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    Argylle - O Superespião
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Argylle - O Superespião

    Com quantas reviravoltas se faz um filme?

    por Aline Pereira

    Quando Matthew Vaughn se envolve em um projeto de espionagem, o diretor tem minha atenção: Kingsman é uma das melhores franquias do gênero dos últimos anos e o trabalho feito em Kick Ass: Quebrando Tudo e X-Men: Primeira Classe deixam claro que o cineasta sabe combinar humor e ação. Estes precedentes deixam Argylle - O Superespião com um gosto ainda mais amargo: o filme acerta em poucos momentos e não mergulha com muita precisão nem na comédia, nem na ação, nem no suspense de super agentes secretos.

    Com um marketing impulsionado pela participação de Dua Lipa e uma teoria da conspiração envolvendo Taylor Swift, o longa sofre por se esforçar demais: Argylle quer tanto nos surpreender que – mais cedo do que mais tarde – as inúmeras reviravoltas simplesmente deixam de ter significados consistentes. O poder do elenco estrelado faz o que pode para segurar o lado mais divertido, mas é uma missão quase impossível até para Henry Cavill.

    O título Argylle é o nome de um agente secreto que, na verdade, é um personagem de ficção criado pela autora Elly Conway, interpretada por Bryce Dallas Howard (Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros). A saga de livros deste espião – encarnado por Henry Cavill no filme – tornou a escritora mundialmente famosa, mas alguns problemas surgem quando ela precisa escrever mais uma história do personagem.

    Universal Pictures

    Em busca de inspiração, Elly decide fazer uma viagem à casa dos pais e surge em seu caminho o misterioso Aidan (Sam Rockwell, vencedor do Oscar por Três Anúncios Para Um Crime). Quando ele afirma ser um espião de verdade e diz que tudo o que Elly escreveu pode ser um perigo para ela no mundo real, a escritora já não consegue distinguir exatamente o que é realidade e o que é ficção e acaba caindo em uma teia de segredos e assassinatos.

    Com quantas reviravoltas se faz um filme?

    A premissa da escritora que se sente muito apegada e pressionada pelo universo e pelos personagens que nasceram em sua própria mente é interessante. “Quanto melhor o espião, maior a mentira”, diz a protagonista em uma de suas frases de efeito – uma lógica ao estilo de “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” que parecia ter um grande potencial para brincar com a ideia do equilíbrio e do limite entre trabalho e vida pessoal.

    Esta promessa – que infelizmente não é cumprida com muitos detalhes depois – torna a introdução e os primeiros avanços de Argylle envolventes. É fácil se deixar levar pelo universo visualmente encantador (que inclui um gatinho em um mochila fashionista!) e pelo carisma de Bryce Dallas Howard, mas o esforço do filme para surpreender o público vai se tornando um emaranhado que, depois, o roteiro não consegue resolver.

    É como se apenas um grande plot twist não fosse o bastante e, para garantir que sejamos pegos desprevenidos a qualquer custo e o tempo todo, a história dispara incontáveis reviravoltas, flashbacks e pequenas tramas paralelas que não servem muito à história.

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    O resultado é um desfecho que, pouco a pouco, perde o sentido. Ainda que a trama faça um bom trabalho de nos levar para dentro de seu mundo, a sensação de satisfação ao resolver o mistério é tão diluída que fica faltando a catarse típica de filmes do gênero.

    Elenco de estrelas é o principal trunfo de Argylle

    Na primeira cena de Argylle, Henry Cavill e Dua Lipa dão o tom do time estrelado do filme. Depois deles, quase todos os atores que sugem em cena são muito conhecidos e queridos – de John Cena a Ariana DeBose. As habilidades do elenco tanto para o timing cômico, quanto para o drama são inquestionáveis e, seguindo um roteiro caótico, fica com eles a responsabilidade de garantir a conexão do público com os personagens.

    Bryan Cranston (Breaking Bad) e Catherine O’Hara (Esqueceram de Mim) formam um casal com magnetismo e presença, ao passo que Samuel L. Jackson encarna sua já conhecida personalidade de agente secreto à la Nick Fury da Marvel – repetindo com o diretor a parceria do primeiro filme de Kingsman, lançado em 2014.

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    Nesse sentido, o mar de rostos familiares dá a Argylle um ar de “filme-conforto”, do tipo que até renderia uma boa sessão sem compromisso em casa. As interações entre os personagens são o principal trunfo para que o filme encontre um ritmo mais eficaz, pontuado com pequenas referências bem-humoradas e uma química convincente e bem construída entre Elly e Aidan, que formam uma dupla surpreendentemente sintonizada.

    Ainda assim, é difícil dizer se o entretenimento é suficiente para suas mais de duas horas de duração.

    Marketing supera o filme

    Antes mesmo do lançamento do filme, foram anunciados planos para dar continuidade à história de Elly – e o longa, de fato, deixa espaço o bastante para se tornar uma franquia. Além disso, a campanha de marketing rendeu uma história à parte. Isso porque, teoricamente, tanto Elly Conway quanto seu livro, Argylle, seriam reais e teriam sido inspiração para o filme. A autora ganhou páginas oficiais na internet, mas não há indícios concretos de que seja uma pessoa de verdade.

    O mistério, é claro, levantou teorias na internet e a principal diz que Elly Conway seria um pseudônimo de Taylor Swift, com base em “evidências” que vão das publicações no Instagram da personagem (a primeira foi feita exatamente no dia do aniversário da cantora) à semelhança entre o gato de estimação de Elly com o pet da artista. Nada disso foi confirmado, é claro, mas, honestamente? Talvez estivesse aí uma história verdadeiramente interessante.

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