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    Eleições
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    Eleições

    Agir e representar

    por Barbara Demerov

    Eleições não se trata do pleito presidenciável que ocorreu em 2018, mas possui o mesmo fundamento do que esta palavra significa em essência. O novo projeto de  é um filme sobre ideias e troca de pontos de vista mas, principalmente, sobre democracia. Ao encontrar em uma escola do centro de São Paulo o local perfeito para discutir amplamente questões sociais e políticas através de alunos secundaristas, a diretora consegue transportar inúmeros tipos de discussões sob a ótica daqueles jovens que gostariam de comandar o grêmio estudantil a fim de conquistar mais direitos, opções e espaço. Isso não é muito diferente da eleição nacional, mas é tão importante quanto por se encontrar na base da sociedade e na juventude, período em que o senso crítico necessita florecer.

    Ao dividir a discussão do grêmio em quatro grupos divergentes, somos apresentados aos diferentes pontos de vista sobre o que é necessário para a escola. As preocupações de cada aluno se intercalam com os meios pelos quais eles vão criando suas campanhas: desde a criação do nome de cada chapa, a confecção dos cartazes, ao principal objetivo e, claro, até os debates, tudo é exibido de forma leve e dinâmica – especialmente por conta dos jovens personagens, incluindo uma dupla de repórteres que, além de simpática, se propõe a buscar pautas relacionadas ao modo de cada grupo se promover. Os conflitos entre cada chapa vão além das divergências de pensamentos relacionadas à campanha em si, chegando a reflexões sobre igualdade, respeito e pensamento coletivo. As mudanças que os alunos querem propor à escola condizem com seus pensamentos políticos, uma alusão ao "mundo real": o grupo só de meninas quer dar espaço para a representatividade, o outro quer focar na liberdade e identidade de gênero, e outro quer destacar que pessoas de todas as religiões devem ser respeitadas, não apenas as católicas terem seu espaço. Diversos diálogos entre os alunos, todos muito fluidos e impactantes, ajudam o filme a ganhar uma forte carga de reflexão – até quando a conversa recai para o tipo de música que deve ser apresentada no pátio.

    Por mais que possua tons de comédia e leveza, Eleições sempre deixa claro a que veio e que seu objetivo é o de mostrar a juventude que questiona e vai atrás – mesmo por trás de um pequeno local que não ainda representa todo o Brasil. A montagem, assim como a naturalidade com que Alice Riff passeia pelos corredores da escola, levantam questões que devem ser cada vez mais discutidas, incluindo a força de vontade dos alunos a correrem atrás de inúmeros meios de ajudar o meio escolar a ser melhor e mais justo para todos. É um filme para os jovens de hoje e também para os jovens de amanhã, que precisarão cada vez mais de impulsos como os que se encontram nesta pequena eleição que foi capaz de chacoalhar as mentes de centenas de alunos.

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