregado de memória, onde o peso do passado se faz presente em cada canto. Trier utiliza esse ambiente para reforçar a sensação de intimidade e acolhimento, sem perder o tom melancólico que atravessa o filme. Ainda assim, há espaço para momentos leves e até engraçados, que surgem de forma natural e ajudam a equilibrar a densidade emocional da narrativa.

O trabalho do elenco é essencial para que tudo isso funcione. Inga Ibsdotter Lilleaas interpreta Agnes, a filha mais nova, que tenta construir sua própria família como forma de romper com os traumas deixados pelo pai. Sua atuação transmite incômodo e compreensão ao mesmo tempo, refletindo alguém que prefere evitar conflitos, mas que carrega mágoas profundas. Elle Fanning vive Rachel Kemp, uma atriz de Hollywood em busca de prestígio artístico. Inicialmente fascinada por trabalhar com Gustav, ela passa a perceber que está sendo colocada no lugar simbólico da filha, entendendo aos poucos a obsessão emocional que move o diretor.

Mas são Stellan Skarsgård e Renate Reinsve que entregam as performances mais marcantes do filme. Gustav é retratado como um homem orgulhoso, egocêntrico em certos momentos, mas também profundamente incapaz de se expressar de forma afetiva. Ele usa o cinema como escudo e como linguagem, seja para se aproximar das filhas ou até do neto, apresentando filmes pouco convencionais como demonstração de carinho. Nora, por sua vez, é uma personagem contida, que oscila entre raiva, tristeza e desejo de reconexão. Reinsve constrói essa complexidade sem exageros, tornando cada tentativa frustrada de diálogo ainda mais dolorosa.

As cenas em que pai e filha tentam conviver e aquelas em que cada um se isola após uma decepção, estão entre os momentos mais fortes do filme. Existe afeto ali, existe vontade de aproximação, mas os traumas não resolvidos sempre falam mais alto. É nesse espaço entre o que se sente e o que não se consegue dizer que Valor Sentimental encontra sua maior potência emocional.

Além do drama familiar, Trier também abre espaço para discutir herança artística e o próprio estado do cinema contemporâneo. A história carrega uma camada de reflexão sobre um mercado cada vez mais dominado por franquias e produções feitas sob medida para o streaming, em detrimento de projetos originais. Essa metalinguagem nunca soa didática ou deslocada, ela surge organicamente, integrada à trajetória dos personagens.

No fim, Valor Sentimental reafirma Joachim Trier como um dos grandes nomes do cinema atual e coloca novamente o cinema norueguês em evidência. Com um texto sensível, atuações impecáveis e uma abordagem honesta sobre família, arte e comunicação, o filme se impõe como um dos destaques do ano e um forte candidato a reconhecimento internacional. Para o público brasileiro, fica o lamento pela disputa acirrada na categoria de filme internacional, especialmente em um ano que também conta com O Agente Secreto. Ainda assim, Valor Sentimental permanece como um retrato poderoso da arte não apenas como profissão ou mercado, mas como uma forma de expressão, aproximação e, quem sabe, cura.
Nelson J
Nelson J

51.035 seguidores 1.978 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 26 de dezembro de 2025
Filme que como o próprio nome indica é um drama familiar cheio de sentimentos e ressentimentos. Muita emoção e choro, incomuns em filmes noruegueses. Stellan em grande atuação.
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