Zona de Interesse
Média
3,5
432 notas

158 Críticas do usuário

5
72 críticas
4
27 críticas
3
20 críticas
2
9 críticas
1
12 críticas
0
18 críticas
Organizar por
Críticas mais úteis Críticas mais recentes Por usuários que mais publicaram críticas Por usuários com mais seguidores
Ricardo L.
Ricardo L.

63.294 seguidores 3.227 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 11 de março de 2024
Glazer trás um dos filmes mais impactantes do ano mostrando a banalização do nazismo como nunca mostrado antes, vencedor de 2 Oscar em
som e melhor filme internacional! Um dos melhores do gênero!
Nelson J
Nelson J

51.035 seguidores 1.978 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 10 de março de 2024
Roteiro que contrasta a vida calma e bucólica de um comandante nazista e sua família, próxima ao campo de concentração que ele dirige e o horror que acontece no seu interior. Filme arrastado.
Rodrigo Gomes
Rodrigo Gomes

6.171 seguidores 973 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 6 de abril de 2024
Sutilmente sufocante. Sob uma perspectiva completamente original, vemos um roteiro de qualidade, onde a crítica é implícita e subentendida durante todo o processo. As cenas de fundo dizem tudo.
Adriano Silva
Adriano Silva

1.614 seguidores 482 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 29 de fevereiro de 2024
Zona de Interesse (The Zone of Interest) 2023

"Zona de Interesse" é escrito e dirigido por Jonathan Glazer, sendo baseado no romance de 2014 de Martin Amis. O longa-metragem é uma produção da A24, com uma coprodução entre o Reino Unido e a Polónia. O filme é estrelado por Christian Friedel e Sandra Hüller como o comandante nazista alemão Rudolf Höss e sua esposa Hedwig, onde acompanhamos aquela família que leva a vida tranquilamente em uma nova casa bem ao lado do campo de concentração de Auschwitz.

Jonathan Glazer (diretor dos excelentes "Reencarnação", de 2004, e "Sob a Pele", de 2013) constrói um dos melhores filmes do ano passado e de toda a sua carreira. "Zona de Interesse" é mais uma obra que nos leva diretamente ao momento mais trágico e perverso da história da humanidade, o assombroso e desolador Holocausto. Ao longo de toda a história cinematográfica já tivemos vários filmes que estão relacionados e fazem diversas abordagens sobre o Holocausto; como é o caso de obras impecáveis e irretocáveis como "O Menino do Pijama Listrado" (2008), "A Vida é Bela" (1997) e "A Lista de Schindler"(1993), que são os meus três filmes preferidos sobre o tema.

A principal diferença dos três filmes citados para a obra de Glazer está exatamente na forma como o roteiro é construído e abordado ao longo de toda a história. Ou seja, nesses filmes somos impactados pela barbárie e pela violência explicita dos acontecimentos que assolavam os campos de concentração, onde nos despertava revolta, tristeza, comoção, empatia, e principalmente a dor e o nó na garganta de imaginar como foi terrível aquele momento na vida de cada um presente naquele local. Já a obra de Glazer vai na contramão por ser justamente um filme que mostra a sua Zona de Interesse, os seus ideais, as suas propostas, as suas regras, onde somos confrontados com um roteiro que apresenta uma experiência perturbadora porém sobre uma perspectiva distinta se comparado exatamente com os três filmes citados.

"Zona de Interesse" é uma experiência seca, crua, amarga, densa, cinza, incomoda, perturbadora, desoladora, que nos impacta e nos obriga a sairmos da nossa zona de conforto e presenciarmos um nível trágico e bizarro de falta de empatia, de amor com o próximo, de conivência, complacência e cumplicidade com tudo que estava acontecendo ao redor daquela família logo atrás dos muros de sua casa. Jonathan Glazer conseguiu elaborar um roteiro que me deixou chocado, pensativo, reflexivo, se destacando como um dos filmes mais difíceis que eu já assisti nos últimos anos. Temos aqui aquela típica obra que mexe com a nossa consciência, com o nosso imaginário, que ao término do filme você continua com ele na cabeça e pensando em tudo que presenciou por dias, tentando entender o quão detestável e desprezível é a raça humana.

Os maior acerto da obra de Jonathan Glazer é exatamente a forma como ele planeja deixar o espectador perturbado e incomodado com a forma que a história vai acontecendo ao longo das suas 1h 45min. Ou seja, já iniciamos com uma tela completamente escura e somente com uma música estridente de fundo, e ficamos nessa cena por quase 4 minutos. Ali você já sente o peso da obra, logo a intenção é realmente nos incomodar e nos tirar da nossa zona de conforto. Logo após esta cena já temos um corte para uma cena com uma família feliz se deliciando com um banho de rio. A partir daí o que fica mais notável e se sobressai em toda produção de "Zona de Interesse" é exatamente o trabalho impecável da edição e mixagem de som. Pois o som é a cereja do bolo do roteiro de Jonathan Glazer, sendo o som o responsável em nos aproximar dos terríveis acontecimentos logo após o muro da casa, no campo de concentração de Auschwitz.

E aqui eu preciso dar todos os créditos para o belíssimo roteiro de Glazer e forma como ele atua durante toda a história. Que é apostando diretamente no místico, no imaginário, no lúdico, fazendo um contraponto da vida feliz daquela família durante o seu dia a dia, em contrapartida com a desolação e a crueldade de tudo que estava acontecendo à uns 100 metros dali. É nesse ponto que a obra de Glazer se torna avassaladora, por nos impactar de forma sutil porém extremamente incomoda e perturbadora, e sem o uso de cenas que pudessem exemplificar tudo que estava acontecendo logo adiante. Tudo é construído a partir do nosso imaginário com o poder dos sons desesperador de gritos, torturas, tiros, sirenes e choros de crianças. A opção de Glazer por não mostrar nada que estava acontecendo nos deixa ainda mais incomodados e pensativos, pois quando não temos a imagem tudo em nossa mente fica em um grau ainda mais trágico e perturbador. Ainda mais pegando a pauta que o som corrobora ainda mais para toda a nossa tragédia mental, pois na medida que aquela família levava a sua vida normal, nós estávamos sendo torturados por um som inquietante que ficava constantemente com um grave mais agudo e sempre tomado por choros de crianças de fundo.

"Zona de Interesse" é uma obra extremamente desconfortável, inquietante, com uma atmosfera pesadíssima, que nos exemplifica de forma auditiva em como de uma lado tínhamos vidas e do outro as vidas eram tiradas. Que nos mostra em como de um lado estavam os sonhos e do outro simplesmente a morte. Quando não temos a retratação visual dos horrores, o que fica é exatamente os gritos desesperador vindo dos campos de concentração. E chega a ser bizarro a forma como temos cenas da família feliz de um lado e a crueldade do outro, e tudo acontecendo exatamente ao mesmo tempo. Logo temos aquela cena onde reproduz um jardim completamente florido, colorido, onde teoricamente poderia simbolizar a alegria, a vida, a liberdade, mas logo toda essa plenitude é confundida com o choro e os gritos de horrores.

O que me deixa extremamente triste e desconfortável, é observar a inocência das crianças ao brincarem alegremente na piscina com um muro lado a lado com o terror, e sem a devida proporção e dimensão que tudo aquilo significava. Esta cena me remete diretamente ao filme "O Menino do Pijama Listrado", onde também tínhamos a inocência de uma criança em contraponto com toda crueldade e desolação dos campos de concentração, onde confronta um dos maiores sofrimentos da história da humanidade com a pureza e a inocência de uma criança.

Christian Friedel (da série "Babylon Berlin") e Sandra Hüller (indicada ao Oscar por "Anatomia de uma Queda") estão divinamente bem em seus respectivos personagens.
Christian é a personificação daquela linha de comandante nazista alemão seco, duro, introspectivo, que se porta como silencioso, metódico e letal. Rudolf era aquele ser que só se importava com a sua tarefa, que era ser o melhor comandante, e isso ele fazia com muito empenho. Era como almoçar em sua casa ao lado de sua família e logo após atravessar o muro e exterminar as pessoas, como se tudo isso fosse o emprego mais normal do mundo.
Já a Sandra traz aquela mulher que tem os seus interesses voltados para a sua família e seu marido, que só se preocupa em ter tudo que quiser independente da forma que o seu marido consiga. Hedwig é também uma mulher que se mostra completamente indiferente de tudo que está acontecendo ao seu redor, além de também exibir a sua apatia e o seu preconceito em relação à todos aqueles acontecimentos.
Tanto o Christian Friedel como a Sandra Hüller entregam uma atuação muito bem acertada, e muito bem condizente com toda a proposta do roteiro para o intuito dos seus personagens.

Tecnicamente a obra é soberba!
A trilha sonora de Mica Levi (compositora da trilha sonora de "Jack", de 2016) é esplendorosa, contundente, extremamente incisiva em cena após cena, onde ditava com muita coesão cada ritmo que impregnava em nossa mente. O mesmo vale para o designer de som Johnnie Burn, que junto com a própria Mica, compuseram a música e os efeitos sonoros do filme.
A fotografia de Łukasz Zal ("Guerra Fria", de 2018) é outro ponto extremamente importante no longa, pois a partir dela que tínhamos aquela dimensão do feliz e triste ali lado a lado separados apenas por um muro. Sem falar que a cinematografia é muito bem estruturada no filme. Assim como a direção de arte, que compôs minunciosamente cada detalhe dos cenários, tanto na casa da família quanto no lado dos campos de extermínios.

"Zona de Interesse" foi selecionado para concorrer à Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 2023, onde ganhou o Grand Prix, o Cannes Soundtrack Award e o Prêmio FIPRESCI. O longa ainda ganhou 3 BAFTAs (incluindo Filme não na Língua Inglesa ), e foi indicado a 5 Oscars (incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor para Jonathan Glazer) e 3 Globos de Ouro.

O longa-metragem foi muito bem em sua semana de estreia nas bilheterias, onde arrecadou US$ 124 mil em quatro cinemas. Após suas cinco indicações ao Oscar, o filme expandiu de 215 cinemas para 333 em sua sétima semana de lançamento e arrecadou US$ 1,08 milhão, um aumento de 141% em relação ao fim de semana anterior, e um total acumulado de US$ 3 milhões.

Um dos maiores diretores de todos os tempos, o renomado cineasta Steven Spielberg elogiou "Zona de Interesse", chamando-o de o melhor filme sobre o Holocausto já feito desde seu próprio "A Lista de Schindler". E já aproveito a ocasião para informar que eu considero "A Lista de Schindler" como o melhor filme de toda carreira cinematográfica do Spielberg, e também como um dos melhores filmes sobre o tema de todos os tempos.

Jonathan Glazer cria uma obra categórica, crucial, terminante, contundente, que nos exibe um choque de realidade quando nos mostra que aquele casal alemão que viviam suas vidas normais podem ser comparados a nós mesmo em nosso dia a dia, quando estamos sendo omissos e cúmplices com crueldades, e principalmente com pessoas que são coniventes com esses atos. Esta é uma das maiores falhas do ser humano, a cumplicidade, a omissão, a conivência, a banalização do mal, quando o que está acontecendo é com os nossos vizinhos e não com nós. Ou seja, este é o ponto crucial em comparação com o genocídio do Holocausto com relação aquela família, onde todos viviam suas vidas normalmente como se nada estivesse acontecendo, desde que não aconteça com eles, é claro! Este é o comparativo com a nossa realidade atual; o mal pode existir ao seu lado, a crueldade pode existir ao seu lado, desde que você não sofra, os outros ao seu redor pouco importa.

Por fim: "Zona de Interesse" é uma obra grandiosa, necessária e extremamente importante. Que nos conscientiza principalmente sobre a banalidade do mal, que nos exemplifica em como o ser humano é horrendo, repugnante, odioso, perverso, mesquinho, em como existem pessoas que compactuam com a crueldade, que naturaliza todos e qualquer acontecimento ao seu redor, a partir do momento que estão sendo cúmplices de brutalidades imperdoáveis.

"Zona de Interesse" é também uma obra extremamente difícil, desconfortável, incômoda, pesada, que vai te tirar da sua zona de conforto, vai te fazer pensar e refletir à respeito dos valores da sua vida e a forma como você está atuando nela a partir das suas atitudes. Jonathan Glazer entrega um excelente estudo de personagem, cheio de subjetividades, com uma demonstração bizarra do lado mais sombrio e mórbido da humanidade.
[28/02/2024]
Carlos Castro
Carlos Castro

989 seguidores 343 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 6 de janeiro de 2025
Zona de Interesse é sutilmente perturbador. Ele traz a vilania crua do ser humano: pessoas, como eu e você, cometendo o crime mais hediondo da história, rotineiramente, como um trabalho qualquer.

É simplesmente agonizante a naturalidade como as pessoas lidam com essa realidade de forma tão banal.

Mas a principal mensagem que o filme me traz é:

Se a ideologia, o senso de propósito, é capaz de tornarem pessoas tão indiferentes a uma crueldade como a que ocorreu nos campos de concentração nazistas, o que ela não pode fazer em termos de manipulação e corrupção nos dias atuais?

Essa é só uma das camadas deste filme. Trazer essa perspectiva sobre a realidade daquela época tenebrosa é o que torna o roteiro extremamente poderoso. Levanta questões morais de quase cem anos atrás. Será que aprendemos alguma coisa com tudo o que aconteceu?

A fotografia também ajuda a contar esse grito silencioso de desumanização: enquadramentos estéticamente hipnotizantes, que destacam a organização e limpeza impecáveis da casa do General. O jardim radiante recebe uma luz solar intensa e dá vida às mais variadas espécies de flores. Toda essa exuberância de vida contrasta com as mortes invisíveis ao fundo, em uma das ironias mais potentes do filme.

Eu estava achando muito difícil abordar a Segunda Guerra Mundial sem cair em clichês. Mas Zona de Interesse vem para quebrar essa expectativa. Afinal, das inúmeras coisas que esse filme quer falar, a guerra é uma das menos relevantes.
Adriano Côrtes Santos
Adriano Côrtes Santos

1.008 seguidores 1.229 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 11 de dezembro de 2024
Zona de Interesse, de Jonathan Glazer, é um estudo inquietante sobre a vida de Rudolf Höss, comandante de Auschwitz, e sua família que mora ao lado do campo de concentração. Com uma abordagem sutil e perturbadora, o filme se destaca ao não mostrar diretamente as atrocidades, mas ao sugerir o horror por meio de sons e imagens ausentes, como a fumaça das chaminés e sons de tiros. Essa técnica, similar à de O Filho de Saul, foca na banalização do mal, retratando a vida cotidiana da família Höss como indiferente ao sofrimento próximo.

A direção é meticulosa, com planos rígidos e uma edição de som imersiva, criando uma tensão constante. As atuações, principalmente de Christian Friedel como Rudolf e Sandra Hüller como Hedwig, são essenciais para transmitir a normalidade desumanizante da situação. O filme é desafiador, exigindo paciência do espectador, mas deixa uma impressão duradoura pela reflexão que provoca sobre a indiferença frente ao mal.
Um filme que ficará um bom tempo em sua mente.​
Carlos P.
Carlos P.

266 seguidores 431 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 13 de março de 2024
A narrativa desse filme é perfeita. Acho que na primeira meia hora ou talvez uma hora senti que estava vendo um dos melhores filmes da história. A sutileza, a agonia que cada detalhe traz, é um filme que recomendo a todos. Sei que virou um termo clichê, mas um 'filme necessário'. E forte, muito forte. Se por um momento, o considero uma obra-prima, quase soa como algo que poderia ser mais curto(mesmo só tendo 1h40) ou lidado de outra forma. Não que eu tenha alguma sugestão, só depois de um tempo perdi o interesse no filme, pois o filme de certa forma 'repetiu' a lógica por um bom tempo, mostrar a vida dessa família ao lado de Auschwitz, apostando nos detalhes para chocar. O final foi impactante também, mas pecou nesse detalhe pra mim, de não conseguir entregar algo a mais baseado no que prometia.
DUDU SILVA
DUDU SILVA

78 seguidores 335 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 19 de fevereiro de 2024
Cansativo, lento e chato. Zona de interesse ate faz um um bom trabalho em não mostra imagens dos campos de concentração (dando so pra escutar os sons do que acontecem la), mas peca no ritmo
Rafael C.
Rafael C.

53 seguidores 17 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 5 de junho de 2024
Não sei pq ganhou o Oscar. Talvez eu não entenda nada de filma. Mas achei fraco. Bem fraco. Quase dormi rsrs
Dennys R
Dennys R

45 seguidores 198 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 13 de fevereiro de 2024
A trilha sonora de Mica Levi é realmente marcante, em relação ao enredo eu esperava que fosse mais dinâmico, porém ainda assim gostei das atuações, fotografia e o trabalho sonoro.
Não assistiria novamente, mas valeu o ingresso pelo conteúdo apresentado.

 Visto no cinema
✅ 7/10
Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema
  • Melhores filmes
  • Melhores filmes de acordo a imprensa