Uma fantasia cheia de nuances filosóficas, onde os dois personagens centrais estão cada qual em uma espécie de mergulho no self, desenvolvendo um diálogo psicanalítico. O gênio revisitando suas prisões, todas envolvendo poder e sentimentos viscerais, desperta aquilo que Alithea jamais conheceu, os desejos do coração dos outros e do seu próprio. A violência, o egoísmo, as expectativas presente nas relações, seja no passado ou na contemporaneidade, trás a tona a representação simbólica do gênio, onde o ser humano que apesar de reconhecer sua natureza preceptora, não consegue silenciar os ruídos sociais para escutar a si mesmo e se perde nos estímulos infinitos, sem concentrar no que importa. Da mesma forma a representação de Alithea, mulher bem sucedida que vive na ilusão de ser completa, quando na verdade não sabe quais são seus anseios, ou seja, aponta diretamente para necessidade do autoconhecimento. A mensagem do filme interpreto que seja a seguinte: o amor não se pede, não se apreende, não se impõe, apenas se vive, pois ele transita no pertencimento, na individualidade e ao mesmo tempo na escolha de ficar.