O novo filme de 2024 é um espetáculo visual, mas deixa um gosto amargo para quem entende a verdadeira jornada de Edmond Dantès. Se por um lado a fotografia é belíssima e os cenários são grandiosos, por outro, o roteiro se perde em escolhas que enfraquecem a força da obra original.
Onde o filme acerta?
A estética é, sem dúvida, o ponto forte. O filme é "bonito de ver", com figurinos impecáveis e uma atmosfera que tenta resgatar a elegância francesa da época. Algumas atuações são sólidas, mas a beleza visual não sustenta a falta de profundidade emocional.
Onde o filme falha (e muito):
A Prisão Apressada: Para um homem que ficou 14 ou 15 anos apodrecendo em uma cela, a transição no filme é rápida demais. O espectador não sente o peso do tempo, da solidão e da transformação mental que Dantès sofre no Castelo d'If. Fica parecendo um "intervalo" rápido, tirando o impacto da ressurreição do herói.
Vingança Sem Alma: O filme é covarde na hora de punir os vilões. No livro, a vingança é um prato cozido lentamente. Aqui, os destinos de Fernand, Villefort e Danglars são confusos ou incompletos. Falta aquela satisfação de ver a justiça sendo feita com o rigor que os traidores mereciam.
A "Falsa Balança Moral": O filme tenta impor uma moralidade moderna e inocente, sugerindo que "vingança sempre tem um preço" e que o Conde deve terminar sozinho e triste. Isso é uma romantização pessimista. Na vida e no livro, a justiça serve para fechar ciclos e permitir recomeços, não para condenar o justiceiro à solidão eterna.
O Erro com Haydée: Ao dar Haydée para o jovem Albert, o filme foge da complexidade do livro. No original, Haydée é a esperança e o amor que cura o Conde. O filme prefere um final "agridoce" e solitário, o que soa mais como medo de polêmica do que como boa narrativa.
Minha Conclusão:
A versão de 2001, com Jim Caviezel, embora tenha suas liberdades e seja menos "sofisticada", consegue entregar o que o público realmente quer: satisfação e catarse. Em 2001, sentimos o ódio de Edmond e celebramos o seu triunfo final.
O filme de 2024, apesar de sua "capa" bonita e intelectual, acaba sendo uma adaptação confusa e vazia, que entrega um final solitário para um homem que já sofreu injustiças demais. No final das contas, falta a 2024 a coragem de ser tão épico quanto o livro de Alexandre Dumas.