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Biancarufinoo
1 crítica
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1,0
Enviada em 6 de fevereiro de 2026
Filme lento, personagens apáticos, roteiro centraliza o homem genial em contraponto a suas filhas melancolias e tristes. Ele, o pai, é abusivo emocionalmente e elas, as filhas, orbitam em torno dele em busca de aprovação. Nada novo sob o sol, narrativa patriarcal do início ao fim. Desfecho pobre, aonde a filha comete suicídio no filme do “gênio”.
Um filme com uma história simples, conflitos familiares e recordações passadas... O titulo faz jus ao filme e o elenco é impecável, otima atuação de todos.
É inegável que o elenco de Valor Sentimental é brilhante, com atuações contundentes e equilibradas. Os diálogos são bem construídos, mas sinto que a ausência paterna pareceu um fiapo e insuficiente para justificar os profundos abalos na vida de Nora. A metalinguagem ao final de Valor Sentimental pode comover, mas me pareceu bem previsível, uma vez que Joachim Trier já tinha usado tal recurso na cena em que Nora participava de um ensaio ou audição. A cena me lembrou Dor e Gloria, de Pedro Almodovar, sendo este melhor conduzido e causa de fato uma surpresa. Edição de Valor Sentimental me pareceu estranha, com vários cortes escuros servindo de muleta para mudança de contexto no filme.
Filme enjoativo, massante, recortado como uma colcha de retalhos, que literalmente despedaça o filme em partes que não conversam entre si. Parece uma novela, outrora parece um documentário. Chatissimo, não traz nada de novo e repete vários filmes europeus superestimados sem merecimento....
Sentimental Value constrói sua narrativa a partir do vazio. Um vazio que não surge como ausência pontual, mas como experiência contínua, infiltrada no cotidiano e transformada em matéria estética. A obra retrata personagens atravessados por silêncios, lacunas afetivas e relações interrompidas, nas quais a arte aparece menos como redenção e mais como tentativa desesperada de sobrevivência emocional. A ausência paterna ocupa o eixo central do filme e molda a trajetória de Nora, personagem construída a partir da falta. O pai, figura situada numa zona ambígua entre presença física e distanciamento emocional, converte sua própria dor em criação artística. No entanto, essa transposição não produz cura: ao contrário, perpetua o ciclo do vazio. A arte, nesse contexto, revela-se autodestrutiva, sufocante, incapaz de oferecer respiro — ela pesa, corrói e reorganiza a memória da solidão. O filme sugere que as feridas não se encerram no indivíduo que as vive. Elas atravessam gerações, transmitidas como herança afetiva. Ao transformar sua dor em obra, o pai acaba por legar à filha não apenas uma narrativa, mas um modo de sentir: o “gene do vazio”. Assim, Sentimental Value propõe uma reflexão amarga sobre os limites da arte enquanto elaboração do trauma e questiona se criar é, de fato, um gesto de libertação ou apenas outra forma de permanecer preso àquilo que falta.
Do começo ao fim, um roteiro que provoca emoções contidas e reflexões profundas, recheado de metáforas e com toques precisos de metalinguagem, e dirigido com maestria e sensibilidade. As interpretações impecáveis completam esse quadro de excelência, que recebe o reconhecimento da plateia. spoiler: A história começa com a apresentação do casarão centenário que abriga gerações da família Borg e seus conflitos mais atuais, no velório da mãe das irmãs -- atriz de teatro e pesquisadora cinematográfica --, e no retorno do famoso pai diretor de cinema distanciado das duas filhas após o divórcio. Relações delicadas, citações à invasão da Noruega pelos nazistas, conflitos íntimos e existenciais -- e, com tudo isso, o filme apresenta surpresas e obviedades com o mesmo ritmo e faz o tempo voar. Saindo do cinema, ouço um comentário perdido na multidão: “Eu não chorei, mas poderia ter chorado”. Concordo plenamente: filmão, 9.
Um dos melhores filmes noruegueses que eu já assisti. Não esperava muita coisa, mas me surpreendeu bastante. Gostei muito da história, atuações, fotografia, edição, ritmo e um final muito bem feito e construído. Excelente atuações de Reinsve, Skarsgard, Lilleaas como os três protagonistas, entregaram ótimos trabalhos. Por mais que seja um filme muito bom, não é perfeito, porquê eu achei algumas cenas confusas, falta de destaque e profundidade em alguns personagens e também alguns diálogos fracos e superficiais. Mas mesmo assim, o filme entrega uma boa experiência e se tornou um dos meus favoritos da década até agora.
Através de uma metalinguagem, por vezes bastante cansativa, o filme faz uma metáfora da dor, da memória e as tentativas de curar essa dor, tendo a arte como pano de fundo. O início promissor, com a cena do teatro, vai aos poucos se desfazendo com excesso de passagens, personagens apáticos e ritmo bastante arrastado. Foi difícil se identificar com o personagem do pai que se mostrou um homem negligente e abusivo emocionalmente, ao ponto que as filhas parecem marionetes reagindo de forma artificial as ações dele. Um filme denso demais que parece ser feito apenas para festivais.
Gustav é um excêntrico e famoso diretor de cinema que decide retornar à casa onde viveu parte de sua vida, na Noruega, após uma longa ausência, distante de suas filhas, Nora e Agnes. Com um novo projeto, depois de anos longe da direção, ele decide mergulhar fundo em suas memórias nessa nova incursão cinematográfica e oferecer o papel principal à filha mais velha, Nora, uma renomada atriz em sua terra natal, mas pouco conhecida fora de Oslo. O grande entrave é que há entre os dois cicatrizes profundas de uma história mal resolvida, pois o pai abandonou mulher e filhas ainda pequenas e, desde então, entre idas e vindas e tentativas malsucedidas, Gustav tenta restabelecer um elo que sempre foi conturbado, mesmo quando todos viviam juntos. Para completar, ele reaparece em um momento delicado para as irmãs: o funeral da matriarca. A princípio, Nora recusa o papel, e Gustav o entrega a uma atriz americana novata, mas com carreira em ascensão, Rachel Kemp. Enquanto o roteiro é lido — seja por Gustav e Rachel nos primeiros ensaios, seja pelas irmãs, que divagam sobre se Nora deve rever sua decisão e aceitar ou não —, a vida segue, e memórias doces e tristes vêm à tona, por meio das imagens do passado amargo de Gustav e sua mãe, da mãe das meninas e das meninas ainda crianças, cujo ambiente é sempre o mesmo: a imponente casa centenária onde todos viveram, em épocas distintas. A despeito do cenário desfavorável, impõe-se o amor onipresente entre o trio principal, ainda que envolto em mágoas, ressentimentos e, evidentemente, algumas boas lembranças. Delicado e melancólico, o sublime Valor Sentimental merece, com folga, uma das vagas para Melhor Filme Internacional de 2026.
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