Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas: Críticas - Página 4
Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas
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Vandre
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2,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
O melhor filme de Tim Burton. E um dos melhores de seu gênero que não uma considero comédia e sim um drama misturado com fantasia. Fotografia perfeita ótimo roteiro. Quem não viu, não se arrependerá!
O filme começa arrastado e incompreensível, mas ao longo da trama, conseguimos entender a proposta do roteiro e aceitar as diversas ''bizarrices'' que ocorrem. É um filme interessante para ser visto apenas uma vez ou ser passado como um trabalho escolar para crianças do ensino fundamental.
Ed consegue pescar um peixe famoso na região por nunca ser pescado, no dia do nascimento do seu filho Will. A isca é uma aliança e a mensagem: um peixe grande precisa de uma aliança para ser pescado. (Entenderam homens? quando encontrarem uma mulher que seja muito para vocês, o único jeito de pesca-la é com uma aliança). Ed é um homem ambicioso, cativante e social e cheio de criatividade. Sempre tinha uma história inacreditável com lições. Seu filho Will é um homem prático, prestes a ter seu primeiro filho, que se sente distante e magoado por acreditar que cada história é uma maneira do pai esconder seus sentimentos.
Pra quem já viu... spoiler:
Ed é um pescador, e sua história favorita, traz seus três elementos favoritos: sua esposa e seu filho. Ele não se acomoda com o confortável, e é muito persistente. Essas características fizeram dele um grande garoto. Quando criança uma doença o impediu de sair da cama por 3 anos o que fez ele ler e desenvolver a criatividade. Com uma auto estima forte, ele acredita que isso contribuiu para que ele tivesse uma perspectiva única sobre o restante da sua vida. Ele foi o único que passou por isso, e por isso ele era o mais resistente, forte e veloz de sua cidade.
Foram tantas conquistas em sua cidade que ele decidiu procurar uma cidade maior. Fez amizade com um homem peculiar, que por ser muito grande era solitário, incompreendido e ameaçador. Ed consegue ver nele alguém que também procurava um desafio do "seu tamanho". Ele não cria raízes, e continua saindo de sua zona de confronto, mesmo encontrando uma cidade utópica e pitoresca, perfeita.
Em determinado momento ele encontra Sandra, e coloca toda sua energia para conquista-la. Mesmo apaixonado, ele é chamado para guerra, trabalha como vendedor externo, e tem pouco tempo para ficar com ela. Ed tem sorte dela ser compreensiva e apaixonada por ouvir suas cativantes histórias.
Ed foi um pai ausente, passando muito tempo fora de casa e voltando com histórias inacreditáveis, que Will amadurece e entende como mentiras para justificar suas ausências.
Adulto, após anos sem falar com o pai, que está agora morrendo ele o confronta, pedindo "a verdade". Percebe por fim, que a vida de Ed foi inacreditável e sente novamente orgulho do pai, assumindo o papel de contador de histórias.
Muito bom o filme, realmente me impressionei com o filme! um filme muito inteligente e educativo podendo ser visto por pessoas de todas as idades, talvez até uma lição para muitos.
Filme encantador, cativante, que te faz rir, chorar, sonhar, suspirar. Traz uma reflexão sobre a vida, sobre a família, amigos e principalmente sobre o caminho que escolhemos, é um dos melhores filmes que se pode assistir. Sabe quando o filme acaba mas permanece em você? Te deixa impregnado com sua beleza? Quando o filme termina, você suspira e pensa: " nossa, que história linda...!".
Sou um contador de histórias. Não perco a oportunidade de relembrar minhas desventuras infantis e juvenis. Algo que acontece, quase sempre, de forma involuntária. Um comportamento cada vez mais constante na medida em que minha idade avança. É comum me ver compartilhando histórias e “fatos” fantásticos e mirabolantes que protagonizei ao longo de minha vida. Com um pé na realidade, ou não, cada um desses “causos” narra um pouco de quem sou. Edward Bloom, o protagonista de “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, também é um contador de histórias. Talvez o maior e melhor deles. Em suas narrativas ótimas, presenciamos estranhas situações e as figuras inusitadas que ele conheceu.
O roteiro de John August, baseado no livro de Daniel Wallace, nos apresenta Will Bloom (Billy Crudup) que é recém casado com Josephine (Marion Cotillard) e prestes a se tornar pai. Ele é filho de Edward Bloom (Albert Finney) e é ressentido com o pai, uma vez que acha que não o conhece. Will considera mentiras as histórias maravilhosas dele. Sem perceber a real importância daqueles contos ele acredita não ter uma ideia clara de quem o pai realmente é. Will acha que o relacionamento conturbado deles o torna incapacitado para ter um bom relacionamento com seu filho que está prestes a nascer. Edward é um bon vivant, conhece todos e agrada a todos. Seus relatos encantam e fascinam. Ele é bom no que faz, não é uma coincidência que a primeira lembrança que o longa nos mostra é justamente um “causo de pescador”. É nessa combinação de uma história humana e um universo fantástico que vamos conhecendo Edward Bloom.
As narrativas e vivências do protagonista são experiências fantásticas. Interpretado por Ewan McGregor em sua versão jovem, Edward descreve cada fato com encanto e fascínio. Quando conhece sua futura esposa Sandra Bloom (Jessica Lange/Alisson Lohman), seu grande amor, o tempo para literalmente em uma linda sequência. Em sua vida ele se envolve com gigantes, bruxas, gêmeas siameses e bagres enormes. Edward foi uma figura grande demais para nosso mundo e para sua própria existência. Em um belo paralelo, construído pelo filme, percebemos que esse “peixe grande” não cabe em seu “aquário”. Quando se vê próximo ao fim, ele teme secar. E o que mais lhe aflige é a impossibilidade de se movimentar e continuar a viver novas histórias.
Ao longo da trama Will parece perceber que ele não deve ressentir as histórias do pai. Quando as julga como mentiras, ele deixa de lado o aspecto mais importante delas. Querer conhecer o verdadeiro Edward Bloom é ignorar que nossas memórias e percepções nos definem. Os relatos dos fatos de toda uma vida, fantasiosos ou não, nos mostram suas vontades, seus objetivos, sua forma de pensar e de ver o mundo. Sabemos como é a personalidade de Edward. As “Histórias Maravilhosas” do título não escondem como é o verdadeiro protagonista, e sim, o definem como ele realmente é.
É participando desse mundo fantasioso, cheio de viva e apaixonante que seguimos na narrativa do filme. A fotografia de Philippe Rousselot cria um universo inventivo e deslumbrante, cada sequência recebe o tratamento adequado. E são várias, terror, humor, suspense, estranhamento, romance, dentre outras. O diretor Tim Burton sabe conduzir muito bem a história por todos esses cenários. Ewan McGregor apresenta o protagonista sempre sorrindo e autoconfiante. Uma ótima escolha e caracterização. Albert Finney demonstra como o fim da vida e a impossibilidade de viver novas aventuras incomodam Edward. Alison Lohman, a versão jovem de Sandra e Jessica Lange, a versão mais madura. São pouco exploradas na obra e se resumem ao grande amor do protagonista.
Por mais egocêntrico que o protagonista de “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” seja, ele nunca se esqueceu de que os acontecimentos literais de sua vida pouco importam. Suas narrativas fantasiosas traduzem a realidade de uma forma bonita, cativante e interessante. As histórias são poderosas, dizem verdades e mudam as nossas vidas.
Quem assistiu e achou a história chata é porque não entendeu o conteúdo e profundidade por trás dela. É uma história de relação entre pai e filho, onde ele mantém o papel de herói para seu filho, ainda que depois de adulto ele não entenda a sua forma de ser, agir e de contar as histórias de sua vida. Will, por ouvir as histórias exageradas de seu pai, ser torna um jornalista (que materializa a sua característica cética e a busca por aquilo que atenha a fatos reais, e seu desejo de saber a história real de seu pai), deixando claro que ele se tornou o oposto dele. Porém, conforme ele investiga e conhece pessoas que conviveram com seu pai e ele compreende que sua forma de contar a história da sua vida nada mais é do que tornar o real em algo belo de ser vivido, que nos torne orgulhosos de contar e inspirador para as pessoas que ouvem. A forma como vc enxerga a vida pode dar esperança ou simplesmente tornar tudo igual como muitos já enxergam.
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