Um retorno desnecessário e personagens desperdiçados
A decisão de trazer a personagem Allison de volta à trama após 15 anos de sua morte soou, no mínimo, forçado. A tal ressurreição foi tão desconectada do enredo que acabou lembrando franquias como Sobrenatural, onde os personagens morrem e voltam com tanta frequência que perde totalmente o impacto emocional.
Outro exemplo claro de desperdício narrativo é o Liam. Durante o filme inteiro, o personagem é deixado de lado a ponto de sua presença, ou ausência, não fazer a menor diferença. Não tem desenvolvimento, nem profundidade, nem qualquer utilidade real pra trama. Chega a ser difícil acreditar que esse é o mesmo personagem que já foi peça-chave, um lobisomem poderoso com um arco dramático relevante no passado.
Aí entra a Hikari, que também parece completamente desnecessária. A presença dela soa como uma tentativa mal disfarçada de substituir a Kira, e o pior: sem qualquer explicação ou desenvolvimento. Teria sido muito mais eficaz manter o foco no Liam do que forçar uma personagem nova sem propósito claro.
Sem falar no retorno do Derek, que aparece com um filho, o Eli, do nada. Olha, o Eli até tem potencial e algumas interações legais com o Derek, mas faltou aprofundamento. A relação dos dois mal é explorada e a origem do personagem é tão mal explicada que deixa um monte de lacunas importantes na narrativa.
E a morte do Derek, então? Foi uma das partes mais frustrantes do filme. Mal construída, sem emoção, sem impacto nenhum, pareceu apressada, sem o peso que o personagem merecia. Uma despedida pobre pra alguém tão importante na série original.
Pra fechar, tem o Bobby, que é mais um exemplo de potencial jogado fora. O personagem tinha uma energia única, um carisma natural que equilibrava bem o tom mais pesado da série. Mas aqui o roteiro simplesmente ignorou o coitado. Ele aparece, fala algumas frases, e pronto. Não tem uma cena que aproveite verdadeiramente a presença dele, nenhum momento que faça a gente lembrar por que ele era importante. A participação dele é tão apagada, tão irrelevante, que se tivessem cortado todas as cenas do Bobby, a história continuaria exatamente a mesma. Ninguém sentiria falta. E isso, pra um personagem que construiu uma trajetória ao longo de seis temporadas, é triste de ver.
No geral, a impressão que fica é que o filme se preocupou muito mais em forçar nostalgia do que em construir uma história minimamente coesa. Entre retornos mal justificados e personagens subaproveitados, sobrou muito pouco daquilo que tornou a série original tão envolvente.