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David Araújo
34 críticas
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4,5
Enviada em 23 de novembro de 2023
Demorei tempo de mais pra ver. E confesso que foi uma ótima experiência. Durante alguns momentos no pegamos desconfortáveis e claustrofóbicos com o fato do filme todo se passar dentro da casa, em outros momentos enojados com ele se alimentando de forma descontrolada, em outros com raiva dele ser ele quem ele é. Mas no fim ficamos com uma sensação que conhecemos o personagem, que é alguém próximo a nós. Chorei e percebi que ele era incrível, e eu estou sendo honesto falando isso.
Para quem sofreu assédio e oposição de um diretor homossexual, voltar atuando em um filme interpretando o papel de Charlie, um professor homossexual que assedia seu aluno, foi uma forma irônica e engenhosa de Hollywood humilhar publicamente o ator Brendan Fraser. Logo na primeira cena, spoiler: o ator é flagrado se masturbando vendo um vídeo pornô homossexual . Para quem pensa que a trama vai girar em torno do conflito dele com a filha, engana-se. A propósito, toda sinopse e trailer são enganosos e não revelam exatamente o contexto principal da trama. Na verdade, o filme trata de um cara casado, professor universitário que abandona esposa e filha para viver um romance homossexual com seu aluno. Mas o autor não fez questão de mostrar a faceta egocêntrica e doentia de Charlie, que é um egoísta capaz de ignorar até mesmo a melhor amiga, Lis. Enfermeira, ela dedica seu tempo para administrar os melhores cuidados médicos a Charlie. E ele, de maneira egoísta, acumula todo salário que recebe visando deixar como herança para filha abandonada. Não é um filme sobre amor, mas sobre culpa, falta de perdão, revolta e egocentrismo. Não merecia o Oscar, sinceramente.
É o segundo filme que me fez chorar incansavelmente, Além do filme: o menino do pijama listrado! Que atuação incrível, uma imersão genuína na narrativa caótica do filme. Sem dúvidas um filme muito bem feito e entendível para aqueles olhares peculiaridades(que vão além das fronteiras).
Algumas pessoas levam em conta o ritmo lento e o mesmo cenário, como critério para classificar de forma baixa o filme, mas o que digo é: foi proposital para nos aprisionar e sufocar no corpo do protagonista, e intensificar o entendimento em relação aos sentimentos dele. Não lute contra esse processo imersivo se realmente quiser entender o filme.
Há uma coisa que sinto em certos filmes que assisto um apelo emotivo não convincente. Deixe tentar explicar: Mostrar a degradação do personagem de forma exagerada, por exemplo. Ok. Sei que é um drama, mas me remeteu como se tivesse assistindo uma reportagem sensacionalista de um programa dominical ou comerciais de crianças famintas na África... Sei lá, tá me entendendo?!
Conheço a pegada diretor Darren Aronofsky que usa muito este artifício: despertar desconforto psicológico no espectador, etc. e tal.(cito, "Réquim para um sonho", se não viu, #tindico demais!)
Porém, desta vez me senti meio desmotivada ou decepcionada do que propriamente chocada ou perturbada. Coisa do tipo: -Ei espectador, veja um obeso sofrendo! E saiba você esta proibido de não se emocionar, por favor chore! Por mais triste que a situação seja, o que de fato é. Achei um tanto quanto apelativo... O problema foi o tom, pecou um pouco no excesso de decadência ao meu ver.
Tirando este ponto, o filme também possui uma parte muito bela, narrando a restauração de um relacionamento entre pai e filha que havia se rompido. Primeiro pela homossexualidade/infidelidade do pai (outros temas relevantes abordado no obra) e principalmente por conta da sua obesidade mórbida, que envergonha grandemente a filha adolescente. (Sadie Sink, a ruivinha de Steanger Things). Gostei muito da construção e evolução entre os personagens que ocorre de forma muito gradual e comovente! Tudo graças a uma excelente direção, bom roteiro e logicamente a performance do elenco.
O filme é bom. Tem seu valor, foi uma excelente oportunidade do ator Brendan Fraser voltar a se destacar nas telonas, mostrando que não é só um cara de comédia.
Vale comentar também da fotografia, que retrata a situação deprimente do personagem, algo frio e enclausurado, demonstrando a situação do personagem em toda sua melancolia.
É isso minha nota é 6,9. A final estamos falando de Darren Aronofsky (diretor do Cisne Negro e outros filmes fantásticos) Portanto o filme poderia encantar mais, pelo menos na minha modesta e não aclamada opinião de cinéfila amadora. rs
Um filme fora de seu tempo, revolucionário, e vai contra todos os tipos de padrões, contra o "Politicamente Correto" que os partidos políticos de Esquerda querem impor na sociedade, um filme que em seu enredo/contexto mostra a cena, de um homem obeso, sem ser ridículo, fazer xacota, porém mostra como chegou para aquela pessoa estar naquelas situações, um filme que retrata casal homoafetivo, sem ser vulgar, sexualizante etc.
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