Vamos la... minha esposa sugeriu assistir A Casa, que estava com 99% de satisfação no Netflix. Fui sem medo, sem saber nada do filme. Quando vi que era espanhol, até me empolguei, achei que viria mais um filme excelente, pois tinha recém visto O Poço. Minha expectativa foi de 0 a uns 70%. Quando vi que o cara era publicitário, achei bacana, minha profissão, criei uma simpatia. Mas essa simpatia durou uns 5 minutos só. Spoiler: é uma sequência de cena ruim atrás de cena ruim. Forçado ao extremo, sem a mínima preocupação em retratar um pouco de realidade. O cara muda de comportamento de um jeito tão abrupto, abandona a família, tem um plano - meu Deus, que plano - de substituir o marido da casa nova. Veja bem: não era apenas ferrar com a vida dele, como até parecia, mas matar e substituir ele! O cara me bate o carro no poste do estacionamento como se estivesse em uma avenida, provavelmente o seguro cobriu sem questionar, mas ninguém apareceu por lá durante todo o tempo em que o Javier esperava.
E a esposa do cara? O jeito que ela começou a gostar do maluco e ficar com raiva e suspeita do próprio marido, aff, essa é uma epopeia que tem uma função: te deixar cada vez mais com raiva do filme.
O filho gordinho do Javier, que sofria na escola, qual foi a função dele no filme??? E que desfecho ele teve? A cena deles correndo serve pra que? Revelar que o Javier é um cara obstinado, que se ele quer fazer uma coisa, ele faz, mesmo que signifique o filho passar mal? Muuuuito pretensioso.
Não da pra relacionar aqui as mentiras, mas o final... parabéns, conseguiram se superar. Resumindo: em nenhum momento você consegue criar uma empatia com o personagem principal, que parece um MacGuyver do mal, nem com a esposa nova, e malemá com a família que tá morando no gueto. O cara que a gente tá torcendo realmente, morre de um jeito ridículo.
Se substituíssem toda a trilha musical por uma trilha de comédia pastelão, acho que ficaria mais real esse filme.