Inspirado no caso verídico dos irmãos necrófilos de Nova Friburgo, o roteiro caminha com precisão cirúrgica entre realidade e ficção, criando uma trama que não apenas nos aproxima do horror dos crimes, mas também nos convida a refletir sobre temas como preconceito, justiça e a tênue linha entre sanidade e brutalidade.
O cenário sombrio é um dos grandes trunfos do filme. A fotografia é opressiva, sufocante e belíssima — cada plano parece cuidadosamente pensado para reforçar o clima macabro e decadente da história. As locações em meio à mata fechada, as vilas encharcadas de tensão e os interiores escuros compõem um universo quase onírico de puro terror psicológico. A natureza torna-se cúmplice do horror, silenciosa, misteriosa, como se o mal estivesse entranhado na terra, nas árvores, no ar denso que paira sobre cada cena. Há algo de poético e brutal no modo como o filme conduz o espectador pela escuridão — não com sustos baratos, mas com a força do desconforto real, da dor humana e da maldade possível.
Caso você continue navegando no AdoroCinema, você aceita o uso de cookies. Este site usa cookies para assegurar a performance de nossos serviços.
Leia nossa política de privacidade