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    A Despedida
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    A Despedida

    Adeus "agendado"

    por Barbara Demerov
    Filmes que contam histórias de pessoas que desejam "planejar" suas mortes para evitar sofrimento físico e mental sempre provocam reflexões, tanto para o lado de quem decide tomar essa drástica atitude quanto para quem vive ao lado deste personagem. Como Eu Era Antes de Você e Ella & John são algumas produções que se cercam de narrativas existenciais, e falam sobre como decisões individuais afetam quem observa tudo de fora. No caso de A Despedida, a atmosfera de dar um adeus programado se faz presente o tempo todo, por bem e por mal.

    Contando com um ótimo elenco -- que vai de Susan SarandonKate Winslet --, o filme do diretor Roger Mitchell (do clássico Um Lugar Chamado Notting Hill) possui um roteiro contido que se passa num período de dois dias. Por esse motivo, é fácil observar a dinâmica dos personagens ali presentes, mas é um tanto complicado compreender as motivações de cada um, bem como o background daquelas pessoas. Quando a intenção da reunião familiar é apresentada (um suicídio), toda a atenção recai na personagem de Sarandon, atriz que demonstra na tela a presença charmosa de sempre.



    Anna (Mia Wasikowska), por exemplo, tem uma relação conturbada com a matriarca Lily (Sarandon) e a irmã Jennifer (Winslet), mas até mesmo quando os motivos são revelados cerca de 50 minutos após o início do filme, eles não carregam tanta potência dramática para o arco familiar no geral. Além disso, a problemática de maior intensidade, que acaba por ser a escolha de Lily em se suicidar para não sofrer com uma doença terminal, também fica em segundo plano por diversos momentos. O diretor dedica um bom tempo apresentando os personagens e ambientando-os para uma ocasião bastante desconfortável.

    Drama familiar traz boas atuações de Susan Sarandon e Kate Winslet, mas peca pela falta de profundidade acerca dos personagens

    A sensação de que algo está fora do lugar, por mais clean e agradáveis que sejam os ambientes da casa em que Lily vive, permeia todo o enredo. Mas há pouco tempo para amplificar as emoções de todos os integrantes da família, que vão do neto à parceira de Anna. Por isso, A Despedida demora para encontrar o momento do clímax, do enfrentamento do problema que incomoda a todos e da resolução do mesmo. É claro que a atuação do elenco como um todo funciona (com a adição de Sam Neil e Rainn Wilson), mas a narrativa fica rodando em círculos para, no fim, chegar ao que já era esperado.

    A Despedida entrega bons momentos através da força de seu elenco (especialmente de Kate Winslet), mas o roteiro peca pela falta de profundidade ao abordar diversos personagens em um curto período de tempo. Existe o aproveitamento das emoções daquela família ao ter de lidar com uma perda tão trágica quanto eminente, mas ele aparece um pouco tarde: só depois de o ritmo do longa se perder em meio aos problemas não resolvidos de outros membros. Como resultado, a junção de tantos dilemas e palavras não ditas no passado eclode nas cenas finais sem construir com mais firmeza a origem de tudo. É interessante observar a dinâmica daquelas pessoas e o dilema do suicídio assistido, mas ela não sustenta o ritmo da trama por completo.
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